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sexta-feira, 27 de abril de 2018

Inquérito e candidatura de Temer andam juntos


Josias de Souza




Em ofício endereçado ao ministro do Supremo Luís Roberto Barroso, a Polícia Federal pediu mais dois meses para concluir o inquérito sobre portos. Envolve Michel Temer, seus amigos, familiares e empresários do setor portuário. Relator do caso, Barroso requisitou a manifestação da procuradora-geral da República Raquel Dodge. Se o pedido for atendido, a investigação caminhará junto com o calendário da hipotética candidatura de Temer, pois o presidente informou aos seus aliados que decidirá apenas em meados de junho se disputará ou não a reeleição.

Até correligionários de Temer consideram sua candidatura improvável. Contudo, alheio à tese segundo a qual quem escolhe o momento exato economiza muito tempo, o presidente protela sua saída de cena. Com isso, arrisca-se a ser empurrado para fora do palco por uma eventual terceira denúncia criminal. Os investigadores pedem mais tempo para aprofundar a análise dos dados colecionados em batidas de busca e apreensão nas casas e escritórios dos investigados e na quebra dos sigilos bancários, inclusive o de Temer.

A investigação inclui uma transação imobiliária feita entre a primeira-dama Marcela Temer e José Yunes, ex-assessor da Presidêcia e amigo de Temer desde os tempos de faculdade. Vareja-se também uma reforma na casa de Maristela Temer, filha do presidente —coisa tocada com dinheiro vivo pela arquiteta Maria Rita Fratezi, mulher do coronel aposentado da PM paulista João Baptista Lima, uma espécie de ‘faz-tudo’ de Temer.

A julgar pelas apreensões de seus correligionários, Temer parece viver um paradoxo. Seus amigos mais antigos avaliam que sua candidatura não tem futuro. Mas o presidente se comporta como se não tivesse um passado. A história ensina que, em política, quem tem muitos calos não deve se meter em apertos.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Finjam que a Odebrecht não existe, pede Temer



Josias de Souza




Com o mandato pendurado num veredicto a ser proferido pelo Tribunal Superior Eleitoral, Michel Temer pediu aos ministros da Corte que julguem o processo que pode interromper sua presidência num país alternativo: o Brasil sem as doações eleitorais radioativas. Um Brasil que poderia ter sido se a Odebrecht não existisse.

Por meio dos seus advogados, Temer protocolou no TSE uma petição que sustenta, com outras palavras, a tese segundo a qual o pior cego é o que vê algum valor processual nas provas devastadoras resultantes da colaboração da Odebrecht. Alega-se que tudo o que está na cara deve ser desconsiderado.

Documento subscrito pelo advogado Luiz Fernando Casagrande Pereira recorda que, pela lei, os resultados eleitorais devem ser impugnados até 15 dias depois da diplomação dos eleitos. No caso da chapa Dilma—Temer, o prazo expirou em 1º de janeiro de 2015. Nenhum fato descoberto posteriormente poderia compor a ação.

A peça que inaugurou o processo, embora tenha sido protocolada pelo PSDB de Aécio Neves dentro do prazo legal, não fazia menção ao dinheiro sujo da Odebrecht. Portanto, a defesa de Temer exige que o julgamento ocorra num Brasil fictício onde essas doações, que somaram R$ 150 milhões, não aconteceram.

Deseja-se que as sete togas do TSE fechem os olhos para o caixa dois, a verba roubada da Petrobras, a propina em troca de uma medida provisória, a compra do tempo de televisão dos partidos, o dinheiro depositado na conta do João Santana na Suíça… Nada disso precisa ser explicado. E o assunto deve ser encerrado.

É com base nesta farsa que Temer pede a extinção da encrenca. Se houver boa vontade dos julgadores, o substituto constitucional de Dilma se dispõe a conviver até 2018 com os 27 volumes do processo, fingindo que eles não existem. Ou usando-os como base para uma mesa de centro na sala presidencial.

O dinheiro sujo que empresas como a Odebrecht transformam em doações eleitorais podem virar muitas coisas. Nos últimos 50 anos, graças à desfaçatez dos políticos e à inépcia da Justiça Eleitoral, passaram de exceção a hábito. Depois, disseminaram-se como parâmetro. Súbito, deram na Lava Jato. Temer pode chamar o descalabro do que quiser. Mas o melado continua escorrendo.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Temer, Aécio e Serra: a briga por 2018


Leandro Mazzini - Coluna Esplanada

A primeira missão do presidente Michel Temer na volta da China será apaziguar a base governista no Congresso. Tanto na Câmara quanto no Senado a chiadeira é geral: ''A fotografia é de ausência de unidade. A tarefa do presidente é construir a unidade da sua base de apoio'', avisa o senador Álvaro Dias (PV-PR) – pré-candidato ao Planalto em 2018.

O alvo, porém, é o PSDB, inseguro sobre os planos políticos de Temer para a disputa presidencial vindoura.

Há um acordo velado – e não será confirmado por nenhuma das partes tão cedo – para o PMDB apoiar Aécio Neves (PSDB) ao Planalto e indicar o vice na chapa na campanha de 2018. Porém José Serra, por ora tucano, corre por fora e as informações no ninho de que ele pode se debandar para o PMDB e se lançar candidato geram euforia.

Há um fato a se levar em conta nestas conjunturas preliminares. Michel Temer está inelegível por oito anos, declarou o TRE de São Paulo, por ter recebido doações acima do permitido, segundo prestação de conta de uma campanha.

Há dias, Temer mandou recado geral para ''quem quiser que saia da base''. Mas o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima, ameniza: ''Com certeza essa carapuça não nos cabe''.

sábado, 28 de março de 2015

Temer considera possível a redução do número de ministérios


O vice-presidente Michel Temer disse em São Paulo ontem sexta-feira (27) que a redução do número de ministérios de 39 para 20, como propõe o presidente do Senado, Renan Calheiros, é algo que já está sendo considerado dentro do próprio governo.
Segundo ele, se a presidente Dilma Rousseff concordar em reduzir o tamanho da máquina “o PMDB está disposto a conversar e entregar o que seja necessário”.

O partido do vice-presidente comanda oito ministérios e sempre é apontado pela mídia como “insaciável” em matéria de cargos, pois quanto mais tem, mais quer.

Temer disse também que, “pessoalmente”, não faz nenhuma objeção à redução do número de ministérios. Mas fez um alerta: “A questão é saber se isso vai reduzir ou não os custos (da máquina administrativa)”.

Para o chefe da Casa Civil, Aloízio Mercadante, eventual extinção de 19 ministérios teria um impacto insignificante no ajuste fiscal.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Governo em ebulição


Por Magno Martins

O pedido feito na segunda-feira de recriação do PL, liderado por Gilberto Kassab, rendeu a Aloizio Mercadante um telefonema irado de Michel Temer na noite de segunda-feira. É o PMDB o alvo principal dessa volta do PL. É com o PL que o governo pretende enfraquecer o PMDB. Temer cobrou de Mercadante, identificado pelos peemedebistas como cabeça da operação:
- Não vamos aceitar isso. Desse jeito, não dá. Vamos reagir.
E reagiram. Anteontem, Eduardo Cunha e Renan Calheiros mostraram a faca nos dentes na questão das dívidas dos estados e municípios.
Mercadante, de acordo com relatos de peemedebistas, negou tudo:
- Não temos nada a ver com isso.
Temer acreditou tanto no que ouviu quanto no Saci Pererê. As informações são de Lauro Jardim ,a revista Veja:
Por sua vez, Gilberto Kassab começou a disparar telefonemas para deputados nos últimos dias exigindo que as assinaturas para a formação do PL estejam formalizadas até sexta-feira. Com o projeto de lei que cria dificuldades para a fusão de partidos, o novo partido não poderá se juntar ao PSD de Kassab.
Esta semana, o PL protocolou pedido de registro no TSE. O partido diz ter obtido 167 627 assinaturas — 67 924 já foram consolidadas e 99 703 foram certificadas.O restante das assinaturas necessárias para atingir 484 169, o mínimo para registro do partido, ainda está sendo verificado nos Tribunais Regionais Eleitorais espalhados pelo Brasil.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

DOLEIRO FERNANDO BAIANO SE ENTREGA À POLÍCIA FEDERAL




Por Inaldo Sampaio

O doleiro Fernando Baiano, acusado na “Operação Lava Jato” de ser o “operador” do PMDB na cobrança de propina dos contratos feitos pela Petrobras, entregou-se nesta terça-feira à Polícia Federal no Paraná.

Ele era considerado “foragido” da Justiça desde a última sexta-feira (14) quando teve sua prisão preventiva decretada pelo juiz Sérgio Moro.

Durante as investigações do escândalo, delatores do esquema de corrupção afirmaram à Polícia Federal que Fernando Baiano cobrava propina em nome do PMDB, fato que foi negado categoricamente, ontem, pelo vice-presidente da República e presidente nacional do partido, Michel Temer.

Dos 25 mandados de prisão expedidos pelo juiz na última sexta-feira, dois dos quais executados em Pernambuco, somente um ainda não foi cumprido.

sábado, 10 de março de 2012

NO DIVÃ COM TEMER

      O vice Michel Temer foi escalado pela presidente Dilma para resolver a crise com o PMDB. Os senadores Eduardo Braga (AM) e Eunício Oliveira (CE) se queixaram de falta de interlocução no governo e reclamaram da concentração de poder no partido. Eunício e Braga são candidatos a suceder o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Depois de ouvi-los, anteontem, Temer almoçou com o líder no Senado, Renan Calheiros (AL) e com o presidente da sigla, Valdir Raupp (RO).

Por Ilimar Franco de O Globo.

sábado, 3 de março de 2012

"TEMER TÁ NISSO?"


O manifesto dos deputados do PMDB criticando a hegemonia petista no governo Dilma não agradou o Planalto. Um ministro do Palácio perguntava ontem, sobre o vice-presidente da República: "O (Michel) Temer está metido nisso?". Mais uma vez, ele fica exposto pela contradição entre seu papel institucional e o de comandante de fato de seu partido. O Palácio do Planalto quer que ele resolva o problema, sob pena de passar a imagem de que perdeu o controle sobre a sua tropa.

Por Ilimar Franco de O Globo