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sexta-feira, 27 de março de 2015

Se Lula tivesse ouvido...

Por Magno Martins


Se o ex-sindicalista Lula tivesse ouvido o Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) ainda em 2010, quando era presidente, os desvios e desmandos de Renato Duque à frente da Diretoria de Serviços da Petrobras poderiam ter sido menores, rememora Lauro Jardim, na sua coluna da Veja Online.

Lembra o colunista que a edição de 11 de março de 2010 do Surgente, o jornal do Sindipetro-RJ, traz um editorial cujo título não poderia ser mais claro: “Fora Renato de Souza Duque, diretor de Serviços da Petrobras!”. No editorial, os petroleiros reclamam de punições e demissões de funcionários por falhas, enquanto os gerentes, seus superiores, nunca eram punidos.

O texto ainda critica José Sérgio Gabrielli, “um rei, já que reina, mas não governa”, e descreve a estrutura desvendada pela Operação Lava-Jato anos depois: “cada diretor é dono de seu feudo e só deve satisfação ao partido de origem e ao seu padrinho”.

E quem seria o padrinho de Duque? Os petroleiros não têm dúvidas: “Renato Duque é afilhado político do ex-ministro chefe da Casa Civil do governo Lula, José Dirceu”.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Doleiro Youssef se comprometeu a devolver R$ 1,8 milhão à União

O doleiro ficará no máximo cinco anos preso em regime fechado

Alberto Youssef
O doleiro Alberto Youssef se comprometeu a devolver à União pelo menos R$ 1,8 milhão em espécie, hotéis e imóveis registrados em seu nome, além de todo o dinheiro encontrado em contas pessoais e de suas empresas, segundo o acordo de delação premiada fechado com o Ministério Público Federal e homologado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki.
Segundo o acordo, o doleiro ficará no máximo cinco anos preso em regime fechado, quaisquer que sejam as penas a que ele seja condenado pelo Judiciário.
Assinado em 24 de setembro passado entre Youssef e sete representantes do Ministério Público Federal, o acordo foi divulgado nesta quarta (21) por determinação do juiz Sergio Moro, que acolheu pedido da defesa dos réus: eles queriam conhecer o teor do documento para garantir o direito à ampla defesa.
Youssef aceitou devolver um hotel em Aparecida (SP), parte de um hotel em Salvador (BA), seis apartamentos de um hotel em Londrina (PR), um terço de um hotel em Jaú (SP); um imóvel em Camaçari (BA); um carro Volvo CX60 blindado; um Mercedes Benz CLS 500; e um Tiguan 2.0 blindado. Em favor de suas filhas, Youssef conseguiu manter a posse de um imóvel em Londrina. Em favor da mulher, outro imóvel.

Petrobras boicota envio de informações à Lava Jato


A Petrobras tenta impedir o Tribunal de Contas da União (TCU) de enviar informações de um de seus projetos, suspeito de irregularidades, à força-tarefa responsável pela operação "lava jato". A estatal recorreu contra despacho do ministro André Luís de Carvalho, que determinou a remessa, à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal no Paraná, de processo que apura superfaturamento na construção da rede de gasodutos Gasene. O julgamento estava previsto para esta quarta-feira (21/1), em sessão sigilosa.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

INVESTIGAR CORRUPÇÃO NA PETROBRAS DEVE SER PRIORIDADE

Editorial O globo,

As investigações do esquema de corrupção na Petrobras, o petrolão, ampliam o tamanho da roubalheira e revelam métodos sofisticados de drenar dinheiro público da estatal para os subterrâneos da política. A cartelização do grupo de grandes empreiteiras, na constituição de um “clube”, para dividir obras da estatal e pagar propinas a ex-diretores da empresas e/ou políticos, é digna dos grandes golpes no mundo do crime do “colarinho branco”.

Ainda falta conhecer todo um lado financeiro do esquema, o da lavagem do dinheiro feita pelo especialista Alberto Youssef, a consequente conversão de reais em dólares, para serem remetidos ao exterior. No campo das técnicas de dissimulação, destaca-se, até agora, a revelação, em delação premiada de empreiteiros, que parte de propinas destinadas ao ex-diretor Renato Duque, apadrinhado do PT, foi convertida em doação legal ao partido, numa lavagem dupla dos recursos.

A apreensão, no escritório do doleiro Youssef, de uma planilha com 747 obras de infraestrutura em que estão envolvidas 170 empresas corrobora a afirmação do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa de que a cobrança de propinas não ocorre apenas na estatal. Abrangeria projetos em vários outros setores: portos, ferrovias, etc.

É natural que a primeira reação seja defender-se a ampliação das investigações da Operação Lava-Jato, da PF, cujo inquérito foi aceito pelo juiz Sérgio Moro, da Justiça Federal do Paraná.

Trata-se, porém, de um erro dispersar, agora, as investigações, a serem concentradas no esquema na Petrobras. Sem prejuízo, claro, da abertura de tantos inquéritos quantos forem necessários, à medida que fique evidente que a cobrança de propinas se transformou em regra nas obras do PAC — algo bastante possível.

Mas a meta deve ser ir fundo e esclarecer por inteiro a montagem da roubalheira na Petrobras pelo lulopetismo. Sem deixar escapar suas variantes, como a proximidade de fundos de pensão de estatais, por exemplo.

Pode-se, até, chegar à conclusão que tudo tem a ver com a defesa que faz o PT do fim das contribuições legais de empresas a campanhas, jogando-as todas no universo ilegal do caixa dois, onde o partido já levaria enorme vantagem sobre as legendas adversárias — como demonstra a máquina lulopetista que operou na Petrobras.

Cabe lembrar que a expertise petista neste ramo vem de longe — das prefeituras paulistas e também da montagem da rede de apoio partidário à primeira candidatura Lula, em 2002. Já é parte da História o relato das negociações financeiras a portas fechadas entre José Dirceu e Valdemar Costa Neto, então PL, sobre o pagamento do dote de José Alencar, para o empresário ser o vice de Lula. Ali já era o mensalão.

Tudo pode estar interligado, de 2002 a 2014. Mas é importante evitar que as investigações se atropelem e deem munição a chicanas advocatícias. Elas deverão ser muitas, dado o cacife dos acusados.



quarta-feira, 19 de novembro de 2014

CPI QUEBRA SIGILO DE JOÃO VACCARI E CHAMA SÉRGIO MACHADO

Josias de Souza


Em votação apertada, 12 votos contra 11, a CPI mista da Petrobras aprovou na tarde de ontem, terça-feira (18), a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. A comissão aprovou também a convocação do presidente licenciado da Transpetro, Sérgio Machado, apadrinhado de Renan Calheiros (PMDB-AL).

Uma semana depois de bloquear a apreciação de requerimentos da oposição, a bancada do governo sofreu derrotas em série. Aprovou-se também a convocação de Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, investigado na operação Lava Jato sob suspeita de receber propinas na estatal em nome do PT.

Houve mais: foi votado e aprovado pedido para a realização de acareação entre os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa (Abastecimento) e Nestor Cerveró (Internacional). Em depoimento à Justiça Federal, o delator Paulo Roberto acusou o ex-colega de também receber propinas. Ouvido pela CPI em setembro, Cerveró dissera que não cometera irregularidades na Petrobras. Daí a decisão de colocá-los cara a cara.

Paulo Roberto também acusou Sérgio Machado, o afilhado de Renan, de lhe entregar propina de R$ 500 mil. Auditores externos da Petrobras condicionaram a análise do balanço da estatal ao seu afastamento. E Machado viu-se compelido a pedir licença, como alternativa ao afastamento definitivo.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

GRAÇA FOSTER FAZ AS VEZES DE MAESTRO DE TITANIC

Josias de Souza


Afundada em corrupção, a Petrobras acredita ter encontrado uma saída para a mais grave crise de toda a sua história. A companhia estuda criar uma nova diretoria. Vem aí a diretoria de governança. Terá a missão de zelar pelo “cumprimento de leis e regulamentos”, informou Graça Foster. Vendida como “a mais importante das ações” da estatal para superar a crise, a provável criação do novo cargo se assemelha à ordem do maestro do Titanic para que a orquestra continuasse tocando enquanto o transatlântico afundava.

Graça Foster comunicou a novidade aos jornalistas do lado de diretores da Petrobras. Entre eles o atual titular da área de Abastecimento, José Carlos Cosenza. Que foi denunciado pelos delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef como beneficiário de propinas de empreiteiras. “Entendemos que [a nova diretoria de governança] é algo importante e até certo ponto urgente para a companhia'', disse Graça. Por mal dos pecados, documento da PF relaciona indícios de que a água invade os trombones dos músicos que deslizam pelo salão da maior estatal brasileira.

No dizer da PF, o esquema de propinas “apresenta continuidade mesmo após a demissão do então diretor Paulo Roberto Costa”, hoje um corrupto confesso e delator premiado. Os investigadores varejam pagamentos feitos em 2014. A caminho do fundo, Graça Foster finge não notar que o desnível acentuado do chão do navio não decorre da qualidade do champanhe.

Os repórteres perguntaram a Graça Foster sobre o destino de Sérgio Machado. Apadrinhado de Renan Calheiros, ele teve de se licenciar da presidência da Transpetro por exigência de uma empresa de auditoria externa. A licença expira em 4 de dezembro. Vai voltar? Segundo Graça, a decisão é do próprio Machado. Hummmm!

Mais um pouco e os partidos do conglomerado governista serão convidados a indicar um apaniguado para o comando da futura diretoria de governança da Petrobras. E Graça, com óleo queimado na altura do nariz: “Toque glub-glub-glub…”

sábado, 20 de setembro de 2014

ABARROTADAS, AS GAVETAS DA REPÚBLICA EXPLODEM

Josias de Souza

Dilma Rousseff tem orgulho de dizer: “Ao longo da minha vida tive sempre tolerância zero com corrupção.” Mas o destino —essa fração de segundo em que o sinal muda de verde para amarelo e a pessoa é intimada a decidir se para ou avança— pregou-lhe uma peça. Na hora em que ela reivindica um segundo mandato, as gavetas da República começaram a explodir ao seu redor. São explosões incontroláveis.

A inevitabilidade dos estrondos é proporcional à quantidade de bombas estocada nas gavetas. Há nitroglicerina demais. Tanta nitroglicerina que já não é possível negociar o que será insinuado e o que permanecerá escondido. Até agora, Dilma não demonstrou desejo de parar. Diante do sinal amarelo, ela aperta o botão do ‘eu não sabia’ e pisa no acelerador. Pena, mas nada impede que enxergue o freio.

A plateia ainda não sabe o tamanho do estrago produzido pela autoimplosão de Paulo Roberto Costa. Sabe-se que a delação do ex-diretor da Petrobras balançará o coreto de autoridades, estilhaçando-lhes as coligações. Mas não ficou claro, por ora, o grau de comprometimento dos alicerces do Planalto. Infelizmente, a visitação aos escombros não deve ser liberada antes das eleições.

Enquanto tenta desviar sua candidatura do óleo derramado na pista da sucessão pelo delator Paulinho, como o chamava Lula, Dilma é surpreendida por outra bomba—dessa vez uma bomba de efeito retardado. Foi armada por Renan Calheiros. Deveria ter ido pelos ares em 2007. Mas, com a ajuda de Lula, o artefato desceu à gaveta. Que a Procuradoria da República acaba de abrir.

Seis procuradores da República protocolaram na 14ª Vara Federal do Distrito Federal uma ação por improbidade administrativa contra o presidente do Senado. Nela, Renan é acusado de pagar com propinas recebidas da empreiteira Mendes Júnior a pensão de uma filha que teve em relacionamento extraconjugal. Em troca, acusam os procuradores, o senador pendurou no Orçamento da União emendas que bancaram obras da firma corruptora.

Quando o caso veio à luz, em 2007, Renan já presidia o Senado. E Lula, solidário com seu drama, ajudou-o a mobilizar o consórcio governista para enterrar o escândalo vivo. Combinou-se na ocasião que o Conselho de Ética encamparia a tese de que o dinheiro repassado à ex-amante de Renan viera da venda do gado. E os brasileiros seriam convidados a se fingir de bobos. Pelo bem da República.

Produziram-se dois relatórios atestando a falta de provas para a cassação do mandato de Renan —um foi subscrito por Romeu Tuma, já morto. Outro, por Epitácio Cafeteira, ainda muito vivo. Sabia-se que fechar os olhos piorava a palhaçada. Mas dizia-se que não convinha arriscar a estabilidade do Legislativo e a própria governabilidade em nome de algo tão relativo e politicamente supérfluo como a verdade.

Todos se encaminhavam para aceitar a combinação de que nada ocorrera. Mas, de repente, a imprensa golpista demonstrou que a boiada que Renan apresentara para justificar suas despesas era feita de notas frias. Um rebanho de dúvidas passou a transitar pelos salões do Senado. De novo, combinou-se que as reses não estavam ali. Num grande acordo, Renan renunciou à Presidência do Senado e seus pares abstiveram-se de passar o mandato dele na lâmina.

Em fevereiro do ano passado, como se nada houvesse sucedido, Renan foi devolvido ao comando do Senado. Dias antes da aprovação do nome dele em plenário, o então procurador-geral da República Roberto Gurgel denunciou-o ao STF. Servindo-se do mesmo caso que mistura lençois, verbas orçamentárias e propinas, Gurgel acusou Renan de peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso.

A despeito de tudo, Renan obteve de volta, já sob Dilma, a poltrona de presidente do Senado. Amealhou votos de governistas e de oposicionistas. O PSDB entregou-lhe oito decisivos votos. Decorridos dezenove meses, ouve-se a explosão da nova ação judicial. O barulho chega na hora em que Renan emerge da lista de supostos recebedores de propinas cavadas na Petrobras. Uma bomba se interconecta com a outra.

Noutros tempos, as explosões eram resolvidas mais facilmente. As autoridades faziam cara de nojo em público, cobravam a cumplicidade dos aliados em privado e confiavam na pré-disposição da plateia para engolir histórias mal contadas. As prisões do mensalão geraram uma dúvida: de que tamanho precisa ficar o embaraço para que o brasileiro, já tão habituado ao papel de tolo, possa considerá-lo aceitável? A paciência parece ter diminuído. Além das gavetas, a desfaçatez encheu o saco.

Fonte: Blog do Josias de Souza

A GUERRA DOS COMPANHEIRO



O “abraço à Petrobras”, empreendido no início da semana pelo PT, na sede da empresa, no Rio, faz lembrar o clássico ditado policial de que “o criminoso sempre volta ao local do crime”.

Desta vez, não para avaliar os danos, como observador oculto, mas para testar às escâncaras sua capacidade de virar o jogo. Em meio às mais cabeludas denúncias, produzidas pelo ex-diretor de Abastecimento e Refino, Paulo Roberto Costa – que pontificou nos dois governos de Lula e na metade do de Dilma -, o PT testou a tese de que a melhor defesa é o ataque. Falhou.

Em sua campanha, Dilma quer transformar as denúncias de assalto à empresa – e a respectiva cobrança por investigações - em tentativa de sabotagem, imputando, de quebra, a Marina Silva o sórdido objetivo de liquidar o pré-sal. É o “pega ladrão!”, mas gritado pelo próprio ladrão. Já funcionou antes.

O mais significativo no ato, porém, não foi ele em si, mas a escassa presença de manifestantes. Lá estava a militância de sempre, acrescida do MST, que dela sempre fez parte. Povo mesmo não se viu. A Polícia Militar registrou cerca de 600 pessoas.

No passado recente, seriam milhares e milhares. Onde estão? Terá o PT perdido musculatura onde há muito reinava? Aparentemente, sim. A candidatura de Marina dividiu a esquerda e os chamados movimentos sociais. Não se sabe ainda em que escala, mas não há dúvida de que houve quebra de unidade.

O que se assiste é uma guerra civil entre companheiros. Não é uma guerra de ideias, mas por cargos, o que explica a fúria de quem se sente ameaçado com o desemprego. É mais fácil, em política, absorver a derrota de uma ideia que a perda de um cargo.

O sucesso do PT decorre de sua capacidade de mobilizar a sociedade, que aparelhou com paciência e método desde os tempos em que era oposição. Ao assumir o governo, consolidou esse domínio, por meio de ONGs, abastecidas com dinheiro público.

Os diversos movimentos que hoje se apresentam como sendo o rosto da sociedade civil – de gays, negros, feministas, ambientalistas, índios e universitários – estão atrelados ao guarda-chuva da nave mãe, que é o PT.

Isso permitiu que o partido promovesse o impeachment de um presidente da República, Fernando Collor, por razões que hoje, diante das dimensões do Mensalão e do Petrolão, seriam risíveis.

Indignação depende de mobilização – e esta depende de verba. Antes de chegar ao poder federal, o PT já mobilizava seus governos estaduais e municipais para estabelecer sua engenharia social. A captação de recursos a qualquer preço deixou alguns rastros de sangue, como as mortes dos prefeitos de Campinas, Toninho do PT, e de Santo André, Celso Daniel, que o partido absorve como acidentes de trabalho

Uma vez na Presidência da República, apossou-se não da sociedade real, mas de sua tribuna, erigindo como seus porta-vozes entidades como o MST, MTST, UNE e até a vetusta OAB. O universo das ONGs aparelhadas exerce o papel de intermediadora de recursos. Quando o partido quer colocar seu bloco na rua, aciona essa sofisticada e bem remunerada engrenagem e leva milhares aonde quer. Foi o que ocorreu em Brasília, em fevereiro, quando o MST ocupou a Esplanada dos Ministérios, feriu 30 PMs e viu sua baderna resultar numa audiência com a presidente da República.

Reclama-se que a oposição não faz nada diante de tantos escândalos. Não faz não porque não queira. Não dispõe dos instrumentos de militância, que não se improvisam.

O fenômeno Marina decorre, entre outros fatores, de que ela provém do mesmo ninho do PT, do qual é fundadora. Conhece a engrenagem e herdou parte dela. Em torno das causas ambiental e indígena, de que se tornou ícone, há milhares de ONGs que não temem sua eleição, já que não ameaça os espaços que ocupam.

Quanto a Aécio, padece da escassez de militância. Sua vitória depende de maioria espontânea, não impossível, mas bem mais difícil de obter sem os mecanismos de engenharia social que seu partido, como os que o antecederam no poder, negligenciou.

O PT aparelhou Estado e sociedade civil – e agora recorre a esta para não perder o domínio daquele. Perdeu musculatura, mas está longe de ter se tornado anêmico. A ferocidade vai aumentar.



Ruy Fabiano é jornalista.

Fonte: Blog do Ricardo Noblat

domingo, 20 de abril de 2014

GABRIELLI APONTA "MITOS E VERDADES" SOBRE PASADENA

Ex-presidente da Petrobras diz que a compra da polêmica refinaria foi aprovada por ter sido "vantajosa"; entre os "mitos", ele aponta o preço da compra por US$ 42,5 milhões pela Astra e o erro da aquisição no exterior; "a verdade é que a Astra desembolsou US$ 360 milhões", diz ele; "a decisão atendia ao planejamento estratégico da companhia definido em 1999, no governo FHC, que previa investir em refino no exterior para lucrar com a venda de derivados de petróleo, sobretudo no mercado americano"; Gabrielli condena ainda o que chama de "circo de CPI eleitoral"; em entrevista, ele também afirmou que a presidente Dilma Rousseff "não pode fugir à sua responsabilidade" no caso.

DO PORTAL BRASIL 247

sexta-feira, 18 de abril de 2014

BLINDAR DILMA: AGORA SÓ PETROBRAS FALA DE PASADENA




Clarissa Oliveira - Blog Poder Online

A presidente Dilma Rousseff fez poucas declarações sobre a crise envolvendo a Petrobras, mas não vai além disso. De agora em diante, ela ficará o mais distante possível de tudo o que diz respeito ao episódio da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. O governo quer que a própria empresa assuma integralmente a dianteira da crise e se responsabilize por defender o negócio.

A tese é que cabe agora à Petrobras defender a própria Petrobras, diz um petista com trânsito no Planalto. Até porque Dilma não é “presidente da empresa”, reforça.

O entendimento é de que Dilma se explicou, mas somente como ex-integrante do Conselho de Administração da companhia. E não deve dizer mais nada.

O raciocínio é o mesmo sobre as denúncias envolvendo o deputado André Vargas (PT-RS), pressionado a renunciar ao mandato diante da repercussão de seu relacionamento com o doleiro Alberto Youssef. Nesse cas0, a tese é que cabe ao PT resolver o problema. De preferência, com o mínimo de barulho possível.
DO BLOG DE MAGNO

quarta-feira, 16 de abril de 2014

PETROBRAS "MAU NEGÓCIO"

 por Inaldo Sampaio


O ex-governador e pré-candidato à Presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, disse ontem no Rio de Janeiro que considera importante a declaração da presidente da Petrobras, Graça Foster, de que a compra da refinaria de Pasadena foi um “mau negócio”.

Entretanto, cobrou providências para que os responsáveis pelo “mau negócio” sejam responsabilizados.

O ex-governador fez uma palestra para estudantes da Universidade Estácio de Sá, na Barra da Tijuca, tendo sido este o primeiro evento público de que participou após ter sua candidatura a presidente da República lançada em Brasília na última segunda-feira.

Para ele, o Brasil enfrenta uma “crise de expectativa e confiança” e não precisa de um gerente para resolvê-la e sim de um líder político que dialogue com a sociedade.

“Temos nações, mundo afora, com a mesma expressão econômica e política que o Brasil e que têm fundamentos econômicos mais débeis. O problema do Brasil é crise de expectativa e confiança. As pessoas, os agentes sociais e econômicos, têm necessidade de saber qual é a estratégia, qual é o rumo. A gente hoje não percebe que haja estratégias de longo prazo, como grandes blocos e nações estão apresentando”, afirmou o ex-governador.

Ele foi o primeiro palestrante do evento “Presidenciáveis: Ciclo de Debates sobre o Futuro do Brasil” promovido pela Universidade.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

PETROBRAS



A presidente da Petrobras, Graça Foster, concedeu entrevista à repórter Maria Isabel Hammes. Três passagens da conversa chamam especial atenção. Numa, ela diz decarta o reajuste de combustíveis. Noutra, admite dar uma mãozinha a Eike Batista. Na terceita, estima que a autossuficiência do Brasil em petróleo, trombeteada por Lula em 2006, deve chegar em 2018.  Abaixo, os trechos mencionados:



— A gasolina vai aumentar ainda mais neste ano? Foram quatro aumentos do diesel, 21,4%, mais 14,9% em dois reajustes na gasolina na refinaria. Este é o meu preço para as distribuidoras. Na bomba, a gasolina só subiu uma vez porque antes tinha Cide e, depois, não mais. Olhando hoje para o quadro do Brent e para a taxa de apreciação do real, para o câmbio, não há previsão de aumento de combustível.

— Sairá o socorro da Petrobras ao grupo de Eike Batista? Desde setembro, temos discussões de oportunidades de negócios. Está em construção um superestaleiro, no porto de Açu (RJ). O grupo X tem uma infraestrutura muito grande e estamos trabalhando projeto a projeto com eles. O grupo tem, junto com a Mendes Júnior, outros dois contratos para plataformas. Tem navios que ganharam licitações e outros assuntos que estamos discutindo. Mas tudo será alvo de licitação. — A meta da autossuficiência ainda é perseguida pela companhia? […] Em 2006, a produção de petróleo era pouco menos de 1,8 milhão de barris/dia e o consumo de derivados também era nessa faixa. Então, naquele quadro da economia do Brasil, você fotografa e diz que o Brasil era autossuficiente. […] De 2006 até agora a demanda cresceu 4,9%, enquanto a produção de petróleo, 3,8%, gerando uma defasagem. Por isso, as plataformas são tão importantes – mais 15, além das de 2013 e 2014, vão entrar em operação até 2020. Em 2014, a curva de produção será puxada novamente. No próximo ano, o Brasil terá, através da produção da Petrobras e de seus parceiros, um volume de óleo igual ao de derivados. […] Só vamos parar de importar diesel em 2018, quanto entrarem todas as refinarias e, em 2020, teremos capacidade de refino de 3,6 milhões de barris de petróleo por dia, mas a produção será de 4,2 milhões. Aí exportaremos petróleo.
 
Do Blog de Josias de Souza.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

GRAÇA FORSTER AFASTOU TRÊS DIRETORES DA PETROBRAS


Josias de Souza



Dois meses e 12 dias depois de ter assumido a presidência da Petrobras, Graça Foster começou a remodelar o comando da estatal à sua imagem. Em combinação com Dilma Rousseff, afastou três diretores com vínculos partidários.

Foram ao meio-fio os diretores Paulo Roberto Costa (Abastecimento), Renato Duque (Serviços) e Jorge Zelada (Internacional). Comunicada à tróica na noite passada, a decisão foi confirmada nesta quinta (26) em reunião da diretoria da Petrobras.

Paulo Costa, indicado pelo PP no início do primeiro mandato de Lula, tinha sob sua responsabilidade a área petroquímica, o refino e comercialização de combustíveis no país.

Renato Duque, também fora alçado ao posto no alvorecer do governo Lula. Tinha o apoio do PT. Geria uma área em que se concentravam contratos milionários de plataformas e sondas petrolíferas. Jorge Zelada assumira em março de 2008, sob o patrocínio do PMDB.

Da diretoria nomeada sob o petista Sérgio Gabrielli, antecessor de Graça Foster, restou Amir Barbassa (Financeiro), que mantém relações muito próximas com o ministro Guido Mantega (Fazenda).

Conhecida como espécie de Dilma da Petrobras, Graça Foster ainda não se animou também em mexer com o presidente da Transpetro, braço naval da estatal. Ali, dá as cartas desde 2003 o ex-senador cearense Sérgio Machado, um apadrinhado Renan Calheiros (AL), líder do PMDB.

Ainda não vieram à luz os nomes dos substitutos dos três diretores afastados. Para desassossego dos partidos que rateiam os postos de mando na Petrobras, insinua-se que os novos diretores terão perfil apartidário. A ver.