Por Inaldo Sampaio
Só o que não mudou no Brasil nos últimos 20 anos foi o modo de produzir o guia eleitoral e o debate entre os candidatos
O processo eleitoral brasileiro modernizou-se muito nos últimos anos e a prova maior disto foi a substituição das cédulas de papel por urnas eletrônicas. Votar em alguém ficou mais fácil, mais rápido, mais seguro, e o que é melhor: apura-se o resultado da eleição em poucas horas. O avanço permitiu também que os comícios fossem sendo, paulatinamente, substituídos por caminhadas e carreatas, muito mais simples, muito mais rápidas e bem mais eficazes no trabalho de conquista do voto. Só o que não mudou foi o modo de produzir o horário político do rádio e da televisão e os debates entre os candidatos para cargos executivos. Permanece a mesmice de sempre. No caso dos debates a situação ainda é mais grave porque convidam o telespectador a mudar de canal, ou mesmo a desligar a televisão, tamanha a chatice dos programas: 30 segundos para perguntar, um minuto a meio para responder. Só os militantes de carteirinha aguentam.
Tchau e bênção
O jornalista Rodolfo Gamberini (ex-TV Globo e ex-TV Cultura) foi o mediador do debate entre os presidenciáveis que a CNBB promoveu anteontem em Aparecida (SP) com transmissão ao vivo pela Rede Vida. Em 95, Gamberini aprontou uma com Miguel Arraes, então governador de Pernambuco. Perguntou-lhe se era verdade que ele intermediava a venda de petróleo para o Brasil quando estava exilado na Argélia. Arraes sentiu-se ofendido, levantou-se e foi embora.
Sampa – Sempre se disse no DF que a bancada federal pernambucana é uma das melhores do Brasil junto com a de Minas e a do Rio Grande do Sul. Nada contra a bancada de São Paulo. Mas o que dizer de um eleitorado que deve reeleger com grandes votações Tiririca (PR), Paulo Maluf (PP), Celso Russomano (PRB), Pastor Marcos Feliciano (PSC) e Baleia Rossi (PMDB)?
Rejeição – Luciana Genro (PSOL) e Eduardo Jorge (PV) dão ótimas contribuições ao debate sucessório presidencial. Mas, estranhamente, têm menos de 1% das intenções de voto.
Pânico – Instalou-se o pânico na Assembleia Legislativa depois que os “experts” passaram a declarar que com menos de 40 mil votos nenhum deputado da Frente Popular será reeleito.
Teatro – Membros da CPI da Petrobrás sabiam que Paulo Roberto Costa não abriria o bico na sessão de ontem. Mas, para fazer “jogo de cena”, decidiram convocá-lo e quebraram a cara.
Prisão – Depois do ex-deputado Bispo Rodrigues (RJ), o próximo réu do “mensalão” a ser autorizado pelo SFT a cumprir a pena em regime domiciliar é Pedro Corrêa (foto), ora recluso em Canhotinho. Pelo cálculo dos seus advogados, antes do final do ano ele deixa a cadeia.
Mudança – Não deve prosperar a ideia do vereador Felipe Francismar (PSB) de batizar a Via Mangue com o nome de Eduardo Campos porque ela já se chama Av. Celso Furtado. Pode-se e deve-se homenagear o ex-governador, mas sem cassar as homenagens já feitas a outros vultos.
Calo – Pelo Ibope, o Nordeste é o principal “calo” do candidato Aécio Neves (PSDB). Ele tem apenas 9% das intenções de voto na região apesar de ter palanques fortes no PI (governador Zé Filho), CE (Tasso Jereissati), RN (senador José Agripino), PB (senador Cássio Cunha Lima), AL (governador Teotônio Vilela), SE (ex-governador João Alves) e BA (ex-governador Paulo Souto).
Pauleira – O prefeito João Mendonça (PSD) relatou a Paulo Câmara (PSB) a pancadaria de que é vítima em Belo Jardim por parte de Mendonça Filho (DEM) e Cecílio Galvão (PTB), seus adversários no plano local. Nem na época em que seu tio, Mendonção, brigava ferozmente com o ex-deputado Cintra Galvão, pai de Cecílio, diz ele, “se fazia tantos ataques pessoais como se faz agora”.
Fonte: Blog do Inaldo Sampaio
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