Mostrando postagens com marcador bOLSONARO; ELEIÇÕES. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador bOLSONARO; ELEIÇÕES. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Susto benéfico: Bolsonaro não tem cheque em branco

Por Magno Martins

Reviravolta é difícil, mas alta da rejeição mostra que Bolsonaro não tem cheque em branco. Número de pessoas que não votariam no candidato do PSL aumentou, superando os que votarão com certeza. E diminuiu a rejeição ao candidato petista.

Susto benéfico

Foto: tercalivre.com Foto: edmarlyra.com
O Globo - Por Merval Pereira

A manutenção de distância confortável do candidato Jair Bolsonaro a quatro dias da eleição presidencial mostra como os votos cristalizados dos dois candidatos praticamente impedem uma reviravolta na reta final, a não ser que algo inacreditável aconteça. Em vez de uma bala de prata, o PT gastou várias, e nenhuma acertou o alvo.

Mas balançaram a antes inabalável situação de Bolsonaro: o número de pessoas que não votariam nele aumentou, superando os que votarão com certeza. E diminuiu a rejeição ao candidato petista. Embora a diferença esteja na margem de erro, é uma boa nova para Haddad, oferecida pelo próprio adversário e os seus, que continuam sendo os principais adversários deles mesmos.

O suposto escândalo das mensagens inverídicas de WhatsApp, baseado em uma denúncia jornalística inepta, acabou sendo soterrado pelo próprio candidato petista Fernando Haddad, que se precipitou em divulgar uma fake news de primeira grandeza: avalizar a denúncia de que o general Mourão foi um torturador.

A denúncia fake deveu-se ao cantor Geraldo Azevedo, que disse em público, irresponsavelmente, que o General Mourão, vice de Bolsonaro, fora um de seus torturadores em 1969. O fato de o General ter apenas 16 anos na ocasião desmontou a alegação, que depois foi corrigida pelo próprio cantor.

O problema causado pela denúncia do jornal Folha de S. Paulo não justifica, porém, os arroubos retóricos de Bolsonaro em mensagem enviada aos manifestantes na Avenida Paulista, que revelam uma preocupante visão autoritária da relação de imprensa com o mandatário de um país.

O mesmo destempero que acomete o presidente Trump nos Estados Unidos – a quem Bolsonaro parece querer imitar – e o ex-presidente Lula. Os três líderes populistas aproveitam sua popularidade para incitar os militantes e apoiadores contra os órgãos de imprensa que os vigiam.

O papel da imprensa é justamente este, ser o vigia da sociedade.O presidente americano Thomas Jefferson entendeu que a imprensa, tal como o cão de guarda, deve ter liberdade para criticar e condenar, desmascarar e antagonizar.

Os petistas assumiram postura autoritária, exigindo em discursos inflamados, não apenas a anulação da eleição como a censura ao WhatsApp pelo menos até o fim do segundo turno. É inacreditável que o PT exija atitudes drásticas apenas com base em uma denúncia de jornal, sem que as autoridades abram investigações.

Até agora, os petistas desacreditavam as denúncias de jornal contra os seus, e, principalmente o ex-presidente Lula, e criticavam o que chamavam de rito sumário das decisões da Justiça na Operação Lava Jato. Anular uma eleição é decisão gravíssima que, como destacou a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, não pode ser tomada fora do tempo da Justiça “que não é o tempo da política”.

A percepção de parte da sociedade de que seu filho não tirou da cabeça a ameaça de fechar o Supremo, mas retratou um pensamento do próprio Bolsonaro, deu ares de verdade à ameaça, lastreada por pronunciamentos anteriores do candidato, igualmente destrambelhados.

O ainda candidato Bolsonaro, que acha que está com uma mão na faixa presidencial, terá que, além de fechar a boca e a de seus próximos, convencer-se de que o país não aceita um governo autoritário, nem bravatas retóricas que coloquem em risco a democracia.

Dificilmente a diferença que separa Bolsonaro de Haddad será descontada a tempo, mas a redução da distância, que deve ser confirmada ainda nesta semana pelo Datafolha, é um aviso de que o presidente, por mais votos que tenha, não tem um cheque em branco da sociedade.

Minorias: tudo é coitadismo, diz Bolsonaro

Por Magno Martins

Minorias: "Tudo é coitadismo", diz Bolsonaro sobre negros, mulheres e nordestinos.

Candidato afirma que políticas afirmativas dividem o Brasil e que bullying não tem que ser combatido por políticas públicas; ele criticou cotas para negros.

Veja - Por Estêvão Bertoni 

Jair Bolsonaro (PSL), candidato à Presidência da República (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Veja - Por Estêvão Bertoni 
O candidato à Presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro, afirmou em entrevista a uma emissora do Piauí divulgada nesta terça-feira (23) que irá acabar com o “coitadismo” do negro, da mulher, do gay e do nordestino no país. Ele havia sido questionado sobre se o combate ao preconceito poderia ser uma política de governo.

“Eu lembro do Morgan Freeman, o ator negro norte-americano. Perguntaram para ele: ‘Como combater o racismo?’ Ele falou: ‘Não tocando no assunto’. Quando eu era garoto, não tinha essa história de bullying. O gordinho dava pancada em todo mundo, hoje o gordinho chora. Acontecem brincadeiras desde criança. Elas estão ali se moldando, moldando o caráter. Você não tem que ter um política para isso. Isso não pode continuar existindo”, afirmou, em entrevista à TV Cidade Verde, afiliada do SBT no Piauí. Ele tenta conquistar eleitores no Nordeste, onde perde para Fernando Haddad (PT), seu adversário no segundo turno.

Sua fala foi gravada em sua casa, no Rio, onde Bolsonaro se recupera de uma facada na barriga. O ataque ocorreu em 6 de setembro. Ele foi liberado pelos médicos para participar de debates, mas decidiu não ir aos encontros com Haddad por estratégia política.

O capitão reformado do Exército disse, na sequência, que, no Brasil, “tudo é coitadismo”. “Coitado do negro, coitada da mulher, coitado do gay, coitado do nordestino. Coitado do piauiense. Tudo é coitadismo no Brasil, nós vamos acabar com isso”, declarou.

O candidato também foi perguntado se as políticas afirmativas reforçavam o preconceito. “Reforçam, não há a menor dúvida. Por exemplo, a política de cotas no Brasil está completamente equivocada. 70% dos afrodescendentes que entram pela política de cotas são bem de vida. Você tem que ter uma cota social, onde você inverte isso daí. Você vai atender em 70% o afrodescendente pobre”, afirmou.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Bolsonaro não receberá um cheque em branco

POR; Magno Martins

Divulgada a dez dias do segundo turno, a nova pesquisa do Datafolha deu à sucessão presidencial uma aparência de jogo jogado. O staff de Jair Bolsonaro mal consegue conter a euforia. Como sua liderança não chegou a ser colocada em xeque por Fernando Haddad, o capitão aproxima-se do Planalto como se recebesse um cheque em branco do eleitorado. Engano.

O principal atributo de campanhas como a de Bolsonaro, que irradiam um imaginário forte, é ter rompido com a situação anterior, dando a impressão de que nada será como antes. Não é pouca coisa. Foi à cova no primeiro turno aquele PSDB que se oferecia como polo de poder há seis sucessões. Vão à lona no segundo round o petismo e, sobretudo, o lulismo.

No momento, o eleitor mostra-se pago e satisfeito com a retórica de Bolsonaro, feita de probidade, segurança e prosperidade. Mas a situação é mais complexa. Tão complexa que ficou simples como o ABC. A, o programa aguado de Bolsonaro produz alta expectativa; B, a boa vontade virará cobrança em janeiro; C, a corrosão da legitimidade do eleito crescerá à medida que o eleitor for percebendo que o único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é o dicionário.

Bolsonaro coleciona no Datafolha 59% das intenções de votos válidos, contra 41% atribuídos a Haddad. O petismo já se dedica à produção de teorias para explicar a derrota. O exercício é tão inevitável quanto inútil, pois não produz a hecatombe que seria necessária para engolir até 28 de outubro os 18 pontos percentuais que separam o substituto de Lula do seu algoz.

Um detalhe potencializa o desafio de Bolsonaro. O resultado da eleição será marcado não pela preferência, mas pela rejeição do eleitorado. Subiu para 54% a taxa de eleitores que declaram que jamais votariam em Haddad. Quer dizer: o capitão será empurrado para a cadeira de presidente pela maior força política da temporada: o antipetismo.

O índice de rejeição a Bolsonaro diminuiu. Mas continua enorme: 41%. Significa dizer que não haverá na plateia muita gente com disposição para aplaudir um governo que não entregue rapidamente a mudança que prometeu.

Do ponto de vista econômico, a aura de Bolsonaro já tem dono: o liberalismo do economista Paulo Guedes. Que esbarrará no fisiologismo do Legislativo. Do ponto de vista político, seu governo precisa virar o sistema do avesso. Fácil de prometer. Difícil de executar.

Em condições normais, o eleitor talvez se esforçasse para distinguir políticos melhores e piores. Mas os gatunos ficaram ainda mais pardos depois que a Lava Jato transformou a política em mais uma ramificação do crime organizado. Depois que o governo empregocida de Dilma Rousseff foi sucedido pela cleptogestão de Michel Temer, a ideologia do eleitor tornou-se uma espécie de radicalismo retrógrado, movido a fúria, desinformação e inconsequência. Deu em Bolsonaro.

Jogando parado, Bolsonaro avisou que não irá a nenhum debate, embora os médicos o tenham liberado. Segundo o Datafolha, 73% dos eleitores avaliam que ele deveria duelar com Haddad diante das câmeras. Entretanto, 76% declaram que não cogitam modificar o voto por causa de debates. Nesse contexto, a fuga parece um grande negócio para o favorito. Mas essa percepção só é válida até certo ponto. O ponto de interrogação.

É verdade que há algo de sádico na forma como os candidatos são expostos, questionados, insultados e até ridicularizados nos debates. Neste segundo turno de 2018, a perversão ganharia nova dimensão, pois um dos contendores convalesce de duas cirurgias provocadas por uma facada.

Mas o sadismo não seria necessário apenas para o esclarecimento de eleitores que parecem dar de ombros para o contraditório. Valeria mais pela educação democrática que propiciaria a um candidato com pendores autocráticos. O mesmo Datafolha que coloca Bolsonaro a um milímetro da poltrona de presidente da República já revelou que sete em cada dez brasileiros enxergam a democracia como o melhor sistema de governo.

É mais uma evidência de que, eleito, Bolsonaro não vai dispor de um cheque em branco do eleitorado. Tiros para o alto ou murros na mesa não serão aceitáveis. O capitão terá de aprender a negociar. Algo que jamais fez nos seus quase 28 anos de Parlamento.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Bolsonaro diz que deverá participar de dois debates

Por Magno Martins 
Agencia Brasil


Utilizando as redes sociais, o candidato à Presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro, rebateu as críticas sobre sua ausência e suposta fuga dos debates com o candidato do PT, Fernando Haddad. Segundo ele, após um novo exame a que será submetido no dia 18, deverá ser liberado pelos médicos para os debates e demais atividades de campanha.

“[Para] quem acha que estou fugindo de debates, estou cuidando da minha saúde. Não adianta eu debater, ter uma recaída e voltar para o hospital”, disse o candidato, que informou estar disposto a participar de pelo menos dois debates.

A resposta foi dada durante uma entrevista ao vivo ao empresário Luciano Hang, em vídeo divulgado pelo Facebook, ao comentar a acusação de que estaria fugindo de debates. A entrevista foi ontem. Mais uma vez, o candidato reiterou sua determinação de reduzir para 15 o número de ministérios.

Também no Facebook, Bolsonaro, em sua página, postou cinco colagens, reunindo títulos e links de reportagens antigas, de 2006 e 2009, informando que os então candidatos do PT Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff não participaram de debates. A reação é uma resposta a Haddad que tem cobrado dele a participação nos eventos.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Bolsonaro ficará fora do 1º debate do 2º turno

Por Magno Martins 

O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, foi submetido a uma nova avaliação médica, na manhã de hoje, em sua casa na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Segundo o clínico cardiologista Leandro Echenique, a cirurgia completa hoje 34 dias e Bolsonaro está se recuperando, mas ainda não está liberado para fazer campanha.

"Ele perdeu 15 quilos de massa muscular e ainda está fraco. Ele precisa de uma dieta de recuperação proteica.", disse o médico, ressaltando que na próxima quinta-feira Bolsonaro deve ir ao hospital e provavelmente será liberado para campanha e debates.

Está previsto para essa semana o debate entre os presidenciáveis Fernando Haddad (PT) e Bolsonaro na TV Band. A assessoria de imprensa do candidato do PSL confirmou que ele não participará do debate desta semana.

Bolsonaro sofreu um ataque no dia 6 de setembro durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG). Adélio Bispo de Oliveira, preso for esfaquear o candidato, foi indiciado por prática de atentado pessoal por inconformismo político. Segundo a investigação da Polícia Federal, ele agiu sozinho no atentado.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Ideia fixa: segurança era preocupação de Bolsonaro

Por Magno Martins 
A preocupação de Bolsonaro com segurança era constante. Desde janeiro deste ano ele fazia algumas atividades com colete a prova de balas, armado e sempre com seguranças. Carro, só blindado. Nos últimos meses, começou a dizer a aliados que temia um atentado.

A tese de que poderia ser abatido por um desafeto político era, inclusive, um dos motivos que o presidenciável citava para andar de avião de carreira. Ele dizia que tinha medo de ser vítima de uma emboscada em aeronave particular.

Bolsonaro evitava, inclusive, consumir água e alimentos cuja a procedência não conhecesse. (Folha – Painel)