Do blog do Noblat - Gabriel Garcia
Falta de habilidade política de Dilma
A presidente Dilma Rousseff nunca foi uma política habilidosa. Trata os aliados com costumeira grosseria, o que provoca diversas reações. O ex-presidente Lula, por outro lado, procura escutar os aliados, ainda que não atenda a todos os seus pedidos. Dilma, muitas vezes, nem os recebe. É uma reclamação generalizada entre os deputados e senadores da base de apoio do governo no Congresso.
Fortalecimento da oposição
Apesar da derrota do senador Aécio Neves (PSDB), a oposição foi reforçada com a eleição de Tasso Jereissati (PSDB-CE), José Serra (PSDB-SP), Antônio Anastasia (PSDB-MG) e Ronaldo Caiado (DEM-GO) para o Senado, além do próprio Aécio, Aloysio Nunes (PSDB-SP) e Alvaro Dias (PSDB-PR). Em termos de qualidade, uma bancada de dar inveja. Sem ele em campo será praticamente impossível garantir a governabilidade de Dilma.
Desidratação nas urnas
A base de apoio do governo saiu das urnas menor. O Partido dos Trabalhadores pagou caro pelo desgaste dos 12 anos no governo. A bancada caiu de 88 deputados eleitos em 2010 para 70. Foi a maior perda. Para piorar, a fragmentação partidária dificulta a tentativa de diálogo. Na Câmara, fala-se em formação de um bloco com mais de 150 deputados da base, que não aceitariam as propostas do governo sem negociá-las. Lula é visto com bons olhos pelos deputados. Dilma? Não.
Eleições de 2018
Lula movimenta-se para voltar em 2018. Só o fará se a economia estiver em boa situação, o que não ocorre atualmente. Acontece que o mercado financeiro tinha confiança na política econômica adotada no governo dele. Em relação à Dilma, chovem críticas sobre o seu estilo centralizador. Lula foi ortodoxo na condução da economia. Dilma pensa diferente dele. E age diferente.
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sexta-feira, 7 de novembro de 2014
MOTIVOS QUE FIZERAM LULA ASSUMIR A COORDENAÇÃO DE DILMA
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
DILMA E AÉCIO ESTOCARAM MATERIAL PARA DEBATE DA GLOBO
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
OU AÉCIO PARTE PARA CIMA DE DILMA OU MORRERÁ NA PRAIA
Ou ele usa o medo para responder ao medo ou acabará morrendo na praia.
| Aécio Neves (Imagem: Fernando Donasci / Agência O Globo) |
Por Ricardo Noblat
Divulgadas ontem à noite, as mais recentes pesquisas eleitorais Datafolha e Ibope trouxeram uma notícia boa e outra ruim para Aécio Neves, candidato do PSDB a presidente da República.
A boa: embora em empate técnico com Dilma, numericamente Aécio está dois pontos à frente dela.
A notícia ruim para Aécio: transcorrida uma semana do primeiro turno, ele não se mexeu. Seu índice de intenção de votos permaneceu o mesmo.
Por que seria razoável que ele tivesse aberto uma vantagem maior sobre Dilma? Porque ele só colheu boas notícias desde o fim do primeiro turno. E Dilma só colheu notícias ruins.
À exceção de Luciana Genro, do Psol, todos os candidatos a presidente derrotados no primeiro turno apoiaram Aécio. O mais importante deles: Marina Silva, votada por 21 milhões de brasileiros.
A família de Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo em 13 de agosto último, também apoiou Aécio.
Restou a Dilma desfilar na companhia de partidos e políticos que a apoiavam desde antes.
O escândalo da roubalheira na Petrobras reforçou o discurso da ética de Aécio. Para não ficar atrás, Dilma foi obrigada a desembrulhar um pacote de medidas contra a corrupção reunidas às pressas.
Sim, a pesquisa Datafolha trouxe ainda outra notícia ruim para Aécio: a rejeição a ele aumentou. Agora, 38% dos quase 10 mil eleitores entrevistados disseram que não votarão de jeito nenhum em Aécio. Eram 34% há uma semana.
A rejeição a Dilma oscilou um ponto percentual – de 43% para 42%.
Há uma semana, 22% dos entrevistados disseram que talvez votassem em Aécio. São 18% agora. Dilma ficou com o que tinha – 15%.
O Ibope quis saber como os brasileiros avaliam o governo Dilma. Os que acham o governo ótimo ou bom saltaram de 39% para 43%. Os que acham o governo ruim ou péssimo diminuíram de 27% para 25%.
Quantos aprovam a maneira de Dilma governar? Eram 49% na semana passada. São 54% agora.
O discurso do medo usado por Dilma para desconstruir Marina no primeiro turno está sendo eficiente para impedir o crescimento de Aécio no segundo turno.
Ou ele usa o medo para responder ao medo ou acabará morrendo na praia.
terça-feira, 14 de outubro de 2014
LULA ESTÁ DE SACO CHEIO. EU, TAMBÉM!
Dilma convidou Paulo Roberto para o casamento de sua filha. Não sabia que ele era ladrão?
Ricardo Noblat
Cuidado! Nada de acreditar no que disseram à Polícia Federal e à Justiça Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, e Alberto Youssef, doleiro, sobre o esquema de desvio de R$ 10 bilhões da empresa para beneficiar políticos em geral e alguns partidos em particular – PT, PMDB e PP.
Os dois podem estar mentindo.
Quando comprovada de fato, a verdade deverá ser muito pior. Duvida?
Gaba-se a presidente Dilma Rousseff – e Lula também - da liberdade com que atua a Polícia Federal.
Sempre que se descobre um novo escândalo envolvendo o PT e seus aliados mais fiéis, Dilma corre a exaltar as virtudes republicanas do seu governo e dá a entender que a Polícia Federal só procede assim porque ela deixa. Como se a Polícia Federal fosse um órgão de governo e não de Estado.
Aqui cabem pelo menos duas perguntas.
* Se é marca da Era PT o empenho dos governos em colaborar nas investigações de malfeitos por que há sete meses a Polícia Federal tenta ouvir Lula em um processo sobre restos do mensalão e simplesmente não consegue?
Lula está para ser interrogado na condição de eventual testemunha – jamais de réu. Como ex-presidente, escolherá hora e local para depor. Não o faz.
* Se Dilma repele com veemência a insinuação de que possa não se interessar pelo combate à roubalheira por que então barra qualquer iniciativa das duas CPIs da Petrobras de apurar o que se passou na empresa nos últimos 12 anos?
Só a Polícia Federal pode ser livre? “Eu sou a favor de, doa a quem doer, as pessoas têm que responder pelo que fazem, seja de que partido for”, prega Dilma. Não convence.
Arrisco-me a ser impiedoso com a presidente por entender que o jornalismo não cobra piedade de quem o exerce, mas senso de justiça.
Dilma posa de incorruptível, e deve ser. Nada se conhece que indique o contrário. Quanto a ser conivente com a corrupção...
Ela o é, assim como a maioria dos governantes por toda parte.
Paulo Roberto roubou desde que foi nomeado por Lula diretor da Petrobras. Lula ignorava o que Paulo Roberto fazia por lá a serviço do PP?
O que fazia meia dúzia de diretores nomeados também por ele a pedido do PP, PT e PMDB?
Dois anos antes de se eleger presidente, Dilma convidou Paulo Roberto para o casamento de sua filha. Não sabia que ele era ladrão?
Demitiu-o “a pedido” em 2012. Paulo Roberto deixou a Petrobras cercado de elogios. Dilma desconhecia seu prontuário?
Ora, faça-me o favor!
Na semana passada, Dilma cogitou demitir Sérgio Machado, um economista cearense que há mais de 10 anos preside a Transpetro, subsidiária da Petrobras. Paulo Roberto contou à Justiça que recebeu de Sérgio R$ 500 mil em espécie.
O padrinho de Sérgio é Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, citado por Paulo Roberto como envolvido com a corrupção na Petrobras. Além de cogitar, o que mais fez Dilma? De volta de um comício em Maceió, onde ao lado do senador Fernando Collor segurou no microfone para que discursasse Renan Filho, governador de Alagoas, Dilma esbarrou na oposição de Renan, o pai, à demissão de Sérgio. E deixou de cogitá-la.
Para demitir Sérgio seria preciso que Dilma conseguisse o afastamento de João Vaccari Neto do cargo de tesoureiro do PT, argumentou Renan. Vaccari é outro emporcalhado pela lama da Petrobras.
Lula disse que está de “saco cheio” com denúncias de corrupção contra o PT feitas às vésperas de eleições.
Eu também estou.
E você?
| O ex-presidente Lula, um pouco exaltado (Imagem: Michel Filho / Agência O Globo) |
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
DIANTE DO MUNDO, DILMA SE REVELA PROVINCIANA, ARCAICA E MÍOPE
Envergonha quem esperava dela o mínimo de grandeza
Ricardo Noblat
Por que Dilma não se fantasia de estadista e se oferece para intermediar negociações entre o mundo civilizado e os bárbaros assassinos do Estado Islâmico – aqueles que chocam o planeta ao degolarem seus prisioneiros?
Ontem, foi a vez do francês Hervé Gourdel, capturado no último domingo na Argélia por extremistas do grupo Jund al-Khilafah (soldados do Califado), vinculado ao Estado Islâmico.
A execução de Gourdel – como as anteriores - foi filmada para horror universal.
Quando Dilma decidiu comparecer à abertura de mais uma Assembléia Geral da ONU, em Nova Iorque, imaginou-se que ela tentaria se apresentar por lá como a presidente de um país importante.
A ocasião seria perfeita para que ela se debruçasse sobre os principais problemas que afligem a Humanidade, reforçando, talvez, a pretensão do Brasil de um dia vir a ser admitido como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.
Não foi o que aconteceu.
Dilma discursou como candidata a presidente do Brasil na eleição marcada para o próximo dia cinco. A tribuna da ONU serviu apenas como símbolo de poder para destacar Dilma dos seus adversários mais próximos – Marina Silva e Aécio Neves.
Ali, Dilma aproveitou para gravar mais um dos seus programas de propaganda eleitoral. Limitou-se a repetir o que tem dito à exaustão em pequenos comícios pelo Brasil a fora. Na véspera havia derrapado feio ao abordar a realidade internacional em outro discurso.
A ONU aprova o emprego da violência pelos Estados Unidos e uma coligação de países que bombardeiam áreas da Síria sob o domínio do Estado Islâmico. Não é possível contemporizar com um tipo de terror que de fato ameaça o mundo.
Dilma, porém, contemporizou. Tratou os Estados Unidos e o Estado Islâmico como partes que deveriam sentar à mesa para discutir suas divergências. Como se tudo não passasse de divergências. Como se os Estados Unidos e o Estado Islâmico se equivalessem. Como se fosse possível dialogar com cortadores de cabeças.
Fiquei envergonhado com a performance de Dilma. Acho que muita gente também ficou.
Perto do desfecho do seu atual mandato, Dilma revelou-se provinciana, arcaica e míope. Muito menor do que a cadeira que ocupa no Palácio do Planalto.
| Presidente Dilma Rousseff discursa na ONU (Imagem: Reuters) |
Fonte: Ricardo Noblat
O SACI, A MULA SEM CABEÇA E AS ESCOLAS RURAIS
Nos últimos dez anos foram fechadas mais de 8 escolas rurais por dia. Hoje são 71 mil, contra 103 mil em 2003. As explicações para o fechamento: o processo de municipalização, a expansão das áreas urbanas nos grandes centros, absorvendo zonas rurais, a redução da taxa de natalidade, e a reunião de várias unidades escolares numa única, criando as classes multisseriadas (vários alunos de séries diferentes numa mesma sala de aula).
É sabido que a grande maioria das escolas rurais não tem biblioteca, nem laboratório de informática. A formação dos professores que atuam no campo é outro desafio, não só pela falta de profissionais com nível superior, como também pela obrigação dos professores serem polivalentes. Outro problema é o do transporte escolar, difícil pela manutenção, ou mesmo pelas distancias a percorrer.
Para tentar buscar uma solução para todas estas questões, o Congresso Nacional, alterou o artigo 28 da LDB, passando a exigir que o fechamento de escolas no campo seja precedido de manifestação dos órgãos dos sistemas de ensino e da comunidade, e o PRONATEC foi estendido aos cursos agrícolas.
O Agronegócio é um dos setores fundamentais para a economia brasileira. Em 2013, representou 23% do nosso PIB e foi responsável por mais de 30% dos empregos. O resultado: uma expressiva presença na pauta de exportações, com uma receita superior a US$100 bilhões de dólares, 40% do total brasileiro.
O crescimento econômico, trazendo para as zonas rurais os processos de mecanização e novas oportunidades nos centros urbanos, incrementou as correntes migratórias para as cidades. Entre 2000 e 2010, a população rural perdeu 2 milhões de pessoas, e hoje chega a 30 milhões de brasileiros.
Ainda assim, isto é mais do que a população do Peru, ou da Venezuela. Desses 30 milhões, 6,6 milhões são crianças e jovens em idade escolar. A importância do campo para o crescimento sustentável do país torna estratégica a educação rural.
O Plano Nacional de Educação será extremamente positivo se viabilizar, numa visão sistêmica, a construção de uma base curricular nacional, determinante para a correção das desigualdades, uma infraestrutura de boa qualidade, a oferta de ensino presencial e a distância, respeitando especificidades do meio rural quanto aos horários e ao calendário escolar, e se criar políticas de incentivo para os professores que atuam no campo. Se tal não ocorrer, assim como o saci e a mula sem cabeça, a escola rural passará a fazer parte das lendas da roça, que ouvíamos embevecidos de nossos avós.
| As lendas e mitos do folclore brasileiro (Imagem: Arquivo Google) |
Fonte: Blog do Ricardo Noblat
VOCÊ VIU LULA POR AÍ? SÓ A POLÍCIA FEDERAL FINGE QUE NÃO VÊ
O que é mais difícil?
Localizar Edison Lobão, ministro das Minas e Energia, desaparecido desde que Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, há mais de um mês, citou seu nome como envolvido no escândalo que abala a empresa e o governo?
Ou localizar Lula, que mora em São Bernardo do Campo, São Paulo, e tem sido visto com frequência em compromissos das campanhas de Dilma Rousseff, candidata à reeleição, e de Alexandre Padilha, candidato ao governo paulista?
Depende de quem esteja à caça de Lobão e de Lula. À caça de Lobão ninguém está – a não ser, talvez, algum jornalista curioso. E ainda assim por sua conta e risco – não por encomenda da empresa onde trabalha.
À caça de Lula deveria estar a Polícia Federal. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, ela tenta ouvir Lula há sete meses sobre confissões feitas por Marcos Valério, um dos operadores do esquema do mensalão, preso e condenado a mais de 40 anos de cadeiaa.
Valério acusa Lula de juntamente com o ex-ministro José Dirceu ter tramado a doação ilegal de dinheiro ao PT pela Portugal Telecom. O ex-ministro Antonio Palocci, da Fazenda, já foi ouvido a respeito pela Polícia Federal. Negou tudo, naturalmente. E Lula?
Ora, pois sim. Lula sabe que a Polícia Federal quer ouvi-lo. A Polícia Federal sabe que Lula sabe. Mas não o intima – como faria com qualquer mortal comum. Espera que Lula, um dia, admita depor. E a procure.
Isso tem nome. Para dizer o mínimo, negligência, da parte da Polícia Federal. Ou cumplicidade.
PS: Lula esteve, ontem a noite, a partir das 19h, na Praça da Bíblia - QNP 17, P Norte, Ceilândia, cidade satélite de Brasília.
| Luiz Inácio Lula da Silva (Imagem: Arquivo Google) |
Fonte: Blog do Ricardo Noblat
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
O MOMENTO EXIGE VALORES E PRÁTICAS NOVAS, POR ELTON SIMÕES
Embora compreensível, o argumento não deixa de ser estranho. Confunde definições. Instituições não são prédios, organizações ou outras manifestações físicas. São, na verdade, abstratas.
Instituições são organizações ou mecanismos sociais, abstratos ou concretos, que controlam o funcionamento da sociedade e, por conseguinte, dos indivíduos. Refletem experiências quantitativas e qualitativas dos processos socioeconômicos.
Instituições são organizadas sob o escopo de regras e normas, sejam elas leis ou não. Em tese, elas dão ordem à maneira como indivíduos interagem baseados em crenças sobre as quais haja consenso.
Em outras palavras, as instituições têm como objetivo fazer um indivíduo tornar-se membro da sociedade, determinando quais os comportamentos aceitáveis ou não. Elas nada mais são que um feixe de crenças sobre as quais a sociedade concorda implícita ou explicitamente.
Portanto, talvez o problema não seja a fraqueza das instituições. Talvez a questão de fundo seja justamente o contrario. Talvez exista um consenso coletivo, inconsciente ou não, que facilite, promova ou torne aceitáveis, ações e comportamentos cujos resultados não sejam a justiça social ou mesmo qualquer forma de melhoria coletiva.
Desta maneira, não é a falta de valores que traz os dissabores atuais. É, talvez, a crença ou aceitação de valores socialmente indesejáveis, e a tolerância com as ações por eles justificadas. Por isso é tão fácil e frequente a explicação e aceitação de condutas indesejáveis com base no argumento de que todo mundo faz igual.
Antes de se pensar na reforma dos prédios, e em qualquer outra manifestação física das instituições, talvez seja o caso de promover novo consenso sobre o que é ou não aceitável na conduta individual e coletiva. E agir de acordo com estes novos consensos.
Está claro que o conjunto de valores e crenças existentes não está funcionando em beneficio da maior parte das pessoas. O momento grita, implora e suplica por novos valores, novas crenças, novas práticas.
Com novos valores, brotarão, certamente, instituições melhores. E, esperemos, igualmente fortes.
| Elton Simões mora no Canadá. Formado em Direito (PUC); Administração de Empresas (FGV); MBA (INSEAD), com Mestrado em Resolução de Conflitos (University of Victoria). E-mail: esimoes@uvic.ca
Fonte: Blog do Ricardo Noblat
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O ELEITOR E O 'ROUBA MAS FAZ'
Judivan Vieira, O Globo
Peter Esaiasson e Jordi Muñoz, da Universidade Pública de Gotemburgo, realizaram estudo sobre os efeitos do “rouba, mas faz” na Suécia e na Espanha, comparando a percepção da população sobre a competência dos políticos que agem assim.
Em 2007 tomaram como piloto o município valenciano de Vall d’Alba, no qual o prefeito Francisco Martínez estava envolvido em escândalo de corrupção por desviar a finalidade de 13 propriedades imobiliárias.
Após modificar a qualificação de solo agrícola para residencial e industrial, vendeu algumas propriedade por altas somas. Sob desconfiança de que tirava proveito pessoal do mandato, atraiu investimentos e captou dinheiro para o município.
Construiu escola, centro médico, capela, uma área industrial, piscina pública, centro de atenção ao idoso, uma nova delegacia de polícia e arena de touradas, reelegendo-se com 71% dos votos.
O trabalho de Esaiasson e Muñoz investiga por que os eleitores frequentemente perdoam políticos corruptos e a resposta dada que diz que tal ocorre porque eles são eficientes.
Na literatura científica esta resposta está ligada à hipótese “competência-corrupção trade-off" ou “Competência versus corrupção: um caso de voto em político corrupto em razão de sua competência”, estudo realizado por Barry S. Rundquist na década de 1970, que nada mais é que a encarnação do ditado latino-americano roba pero hace e o he steals but he delivers, ou seja, rouba, mas faz, tão popular no Brasil.
A pesquisa, de forma surpreendente, assinala a preferência dos cidadãos por políticos de alto desempenho, ainda que sejam corruptos, tanto na Suécia quanto na Espanha.
Em 2013, os pesquisadores Marko Klasjna e Joshua Tucker, trabalhando sobre a mesma hipótese na Suécia e na Moldávia (de alta corrupção), constataram que os eleitores moldavos estavam dispostos a apoiar políticos corruptos quando as condições econômicas lhes favorecessem. Em outras palavras os moldavos aceitam bem o “rouba, mas faz”.
Os estudos apontam para a ideia de que os cidadãos que assimilam a ideia, do ponto de vista psicológico reduzem a tensão associada ao votar em político corrupto, desde que ele seja eficiente.
Em tais casos, quando confrontados com o fato de seus candidatos haverem praticado corrupção, minimizam o fato ao argumento de que ele é competente.
Ainda em 2013 os pesquisadores Matthew S. Winters e Rebecca Weitz-Shapiro, em estudo feito no Brasil, por eles considerado um contexto de alta corrupção, não conseguiram corroborar a hipótese, apesar do experimento cuidadosamente projetado.
Encontraram pouca evidência de que os eleitores brasileiros estão dispostos a aceitar o “rouba, mas faz” quando fornecidas informações específicas e acessíveis sobre o comportamento corrupto dos candidatos.
A surpresa maior dos pesquisadores foi notar que, mesmo entre os brasileiros das classes econômicas mais baixas, a tolerância não encontra mais o fervor de anos atrás. Será?
Judivan Vieira é procurador federal.
Fonte: Blog do Ricardo Noblat
domingo, 21 de setembro de 2014
O TAMANHO DO PRÉ-SAL
Cristovam Buarque
Mito, contudo, é a afirmação de que o pré-sal mudará a realidade brasileira.
Se tudo der certo, em 2036 a receita líquida prevista do setor petrolífero corresponderá a R$ 100 bilhões, aproximadamente R$ 448 por brasileiro, quando a renda per capita será de R$ 27,8 mil, estimando crescimento de 2% ao ano para o PIB. Apesar da dimensão da sua riqueza, o pré-sal não terá o impacto que o governo tenta passar. Explorá-lo é correto, concentrar sua receita na educação é ainda mais correto, mas é indecente usar o pré-sal como uma ilusão para enganar a Nação e como mecanismo para justificar o adiamento de investimentos em educação.
O Brasil não cabe dentro de um poço de petróleo, nem deve esperar por ele.
Mito também é a afirmação de que a educação brasileira será universalizada e dará um salto de qualidade graças ao pré-sal. Em 2030, uma educação de qualidade universal custará cerca de R$ 511 bilhões, para o custo aluno ano de R$ 9.500. Se tudo der certo, a totalidade dos recursos do setor petrolífero destinado à educação corresponderá a R$ 37 bilhões, apenas 7,2% do necessário.
Também é um mito dizer que o atual governo teve a iniciativa da proposta de investir 75% dos royalties do petróleo em educação. A partir do momento da descoberta do pré-sal, 44 projetos de lei foram apresentados na Câmara e no Senado.
Mas foi com a aprovação do substitutivo PLC 41/2013 ao PL 323/2007, do deputado Brizola Neto, em 14/8/2013, após parecer favorável do deputado André Figueiredo (PDT-CE), que se determinou o destino de 100% dos royalties para a educação e a saúde. As atas mostram que os líderes da base de apoio ao governo tentaram impedir a aprovação, mas foram derrotados no voto.
Além de não destinar à educação os R$ 15 bilhões dos Bônus de Assinatura do Leilão do Campo de Libra, os recursos dos royalties não estão sendo aplicados. Até 28 de agosto, um ano depois da sanção da lei, apenas R$ 912 milhões foram efetivamente transferidos para o Ministério da Educação, ou seja, somente 13,5% do valor de R$ 4,2 bilhões previstos pela Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2014.
Enquanto o mundo vive uma revolução no conhecimento, estamos ficando para trás, eufóricos com a promessa de mudar nossa triste realidade educacional no futuro distante, com base em um recurso ainda na profundidade de sete mil metros que não será suficiente. E o pouco prometido não está sendo cumprido.
| Manifestação sobre os royalties do pré-sal |
Cristovam Buarque é professor da UnB e senador pelo PDT-D
Fonte: Blog do Ricardo Noblat
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quinta-feira, 18 de setembro de 2014
MARINA: 'POLÍCIA FEDERAL PERDEU AUTONOMIA NO GOVERNO DILMA'
Presidenciável do PSB voltou a afirmar que vai manter direitos trabalhistas conquistados e que Dilma deve explicar uso de recursos do BNDES para 'meia dúzia de empresários'
Marcela Mattos e Daniel Haidar
| Marina Silva concede entrevista coletiva a imprensa nacional e internacional no Rio de Janeiro (RJ) - 17/09/2014(Vagner Campos/Divulgação) |
A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, afirmou durante um “face to face” – conversa em vídeo na qual os usuários do Facebook enviam suas perguntas – que a Polícia Federal passa por um processo de “desconstrução” no governo Dilma Rousseff. “Milhares de agentes saíram da PF nos últimos anos em função de desajuste e da perda de autonomia do trabalho”, disse a presidenciável.
A declaração mira em um dos principais argumentos da candidata-presidente, segundo quem a PF tem total liberdade e, ao contrário de gestões anteriores, não empurra denúncias para “debaixo do tapete”. Marina continuou: “Vamos continuar trabalhando para que se tenha a autonomia e isenção necessárias para o combate ao tráfico de drogas e de armas, a investigação dos casos de corrupção e ajudar a combater vários casos de crimes ambientais”.
Petrobras – Mais cedo, Marina Silva afirmou que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso por capitanear um megaesquema de corrupção na estatal, era “funcionário de confiança” da presidente-candidata Dilma Rousseff. Ela citou o delator como exemplo da “governabilidade” do PT e do PSDB.
“Não vou aceitar a lógica que está sendo imposta há 20 anos pelo PT e pelo PSDB, de que composições são feitas de forma pragmática, com base em distribuição de pedaços do Estado. A escolha do senhor Paulo Roberto Costa, que estava há doze anos como funcionário de confiança do governo de Dilma, é resultado dessa governabilidade que as pessoas estão reivindicando que não pode mudar”, afirmou a presidenciável em entrevista a jornalistas em um hotel de Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro.
Marina reage com cada vez mais veemência contra críticas de Dilma. Desta vez, afirmou que não vai admitir que "fofocas e mentiras" pautem o debate de propostas. Depois de Dilma ensaiar uma resposta à promessa de reforma trabalhista feita por Marina, a pessebista reafirmou que conquistas dos trabalhadores, como 13º salário, férias e hora extra devem ser respeitadas. Dilma tinha afirmado mais cedo, em uma versão do discurso do medo que pontua sua campanha, que “décimo terceiro, férias e hora extra não se mudam nem que a vaca tussa”. Marina respondeu: “a defesa dos interesses dos trabalhadores é sagrada para nós”.
Marina também voltou a provocar Dilma, para que explique “por que colocou no seu governo 500 bilhões de reais para meia dúzia de empresários usando recursos do BNDES, que equivalem a 24 anos de Bolsa Família”.
Fonte: Blog do Ricardo Noblat
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
MARINA APANHA, MAS DILMA É QUEM CAI, POR RICARDO NOBLAT
Espantosa a capacidade de resistência de Marina Silva à pancadaria, a se levar em conta os resultados da mais recente pesquisa IBOPE divulgada pelo Jornal Nacional. Pela lógica, ela deveria estar caindo. E Dilma avançando. Mas eleição não é razão – é emoção. Ganha quem erra menos. E Marina tem errado pouco.
É esmagadora a vantagem que Dilma tem em relação aos seus adversários no tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. São 12 minutos contra seis de Aécio e dois de Marina. Por ora, a vantagem de pouco tem adiantado. Dilma não emociona ninguém. É razão pura. E seus programas de propaganda refletem o que ela é. Não poderia ser diferente.
O marketing político de Dilma apostou na desconstrução da imagem de Marina. Há mais de 20 dias que Marina apanha dia e noite. Contra ela foram assacadas até aqui as mentiras mais corrosivas. Do tipo: “Vai acabar com O Bolsa Família e o Mais Médicos. Marina está a serviço dos banqueiros”. Algum efeito a desconstrução produziu. Não o suficiente para desidratar Marina
Jamais neste país um candidato a presidente contou com a gigantesca coligação de partidos montada para reeleger Dilma. No Rio, por exemplo, todos os candidatos ao governo fazem parte da coligação de Dilma. Em São Paulo, nenhum candidato ao governo apoia Marina. Em Minas Gerais, o que apoia tem menos de 5% das intenções de voto. Tudo isso não basta.
Dilma não é querida. Nem admirada. É temida por seus maus modos. Por isso mesmo, entre seus aliados, é forte, embora discreta, a torcida para que ela perca. Pela primeira vez, na série de pesquisas do IBOPE, Dilma caiu na simulação de primeiro e de segundo turno. O governo de Dilma está destinado a passar à História como um governo medíocre.
O que ainda não se sabe é se ele marcará o desfecho do período de 12 anos do PT no poder.
| Dilma Rousseff e Marina Silva |
Fonte: Blog do Ricardo Noblat
IBOPE: DILMA TEM 36%, MARINA 30% E AÉCIO 19%
Gabriel Garcia
Nova pesquisa Ibope para presidente da República, divulgada nesta terça-feira (16), dá fôlego ao candidato Aécio Neves (PSDB), ainda em terceiro nas pesquisas. Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, está à frente com 36% das intenções de voto no primeiro turno, seguida por Marina Silva (PSB), com 30%, e Aécio, com 19%.
A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal Estado de S.Paulo.
Na semana passada, o Ibope apontava, em sondagem pedida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a presidente com 39%, Marina com 31% e Aécio, com 15%. Pastor Everaldo (PSC) estava com 1%, enquanto os demais candidatos somados tinham menos de 1%.
Na simulação de segundo turno, continua o quadro de empate técnico, com ligeira vantagem numérica para Marina, que tem 43% contra 40% de Dilma – era 43% a 42% na semana passada, para a ex-senadora.
Em eventual disputa entre Dilma e Aécio, a petista ganharia por 44% a 37% - na semana passada o placar era 48% a 35%.
Quando a disputa é com Aécio, Marina venceria por 48% a 30% - era 51% a 27% na última sondagem.
A Taxa de indecisos é de 6% (era 5%). Número de branco e nulo soma 7%, tal índice era de 8% no último levantamento.
Em relação ao índice de rejeição, 32% disseram que não votariam de jeito nenhum em Dilma. Segundo o levantamento, 19% não votariam em Aécio. A rejeição de Marina é de 14%.
O Ibope ouviu 3.010 eleitores em 204 municípios do país entre os dias 13 e 15 de setembro. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais.
| Dilma Rousseff, Marina Silva e Aécio Neves - Foto: Divulgação |
Fonte: Blog do Ricardo Noblat
terça-feira, 16 de setembro de 2014
A FORÇA DO MITO, PAULO GUEDES
Paulo Guedes, O Globo
O novo mito Marina Silva é mais forte do que pensava o establishment. Suas intenções de voto resistem ao desesperado bombardeio dos candidatos ameaçados pelas urnas por sua complacência com as práticas da “velha política”.
A frágil seringueira que venceu as terríveis doenças de uma infância pobre e desmarcou na véspera um embarque no voo da morte tornou-se o veículo da indignação com a roubalheira na política e marcha predestinada rumo à Presidência da República. Este é o enredo em configuração.
“Os partidos perderam o vínculo com a sociedade. Não consigo imaginar que as pessoas possam confiar em um partido que coloca por 12 anos um diretor para assaltar os cofres da Petrobras. Querem que os partidos continuem fazendo do mesmo jeito? Prefiro acreditar que podemos começar um novo caminho”, diz a mensageira da “nova política” em sabatina promovida por O GLOBO.
“Em todos os partidos tem gente corrupta. Nós não empurramos a corrupção para debaixo do tapete. Nem engavetamos processos como era feito”, responde Dilma Rousseff também na sabatina.
Os militares no Antigo Regime e a social-democracia hegemônica desde a redemocratização empurraram os gastos públicos de menos de 20% para quase 40% do Produto Interno Bruto brasileiro. A corrupção sistêmica tem aqui suas raízes profundas.
Envergonhou os militares, devastou a “direita” fisiológica e desmoralizou a social-democracia, atingindo sucessivamente os grandes partidos de “esquerda” — PMDB, PSDB e PT —, que se revezam no poder há sete mandatos presidenciais, com uma breve interrupção de um “direitista” emparedado pelo impeachment. A perda de governabilidade por Collor teria sido por “corrupção de direita” ou por “corrupção não compartilhada”?
Não sabemos exatamente como será a “nova política”. Mas conhecemos o suficiente das práticas degeneradas da “velha política” para rejeitá-las. Sustentação parlamentar não pode ser sinônimo da compra de votos pelo Executivo no Congresso.
A falta de aprofundamento dessa questão nos debates eleitorais deixou para Marina o simbolismo das mudanças e, para os demais, a pecha de complacentes com o status quo. A reforma política não é apenas uma exigência moral. É também uma necessidade para tornar funcional nossa democracia representativa.
| Marina Silva, candidata á presidência pela PSB - Foto: André Coelho / Agência O Globo |
Fonte: Blog do Ricardo Noblat
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
MARINA, POR LUIS FERNANDO VERÍSSIMO
Mulher, negra, com uma história pessoal de superação da sua origem mais admirável até do que a do Lula, ela seria, no governo, no mínimo uma curiosidade internacional, e talvez uma surpresa.
Acho difícil que sobreviva a todas as suas contradições e chegue lá, mas no Brasil, decididamente, você nunca pode dizer que já viu tudo. Temos uma certa volúpia pelo excêntrico.
A influência da religião numa hipotética administração Marina é discutível. Não se imagina que o bispo Malafaia e outros bispos evangélicos teriam o mesmo poder no governo que tiveram sobre a redação dos princípios da candidata, obrigada a mudar alguns para não desagradá-los.
E o que significaria termos um governo evangélico em vez de um governo católico ou umbandista? Obscurantismo por obscurantismo, daria no mesmo. Outra excentricidade do momento — sob a rubrica “Só no Brasil” — é o fato de a candidata mais revolucionária nestas eleições ser ao mesmo tempo a mais conservadora.
A aprovação quase universal do casamento gay está tornando esta questão obsoleta, para não dizer aborrecida, mas outras questões em choque com princípios religiosos, como a da liberação do aborto e a pesquisa com células-tronco, afetam a vida e a morte de milhões de pessoas.
É impossível saber quantas mulheres já morreram em abortos clandestinos por culpa direta da proibição do uso de preservativos pelo Vaticano, por exemplo.
Não faz a menor diferença para mim, para você e para o nosso cotidiano se Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo porque nem Ele era de ferro, ou se a humanidade descende de macacos.
Eu mesmo adotei uma crença mista a respeito: acredito que todos os antepassados da nossa espécie eram filhos de macacos menos os meus, que foram adotados. Mas a oposição à pesquisa com células-tronco que pode levar à cura de várias doenças hoje mortais não é brincadeira. É criminosa.
Acho a Marina uma mulher extraordinária. Mas, como alguém que está na fila para receber os eventuais benefícios de pesquisas com células-tronco, voto no meu coração.
| Jânio Quadros, 21-08-1981 - Foto: Oswald Jurno / AE |
Luis Fernando Veríssimo é escritor.
Fonte: Blog do Ricardo Noblat
domingo, 14 de setembro de 2014
QUEM ASSAVA CARNEIROS PARA DILMA, POR RICARDO NOBLAT
Na campanha eleitoral de 2006, o petista Jorge Lorenzetti, um dos acusados do escândalo do dossiê dos aloprados, era mais conhecido como churrasqueiro das festas de Lula.
Marina Silva é vegetariana. Caso se eleja presidente da república, será prudente que escolha bem quem cozinhará seus aspargos.
Fonte: Blog do Ricardo Noblat
PT QUER PSDB NEUTRO, POR ILIMAR FRANCO
Ilimar Franco, O Globo
Fonte: Blog do Ricardo Noblat
sábado, 13 de setembro de 2014
A MORAL E AS URNAS
Ruy Fabiano
Há ainda a esperança der que na quarta-feira próxima, na CPMI da Petrobras, ele acrescente mais revelações. Mas o procurador da República, Rodrigo Janot, não só já avisou que não revelará o depoimento de Costa, como é contrário à sua ida à CPMI. Um procurador, enfim, que não procura nada.
Costa, funcionário de carreira da Petrobras, ascendeu, no período Lula, à cúpula da estatal. Ocupou a diretoria de Refinaria e Abastecimento, cujos cofres passou a violar, seguindo as orientações da cúpula política do PT, providenciando propinas de negociatas bilionárias, que abasteciam os cofres dos aliados.
Foi o Marcos Valério do Petrolão. O dinheiro comprava lideranças políticas dos partidos aliados, para garantir a maioria governista no Congresso. Mensalão 2, como disse Aécio Neves.
Em seu depoimento, Costa garantiu que Lula sabia de tudo e despachava frequentemente com ele. Dilma foi, nesse período – que durou de 2003 até 2012 – ministra de Minas e Energia, presidente do Conselho da Petrobras e presidente da República. Não sabia de nada, como seu antecessor. Mensalão 2, mais uma vez.
O que até aqui se sabe é pouco. Presume-se que o que vazou corresponda ao que se pode provar, já que delação premiada só funciona na medida em que o delator forneça indícios concretos do que diz. Caso contrário, não recebe os benefícios. Há, portanto, muito mais, ainda por se conhecer.
Porém, o que já se sabe seria suficiente, num país normal, para causar um abalo sísmico na campanha. Não causou. Dilma, ao contrário, recuperou alguns votos e persiste na liderança. Seus antagonistas não têm sido brilhantes em dimensionar o delito em pauta, já que o público não demonstra o espanto que se esperava.
Abstenho-me de me aprofundar nos crimes revelados, que já consumiram páginas e páginas de jornais e revistas, que poucos leem. Intriga-me a indiferença do público. Se a Justiça Eleitoral não tivesse impugnado a candidatura de José Roberto Arruda, ele provavelmente seria o próximo governador de Brasília.
As denúncias sobre seu passado recente – inclusive o de ter sido apeado do governo que agora queria reocupar – estão na memória de todos. Não obstante, era o favorito. “Rouba, mas faz”, dizem seus eleitores. Os de Dilma dirão o quê?
Quando Lula foi reeleito, em pleno vendaval do Mensalão, a economia ia bem, o crédito bombava e as bolsas sociais exerciam seu efeito anestésico sobre a população mais carente. Essa circunstância sobrepôs-se ao ambiente de degradação moral exposto pelo Mensalão. Prevaleceu o bolso.
Agora, porém, a economia vai mal, a inflação voltou, o crédito está inacessível e, mesmo assim, as denúncias não colam. O que parece ocorrer é o descrédito geral em relação ao que vem do meio político. Os escândalos banalizaram-se.
Fazem parte do roteiro. Há aí uma tese sociológica a aprofundar – e que, por óbvio, não cabe num artigo, nem cabe a um jornalista. O povo não toma mais conhecimento de escândalos e prefere votar em quem lhes concede benefícios, ainda que parcos, como o Bolsa-Família. Não quer trocar o “certo” pelo duvidoso – e duvidoso tornou-se tudo aquilo que os políticos lhe prometem e não tem curso consagrado na vida real.
Marina e Aécio são promessas – e o povo, ao que parece, já não acredita em promessas de políticos. Dilma é ruim, mas já é conhecida. Esse o ponto de vista que se capta em conversas com motoristas de táxi, ambulantes e pessoas que descreem do futuro e preferem raciocinar tendo em vista o dia a dia.
Não há sentimento moral – pelo menos não se aplica às eleições. Como mudar isso? Insistindo, apesar de todos os pesares, na educação política do povo. Mas quem quer isso? O apelo a temas de natureza religiosa, comum nesses momentos, não é gratuito: parece ser o ponto vulnerável dos petistas.
E há aí um paradoxo: o mesmo povo, insensível aos desmandos dos políticos, comove-se com temas religiosos, cuja essência é de ordem essencialmente moral.
Aborto, casamento gay, legalização das drogas, nada disso depende diretamente do presidente da República. São causas que se resolvem no Congresso – e, portanto, deveriam estar sendo dirigidas aos candidatos ao Legislativo. Mas ninguém se preocupa com eles, nem eles têm tempo (ou qualificação) para explicar o que quer que seja. Dispõem de segundos no horário eleitoral.
O voto acaba sendo decidido por questões de profunda subjetividade, decorrentes da empatia que cada candidato transmite ao eleitor. Programas, projetos, compromissos passam ao largo. Essa, por enquanto, é a democracia que temos, sólida e perfumada como um flactus.
| Rodrigo Janot, procurador-geral da República - Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil |
Ruy Fabiano é jornalista.
Fonte: Blog do Ricardo Noblat
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
CAETANO VELOSO SAI EM DEFESA DE MARINA SILVA
"As maluquices crescem e proliferam em reação à força eleitoral de Marina.
Rogério César de Cerqueira Leite repete que ela é criacionista, sem que ela nada tenha dito que justificasse tal conclusão.
Os católicos também seguem a Bíblia e nem por isso se diz que Frei Beto ou Gilberto Carvalho são criacionistas ou que afirmam que o mundo foi criado há poucos milênios.
Mesmo de pessoas mais sensatas li textos que tomam Marina como risco de fundamentalismo. Mas como? Uma mulher que tem, com mais clareza e firmeza do que todos os outros postulantes, falado sobre o sentido do Estado laico!
Uma carreira política em que se vêem as discussões que se passam na mente da militante, da vereadora, da ministra, da senadora, da candidata - sem que se perca a certeza da coerência íntima da pessoa!
Faz sentido querer-se reafirmar a gratidão pelos conseguimentos do PT no poder; também é certo ter esperanças na sensatez do cadidato do PSDB, com o economista indicado para a pasta da Fazenda apresentando, em entrevistas, planos sensatos de superação do que parece ser o beco-sem-saída em que entrou a política econômica petista.
Mas nada disso dá o direito a ninguém de desconsiderar a seriedade com que Marina se comporta sempre - e desde sempre.
Marina não é nada de Collor nem nada de Jânio. Marina é o esboço de um novo Lula. É o organismo Brasil movendo-se internamente para metabolizar novos conteúdos. Esses novos conteúdos têm relação com os velhos - às vezes sentidos como eternos - problemas brasileiros: a desigualdade, a sociedade hierárquica, o atraso.
Entendo a reação de Jean Willys ao recuo, no programa de Marina, quanto a temas cruciais dos grupos LGBT. Sempre me senti mais identificado com os gays do que com os caretas. Mas nem de longe isso me abala em minha decisão de votar em Marina.
Os recuos no seu programa não a colocam em posição menos progressista do que a de seus oponentes. E Marina é tão maior promessa! Por que não ter coragem de apostar nela?
Se eu pudesse influir, diria: VOTE EM MARINA. VOTE EM FREIXO. VOTE EM JEAN WILLYS.”
| Marina e Caetano |
Fonte: Blog do Ricardo Noblat
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
DATAFOLHA: CINCO LIÇÕES A TIRAR DA NOVA PESQUISA PARA PRESIDENTE
Lições a serem extraídas dos números da mais recente pesquisa de intenção de votos para presidente da República do Instituto Datafolha, divulgados ontem, pelo Jornal Nacional:
1 - Espantosa a resistência da candidata Marina Silva (PSB). Ela sobrevive sem grandes escoriações à pancadaria que lhe movem Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). De resto, Marina tem sido alvo de críticas da imprensa.
2 - Se bem aplicada, pancadaria produz efeitos. Embora tenha oscilado apenas dentro da margem de erro em relação à pesquisa Datafolha anterior, Marina já teve 10 pontos percentuais na frente de Dilma na simulação de segundo turno. Sua vantagem caiu para quatro pontos percentuais.
3 - A rejeição de Marina passou de 11% em meados de agosto último para 18%. A de Dilma, de 34% para 33%.
4 - Salvo se o acaso fizer uma surpresa, só restará a Aécio apoiar Marina no segundo turno. A intenção de votos dele caiu de 20% em meados de agosto para 15%. A rejeição aumentou de 18% para 23%.
5 - A Dilma não resta outro caminho que não seja o de continuar espancando Marina no horário de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Precisa ultrapassá-la nas intenções de voto do primeiro turno, se possível, abrindo uma vantagem confortável. No momento as duas estão em empate técnico. E Dilma precisa aumentar a taxa de rejeição de Marina. Cabe a Marina se segurar onde está para, aí, sim, no segundo turno, com tempo de propaganda igual ao de Dilma, enfrentá-la em melhores condições.
| Dilma Rousseff e Marina Silva |
Fonte: Blog do Ricardo Noblat
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