Por Inaldo Sampaio
Coluna Fogo Cruzado – 27 de março
Governadores dos nove estados do Nordeste foram a Dilma Rousseff na última quarta-feira com uma lista de pedidos que ia de mais recursos para a área de saúde à abertura de uma linha de crédito para a construção de obras hídricas. A presidente os recebeu no Planalto como recomenda a boa política: com um abraço forte e tapinha nas costas. No entanto, não acenou com nenhum tipo de ajuda enquanto o Congresso não aprovar o ajuste fiscal proposto pelo ministro Joaquim Levy. Espertamente ela devolveu aos governadores o mesmo pedido de ajuda que eles lhe fizeram, dizendo que só haverá dinheiro para investimentos se o ajuste fiscal for realizado. Foi uma recomendação ao bloco para que convença os seus deputados e senadores a votarem a favor das medidas fiscais. Se a maioria dos 188 congressistas nordestinos seguir a orientação dos governadores um passo importante terá sido dado para a aprovação do ajuste.
Dilma não se negará a dar apoio aos governadores do Nordeste, desde que o Congresso Nacional aprove o ajuste fiscal proposto por ela
Pela volta da refinaria
Como o Maranhão não sofre com seca, o governador Flávio Dino (PCdoB) foi o único do Nordeste que não pediu dinheiro a Dilma para fazer obras hídricas. Tudo que ele quer do atual governo é a revisão da decisão da Petrobras de cancelar a planta da refinaria que estava prevista para aquele estado. Essa refinaria, aliás, que foi prometida aos maranhenses no governo Lula, é a única coisa que une Sarney ao atual governador, como uniu em Pernambuco Arraes e Marco Maciel.
Visita – O vice-governador Raul Henry (PMDB) viajará segunda agora a Fortaleza, junto com o secretário Fred Amâncio (educação), para conhecer um dos programas educacionais do governo Cid Gomes. Vai retribuir a visita que o então ministro da educação fez a Pernambuco, no início deste ano, para conhecer o modelo das escolas de tempo integral do governo Eduardo Campos.
Greve – Foi um alívio para Paulo Câmara a decisão tomada pelo Sintepe de fazer uma “greve de advertência” de 48 horas. No Paraná o governador Beto Richa enfrentou uma paralisação de 29 dias.
Páscoa - Os deputados Socorro Pimentel (PSL) e Vinicius Labanca (PSB) vão se ausentar do Brasil na Semana Santa. Socorro fará um giro pela América Central e Labanca pela Suíça e Portugal.
Chuva – O Operador Nacional do Sistema Elétrico prevê chuvas agora em abril, na bacia do São Francisco, dentro da “média histórica”. É uma boa notícia para a Chesf e suas usinas de energia elétrica.
Paciência – Formado na escola do velho “partidão”, o secretário Milton Coelho (foto) é quem comanda as negociações, pelo lado do governo, com os sindicatos de servidores públicos. Ele tanto tem paciência para lidar com sindicalistas como sabe encerrar o papo se a conversa perder a objetividade.
Palmas – O PCdoB comemorou seus 93 anos de fundação no Convento de Santa Teresa, em Olinda, para provar que não tem preconceito contra quem professa a fé cristã. O partido foi fundado em 1923, em Niterói (RJ), por um grupo de 11 pessoas, entre elas o pernambucano Cristiano Cordeiro.
Posse – O sindicalista Rinaldo Júnior assumiu ontem, numa solenidade festiva, a presidência da Força Sindical em Pernambuco. Ele é suplente de deputado estadual pelo PDT e entrou no lugar de Aldo Amaral, suplente de federal pelo PRB. É o 3º presidente da Força em Pernambuco nos últimos oito anos.
Calvário – Há exatamente três anos o presidente nacional do DEM, José Agripino, defendia a expulsão dos quadros do partido do então senador Demóstenes Torres (GO) por quebra do decoro parlamentar. Demóstenes ia regularmente à tribuna dar aulas de “ética” ao país, até que se descobriu que ele tinha ligações com o contraventor Carlinhos Cachoeira. Agora o acusado é o próprio Agripino.
Corte – Se aplaudimos o “Mais Médicos”, está na hora do “Menos Ministérios”, diz o senador Renan Calheiros ao defender a extinção de 50% das pastas ministeriais do governo Dilma. Como forma de racionalizar a máquina, a redução tem razão de ser. Mas como contribuição ao ajuste fiscal o efeito é zero. É que há pelo menos 10 ministros que só têm uma sala, motorista e meia dúzia de assessores.
