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quinta-feira, 2 de julho de 2015

Lava Jato prende mais um ex-Petrobras: Jorge Zelada



Foi deflagrada, na manhã desta quinta-feira, a décima-quinta fase da Operação Lava Jato, conduzida pelo juiz Sergio Moro; desta vez, foi preso Jorge Zelada, ex-diretor da área internacional da Petrobras; foram cumpridos cinco mandados judiciais; destes, quatro são de busca e apreensão e um, o de Zelada, é de prisão preventiva; Lava Jato já havia prendido três ex-diretores da estatal: Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e Renato Duque; nova fase foi batizada de 'Conexão Mônaco'.
 
Do Portal Brasil 247

sexta-feira, 26 de junho de 2015

PF: empresário bancou até resort para Pimentel


Josias de Souza



Subordinada ao ministro petista José Eduardo Cardozo (Justiça), a Polícia Federal guerreia contra mais um nomão do PT: o governador mineiro Fernando Pimentel, amigo de Dilma Rousseff dos tempos de guerrilha.

Pimentel sustenta que a PF exorbita para constranger Minas Gerais. Porém, o ministro Herman Benjamin, do STJ, avaliou que os indícios colecionados contra o recém-eleito governador de Minas são fortes o bastante para justificar a abertura de um inquérito. Inquérito contra Pimentel, não contra Minas..

A PF suspeita que Pimentel e a mulher dele, Carolina de Oliveira Pereira, fizeram um passeio pelo Código Penal. Apura-se, por ora, a prática de três crimes: corrupção, lavagem de dinheiro e participação numa organização criminosa encabeçada pelo empresário Benedito Oliveira.

Benedito pagou até resort para o casal Pimentel-Carolina, sustenta a PF. Ao custo de R$ 12,127,50, hospedou-os por dois dias no resort Kiaroa, na praia baiana de Maraú. Coisa fina.

A polícia comandada pelo companheiro Cardozo diz que, além da estadia, Benedito bancou o deslocamento em jato particular. Tudo isso na época em que Pimentel ainda era ministro do Desenvolvimento.

A verba do resort vira dinheiro de troco perto das cifras que a PF diz que foram borrifadas na caixa registradora de uma empresa da mulher de Pimentel: R$ 3,6 milhões entre 2012 e 2014. Verbas provenientes de empresas enganchadas na carteira de crédito do bom e velho BNDES.

terça-feira, 16 de junho de 2015

POLICIA FEDERAL VAI COMEÇAR A INVESTIGAR BRUNO ARAUJO


PF acha planilhas com nomes de políticos e valores na sede de empreiteira.



O deputado pernambucano Bruno Araujo

tem seu nome na lista apreendida pela

Polícia Federal










Planilhas apreendidas pela Polícia Federal na sede da empreiteira Camargo Correa, em São Paulo, contêm nomes de políticos como o vice-presidente Michel Temer (PMDB) ao lado de valores em dólares e de obras de infraestrutura estimadas também na moeda estrangeira.

São feitas duas menções ao nome de Temer no documento, cada uma seguida pelo valor de US$ 40 mil. Por meio de sua assessoria de imprensa, Temer negou qualquer vínculo com a empreiteira. Segundo a assessoria do vice-presidente, ele nunca recebeu recursos da Camargo Corrêa “a qualquer título”.

Ainda de acordo com os assessores do vice-presidente, Temer nunca destinou emendas para obras em Araçatuba e nem para obras rodoviárias em Praia Grande.

Araçatuba e Praia Grande, municípios paulistas, são cidades que aparecem ao lado do nome do vice presidente nas planilhas apreendidas pela Polícia Federal na sede da empreiteira, ao lado também dos valores de US$ 40 mil. Na mesma tabela, constam nomes de outros deputados, senadores e prefeitos.

A PF não faz nenhuma análise sobre o documento porque os políticos mencionados detêm foro privilegiado perante os tribunais superiores – no caso dos parlamentares, o Supremo Tribunal Federal (STF) detém competência exclusiva para abrir investigação. Sem autorização da Corte, a PF não pode investigar deputado nem senador.

A PF apenas juntou aos autos da Operação Lava Jato o documento apreendido na empreiteira, que é alvo da investigação por suspeita de ter integrado o cartel que assumiu o controle dos maiores contratos da Petrobrás.

Não há nenhuma menção nas planilhas encontradas na empreiteira a um suposto caixa 2 ou pagamento de propinas. São nomes lançados ao lado de valores.

Na apreensão, a PF também encontrou planilhas que apontam doações que teriam sido feitas pela empresa a políticos do PT, PSDB, PMDB, DEM e PDT nas eleições de 2012. Os nomes dos políticos aparecem em tabelas, organizadas por partidos. Os políticos citados nas planilhas vem acompanhados por números isolados. A primeira tabela é reservada aos políticos do PT.

O material foi apreendido pela polícia durante o cumprimento de um dos mandados de busca da Operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção na Petrobrás envolvendo políticos e empreiteiras. O criminalista Celso Vilardi, constituído pela Camargo Corrêa, disse que não iria comentar o documento apreendido pela PF porque não teve acesso a ele.

Fonte: Estadão

domingo, 7 de junho de 2015

Dez anos depois


Postado por Magno Martins

Bernardo Mello Franco – Folha de S.Paulo

A denúncia do mensalão fez dez anos. A corrupção ainda domina o noticiário político. As campanhas continuam a ser abastecidas com dinheiro das estatais. Gente de quem o leitor não compraria um velocípede usado permanece à frente de altos cargos da República. É inevitável pensar que o Brasil mudou menos do que deveria.

Em 2005, quando o pagamento de mesada a parlamentares vinha à tona, um escândalo muito maior era gestado na Petrobras. Outros casos brotam diariamente nos Estados, prefeituras, câmaras e assembleias. Isso acontece porque a impunidade continua a ser regra, não exceção.

Houve algum avanço. O Supremo Tribunal Federal mandou políticos poderosos para a cadeia no julgamento do mensalão. Agora terá a chance de fazer o mesmo no petrolão. Também há ameaças de retrocesso. Acusados da Lava Jato tentam intimidar o Ministério Público para frear as investigações. Se funcionar, teremos andado para trás.

Outro sinal preocupante é a repetição de personagens nos dois esquemas, como os ex-deputados José Janene, já falecido, e Pedro Henry, que voltou a ser preso. O ex-ministro José Dirceu também reapareceu no escândalo petroleiro. Ao mesmo tempo em que era julgado pelo mensalão, recebia como consultor de empreiteiras sob suspeita.

O que deu errado? O ex-deputado Roberto Jefferson sugere que nada será resolvido sem uma mudança no sistema. Uma década após a entrevista a Renata Lo Prete, ele deixa claro que a corrupção continua na engrenagem da máquina eleitoral.

"Quem financia campanha no Brasil são as empresas que têm grandes contratos com BNDES, Banco do Brasil, Petrobras", disse à Folha, neste sábado (6). "Os empreiteiros são braços das estatais. É aí que está o caixa de toda eleição."

Enquanto isso não for enfrentado, ficaremos com a sensação incômoda de que as coisas só mudam para permanecer como estão.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

CPI da Petrobras é prorrogada por dois meses


Josias de Souza
Considerando-se tudo o que a CPI da Petrobras já foi capaz de produzir, seus integrantes renderiam homenagens ao contribuinte se fechassem a conta e descessem do palco de fininho. Deu-se, porém, o contrário. Em decisão avalizada pelo plenário da Câmara, a CPI decidiu esticar suas atividades por mais 60 dias. Terminaria em 25 de junho. Com a prorrogação, vai até 25 de agosto.

Deve-se o pedido de prorrogação ao presidente da CPI, o deputado Hugo Motta (PMDB-PB), alçado ao posto por indicação do mandachuva da Câmara, o investigado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Graças ao preferido de Cunha, a CPI evoluiu da inutilidade para o ridículo. Dias atrás, Motta anunciou que mandaria exumar o cadáver de um personagem do escândalo, o ex-deputado José Janene (PP-PR). Deu meia-volta depois que a família do morto estrilou.

A prorrogação da CPI potencializa a desmoralização do Legislativo. Até aqui, a comissão serviu apenas para exibir à plateia a eficácia da blindagem oferecida aos 47 políticos enrolados na Lava Jato. São filiados a cinco partidos. Há na lista 22 deputados federais, 12 senadores, 12 ex-deputados e uma ex-governadora. A CPI não teve interesse em convocar nenhum deles. Eduardo Cunha ofereceu-se para depor. Falou o que quis. E ouviu mais elogios do que perguntas.

Sem contar os requerimentos pendentes de apreciação, há sobre a mesa da CPI mais de uma centena de pedidos de convocação já aprovados. Estima-se que terão tanta serventia quanto as inquirições já realizadas até aqui. Ou seja, nenhuma. A comissão torra a paciência e o dinheiro do contribuinte brasileiro forçando uma porta que a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e o doutor Sérgio Moro já arrombaram.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Delator diz que Dirceu fez lobby por contrato na Petrobras

Executivo da Toyo Setal afirma que ex-ministro interveio pela contratação da empresa junto ao ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli

 
José Dirceu (Foto: Rocha Lobo / Futura Press)

Veja

O executivo da Toyo Setal Julio Camargo, um dos delatores da Operação Lava Jato, afirmou em novo depoimento prestado no dia 8 de abril, que o ex-ministro da Casa Civil e mensaleiro condenado José Dirceu interveio pela contratação da empresa junto ao ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli.

O depoimento faz parte do material encaminhado pela Polícia Federal ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) relativo aos inquéritos que apuram envolvimento de políticos no esquema de corrupção e propina na estatal.

Camargo disse à PF que conheceu o petista em uma festa de aniversário do ex-ministro, quando ele já tinha deixado a Casa Civil. O convite foi feito por um amigo em comum. Os dois tiveram mais de vinte encontros, segundo os relatos de Camargo, a maioria no escritório ou residência de Dirceu.

domingo, 19 de abril de 2015

Impeachment


Postado por Magno Martins

Carlos Heitor Cony - Folha de S.Paulo

Pouco a pouco, a palavra vem sendo escrita e falada em todos os cantos onde se fala e escreve. Começou veladamente, em algum artigo ou comentário na mídia. Hoje, repetindo Nelson Rodrigues, ela é assunto em todas as partes, nos botecos e velórios. No início, parecia uma alucinação dos opositores do atual governo, ou de adversários históricos do PT.

Agora, ela frequenta todos os veículos das mídias existentes. E citando o meu amigo Merval Pereira, até o Lula, discreto quando lhe interessa, não bota a boca no trombone, mas avalia os estragos que um impeachment da presidente Dilma pode trazer para seu partido e para seu projeto pessoal de volta ao poder.

Tudo bem (ou tudo mal). Há elementos bastantes para isso, mas há também a necessidade moral, política e jurídica de uma investigação isenta para a punição que, aparentemente, ela está merecendo. Não apenas pelos escândalos do mensalão e do petrolão, dos quais a presidente Dilma foi de certo modo a grande beneficiária.

Vamos com calma. No caso do impedimento de Collor, não havia o discutível preceito da delação premiada. Quem delatou o ex-presidente foi o próprio irmão, que não recebeu prêmio algum, a não ser um câncer que o matou logo após a delação.

Além do escândalo que me parece o maior de nossa história republicana, e talvez de todo o Império, a presidente está sendo justamente cobrada pelas retumbantes promessas da campanha eleitoral que a elegeu pela segunda vez. Em alguns pontos, não em todos, ela mentiu e enganou o eleitorado.

E uma vez eleita e empossada, está cometendo tudo o que condenou em seus antecessores, exceto o ex-presidente Lula, que está necessitado de um grande gesto que o absolva de alguns erros de seu passado. Afinal, quem nunca errou que atire a primeira pedra.

OS ARTIGOS AQUI PUBLICADOS  NECESSARIAMENTE NÃO SÃO  A OPINIÃO DO BLOG.

Camargo Corrêa pagou R$ 110 mi em propinas


Josias de Souza


Eduardo Leite, vice-presidente da Camargo Corrêa, afirmou em depoimento a membros da força-tarefa da operação Lava Jato que pagou R$ 110 milhões em propinas para obter contratos na Petrobas. Os valores começaram a ser desembolsados em 2007, sob Lula. E fluíram até 2012, já sob Dilma Rousseff.

O depoimento do executivo foi divulgado na noite desta sexta-feira. Ele falou aos inquiridores na condição de delator premiado. Os repórteres Renato Onofre e Germano Oliveira contam que Eduardo Leite dividiu assim as propinas: R$ 63 milhões foram para o ex-diretor de Serviços Renato Duque, homem do PT. Os restantes R$ 47 milhões molharam a mão do então diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, apadrinhado do PP.

sábado, 18 de abril de 2015

Camargo Corrêa pagou R$ 110 mi em propinas


Josias de Souza



Eduardo Leite, vice-presidente da Camargo Corrêa, afirmou em depoimento a membros da força-tarefa da operação Lava Jato que pagou R$ 110 milhões em propinas para obter contratos na Petrobas. Os valores começaram a ser desembolsados em 2007, sob Lula. E fluíram até 2012, já sob Dilma Rousseff.

O depoimento do executivo foi divulgado na noite desta sexta-feira. Ele falou aos inquiridores na condição de delator premiado. Os repórteres Renato Onofre e Germano Oliveira contam que Eduardo Leite dividiu assim as propinas: R$ 63 milhões foram para o ex-diretor de Serviços Renato Duque, homem do PT. Os restantes R$ 47 milhões molharam a mão do então diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, apadrinhado do PP.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Deputados reúnem 199 assinaturas e protocolam CPI do BNDES

 
Publicado  por Marcela Balbino em Notícias


Mendonça Filho protocola pedido para instalação da CPI do BNDES. Foto: divulgação.

Com 199 assinaturas, a CPI para investigar supostas irregularidades em empréstimos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), entre 2003 e 2015, foi instalada nesta quinta-feira (16). A oposição na Câmara dos Deputados se articularam para instalar a comissão e contaram com a representação de todos os partidos, com exceção do PT e do PC do B.

O requerimento da CPI do BNDES pede que sejam investigadas supostas irregularidades no período dos governos dos petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

O anúncio foi feito durante o depoimento de Luciano Coutinho, presidente da instituição, durante a CPI da Petrobras. O BNDES tem uma carteira de R$ 400 bilhões. Muitas das empresas que são investigadas pela operação Lava Jato receberam financiamento do banco público.

Para o líder da oposição, Mendonça Filho (DEM), existem “muitos indícios de irregularidades”.

A CPI pretende investigar empréstimos concedidos a outros países, como Angola e Cuba, assim como financiamentos critérios claros para determinadas empresas. Quando for instalada será a segunda CPI em funcionamento com o poder de investigar desvios do governo petista.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Documentos indicam ‘compra de votos’ por Pedro Corrêa


Publicado por Alex Ribeiro


Ex-deputado foi preso nesta sexta-feira (10) (Foto: Arquivo)

A Polícia Federal apreendeu documentos que indicam a prática de compra de votos por parte do ex-deputado Pedro Corrêa (PP), preso sexta feira (10), na Operação A Origem, 11.ª etapa da Operação Lava Jato. Os papéis, guardados em uma pasta, foram encontrados no carro do técnico em informática Jonas Aurélio de Lima Leite que trabalhou, entre 2008 a 2013, como auxiliar de escritório no Haras Fazenda Nova, no município de Brejo da Madre de Deus, interior de Pernambuco. A fazenda pertence ao ex-parlamentar.

Segundo Leite, os documentos “se referem a registros de comprovantes de compra de votos em campanhas eleitorais”. São faturas de contas de energia elétrica, água, combustíveis, peças de veículos e compra de materiais de construção.

“As compras de votos foram feitas na cidade de Brejo da Madre de Deus mediante a procura dos eleitores e oferecimento por parte de Pedro Corrêa”, declarou o ex-funcionário.

Segundo ele, “os pagamentos eram feitos através da equipe política de Pedro Corrêa”. Leite diz que teve acesso aos documentos “devido ao fato de terem sido arquivados no escritório do haras onde trabalhava”. Quando saiu do haras, no ano de 2013, retirou tais documentos “para que pudesse denunciar as falcatruas políticas praticadas por Pedro Corrêa”.

Jonas Aurélio de Lima Leite disse, ainda, que além da campanha para deputado federal, Pedro Corrêa participava da campanha eleitoral para prefeito na cidade de Brejo da Madre de Deus, “onde, inclusive, sua filha Clarice Corrêa é a atual vice prefeita, na gestão do prefeito José Edson”.

Durante o período em que trabalhou no Haras Fazenda Nova, Leite recebia em carteira um salário mínimo, mas “por fora, era oferecido um valor complementar para que seu ganho total chegasse à quantia de R$ 1.500?. O que despertou a atenção dos investigadores é que por uma conta poupança de Jonas Leite transitavam valores elevados, até R$ 50 mil por mês. Segundo Leite, os créditos repassados para sua conta eram comunicados a ele pelo assessor do ex-deputado federal, Ivan Vernon Gomes Torres.

Ele contou que o dinheiro que circulava em sua conta era destinado “ao pagamento de funcionários do haras”. A PF o indagou sobre os saques de valores no montante de R$ 684.800,42. O dinheiro, segundo Jonas Leite, era “destinando sempre ao pagamento das despesas do Haras Fazenda Nova”.

(Fonte: Estadão Conteúdo).

domingo, 12 de abril de 2015

Mais um candidato a homem-bomba no escândalo da Petrobras


O raciocínio do advogado é simples. As provas reunidas pelo juiz Sérgio Moro contra seu cliente “são contundentes”

Ricardo Noblat

Se depender de Clóvis Corrêa Filho, seu advogado, Pedro Corrêa (PP-PE), ex-deputado federal e condenado como mensaleiro, contará em troca da delação premiada tudo o que sabe sobre a roubalheira na Petrobras.

Foi o que garantiu o advogado em entrevista à Folha de S. Paulo. Ele e Pedro, que por sinal é seu primo, se reunirão, hoje, no interior de Pernambuco. É lá que Pedro cumpre pena. Amanhã, Pedro será transferido para Curitiba.

O raciocínio do advogado é simples. As provas reunidas pelo juiz Sérgio Moro contra seu cliente “são contundentes”. Se não quiser ser condenado outra vez a uma pena alta, o melhor que Pedro tem a fazer é contar tudo.

Contar, por exemplo, como Lula no seu segundo governo, a pedido do PP, nomeou Paulo Roberto Costa diretor de Abastecimento da Petrobras. Paulo Roberto é um dos delatores da Operação Lava-Jato.

- Não tem como fugir da Justiça. Defendo que ele faça a delação para contribuir com o aperfeiçoamento do processo democrático – justificou Clóvis.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Delator da Camargo revela propina na Norte-Sul

Josias de Souza


Após firmar acordo judicial e converter-se num delator premiado, o presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, revelou que a construtora pagou propina para obter contratos na obra da Ferrovia Norte-Sul. Contou aos investigadores da Operação Lava Jato que, também neste caso, as empresas formaram um cartel. Beneficiaram-se das propinas partidos políticos e agentes públicos.

Deve-se a divulgação do teor do depoimento de Avancini ao repórter Renato Onofre. Ele conta que, na Norte-Sul, a Camargo obteve contatos de R$ 1 bilhão. Foram assinados em 2010, sob Lula. As informações do executivo da empresa abrem uma nova frente de investigação, dessa vez no setor de transportes. Já estavam na alça de mira da força-tarefa da Lava Jato o setor elétrico e o BNDES.

Depois de tornar-se delator, Avancini deixou a cadeia, em Curitiba, e passou a usufruir de prisão domiciliar. Ele terá de prestar novos depoimentos para esmiuçar os delitos que se escondem sob os dormentes da ferrovia. Um empreendimento que começou com uma uma licitação de fancaria, denunciada em 1987 pelo repórter Janio de Freitas.

É mais uma evidência de que, em matéria de corrupção no Brasil, nada se cria, nada se transforma, tudo se corrompe.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Barbosa: depoimento de Barusco foi ‘chocante’


Josias de Souza



O ministro aposentado do STF Joaquim Barbosa, ex-relator do julgamento do mensalão, assistiu pela tevê à inquirição de Pedro Barusco na CPI da Petrobras. Na madrugada desta quarta-feira, ele se plugou à internet para veicular um lote de notas sobre o tema. Sem mencionar o nome do ex-gerente da Petrobras, classificou de “chocante” seu depoimento. E insinuou que a história pode pregar uma “peça” no PT e em Dilma Rousseff.

“Como milhões de brasileiros, vi a programação da TV Câmara ontem”, anotou Barbosa em sua conta no Twitter. “Chocante”, ele definiu. Numa alusão indireta ao embate que PT e PSDB travaram durante a sessão, o ex-ministro criticou:

“Muitos vêem o que se passou ontem na Câmara dos Deputados sob ótica puramente partidária. É um tremendo erro. Por quê? Partidos são meros instrumentos. Nossa nação não se construiu e tampouco se define à luz de momentâneos interesses partidários.”

Barbosa empilhou três mensagens historiográficas. Quem lê fica com a impressão de que o autor não exclui a possibilidade de o mandato de Dilma Rousseff terminar mal. Eis o que escreveu o ex-presidente do STF:

“1) quem diria em maio de 1789 que aquele convescote estranho realizado em Versalhes iria desembocar na terrível revolucão francesa?; 2) em 15/11/1889, nem mesmo o general Deodoro da Fonseca tinha em mente derrubar o regime imperial sob o qual o Brasil vivia. Aconteceu; 3) nem o mais radical bolchevique imaginaria lá pelos idos de 1914 que a 1ª guerra mundial facilitaria a queda do regime czarista da Rússia”.

Barbosa arrematou: “Por que fiz esses três últimos posts sobre História? Porque no Brasil pouca gente pensa nas ‘voltas’ e nas ‘peças’ que a história dá e aplica.”

Brasil tem muito a desaprender com o Barusco


Josias de Souza



O delator Pedro Barusco não disse na CPI da Petrobras nada que já não tivesse declarado à força-tarefa da Lava Jato. Mas a frieza com que discorreu sobre a roubalheira diante das câmeras foi desconcertante. Num instante em que todos os políticos da ‘lista de Janot’ fazem pose de limpinhos e injustiçados, foi reconfortante assistir ao depoimento de um corrupto sem qualquer atenuante, um bandido acima de qualquer suspeita, um picareta sem o benefício da dúvida.

Ao contar que entesourou na Suíça US$ 97 milhões em propinas amealhadas ao longo de 18 anos de desonestidades, Barusco ressuscitou um velho debate sobre a influência do ambiente na formação de um criminoso. Se há alguém que pode ser considerado um produto do meio é Barusco. Como qualquer pivete aliciado por traficantes, Barusco é o resultado da ilicitocracia que fez da Petrobras uma ‘boca’ de propinas, um ponto do tráfico de interesses e vantagens.

“Eu iniciei a receber a propina em 97 ou 98”, disse Barusco. “Foi uma iniciativa pessoal, minha, junto com o representante da empresa.” Culpa da permissividade nacional, que lhe ofereceu todas as facilidades para roubar, garantindo-lhe a impunidade. “De uma forma mais institucionalizada, foi a partir de 2003, 2004. Não sei precisar exatamente a data, mas foi a partir dali”, prosseguiu Barusco, como que denunciando a cumplicidade que lhe garantiu o sucesso monetário.

Não fosse pela teimosia do juiz Sérgio Moro e dos procuradores de Curitiba, talvez tivesse continuado como antes. Gente como Barusco não poderia esperar senão mais tolerância e estímulo à delinquência. Sobretudo depois que o PT, partido do Poder longevo, mordeu “entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões.”

Os inquisidores petistas exigiram provas. E Barusco: “O que eu disse foi que eu estimava. Estimava que, por eu ter recebido a quantia que está divulgada, como o PT, na divisão da propina, tinha —ou cabia a ele receber o dobro ou um pouco mais—, que eu estimava que ele poderia ter recebido o dobro. Se eu recebi, por que que os outros não teriam recebido?”

Barusco se apropriava de 0,5% da propina de cada contrato firmado na sua área. O PT abocanhava 1%. Coisa acertada entre o então diretor de Serviços Renato Duque e o tesoureiro do PT João Vaccari. “Existia, vamos dizer, uma reserva de propina, uma reserva para o PT receber. Se ele [Vaccari] recebeu, da forma que recebeu, eu não sei.”

Súbito, Renato Duque, o superior hierárquico de Barusco, pediu à empresa holandesa SBM R$ 300 mil para as arcas eleitorais da campanha de Dilma. “Aqueles 300 mil que eu disse, na área de reforço de campanha, foi na campanha presidencial de 2010”.

O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) perguntou ao delator se ele conhecia o mentor da petrorroubalheira. E Barusco: “A cabeça do negócio, eu também não sei dizer. Eu sei as pessoas que eu citei. Não havia um único, vamos dizer assim, responsável.” Fabuloso! Só havia beneficiários, não responsáveis.

Perguntou-se a Barusco se as empreiteiras eram achacadas, como alegam seus executivos? “Fico procurando na minha mente, na minha memória e não encontro caso nenhum”, declarou o delator. “Era uma relação normal, que se acordavam. Nunca vi extorsão.” Tanta normalidade só poderia resultar no meio apodrecido que fez da Petrobras essa jazida de Baruscos.

O Brasil tem muito a desaprender com Barusco antes de deixar de deixar de ser uma gigantesca caverna de Ali-Babá. Para se tornar sério, o país terá de desaprender como construiu essa promiscuidade que mistura dinheiro fácil e poder farto. Terá de desaprender como formou as alianças do banditismo empresarial com o amoralismo político. Quer dizer: terá de recomeçar do zero.

terça-feira, 10 de março de 2015

Em primeira manifestação após a ‘lista de Janot’, Collor ataca PGR no Senado

Publicado por Márcio Didier


Em discurso realizado nesta segunda-feira (9), o senador Fernando Collor (PTB-AL) criticou da tribuna a condução do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nas investigações referentes aos desvios ocorridos na Petrobras. “Constatamos até aqui, mais uma vez, que só nos resta lamentar a postura parcial e irretratável frente a todo o processo de um grupelho instalado no Ministério Público que, oportunamente, passou a influenciar e a ditar a atuação do Procurador-Geral da República”, afirmou o senador.

Na última sexta-feira (6), o ministro Teori Zavascki, relator dos processos da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo que constava sobre a lista com os nomes dos parlamentares que serão alvo de investigação na Corte. O nome de Collor aparece no rol de congressistas e o discurso desta segunda-feira foi a primeira manifestação do senador desde a sua divulgação.

A Polícia Federal encontrou, durante as operações de busca e apreensão no escritório do doleiro Alberto Youssef, oito comprovantes de depósitos bancários em nome do senador Fernando Collor. Os depósitos teriam sido feitos no intervalo de três dias, em maio de 2013, e somam R$ 50 mil. A descoberta da PF é citada em ofício do juiz federal Sergio Moro, da Justiça Federal no Paraná, remetido ao Supremo Tribunal Federal para explicar a sua atuação no processo decorrente da Operação Lava Jato. O juiz afirma que os agentes da PF localizaram oito diferentes comprovantes bancários em valores de R$ 1.500, R$ 4.000, R$ 8.000 e R$ 9.000, realizados entre os dias 2 e 5 de maio de 2013.

No discurso, Collor não tratou das investigações e centra o foco em críticas ao procurador-geral da República. “Muito se especula sr. Presidente, muito se afirma, muito se acusa. O assanhamento dos meios é visível e já se espraiou por toda a sociedade. Contudo, este cenário, num clima de terra arrasada, vem sendo demasiadamente corroborado pela atuação do próprio Ministério Público, especialmente quanto ao suposto envolvimento de autoridades e agentes políticos”, disse.

Na sequência, o senador chamou de “patética” a foto em que Rodrigo Janot aparece recebendo de manifestantes um cartaz que dizia que ele é “a esperança do Brasil”.

“A pergunta que faço é se é este mesmo o ambiente que o Ministério Público deseja e, mais do que isso, planeja? Ao fomentar a expectativa e a ansiedade da população, estará de fato seu comando exercendo suas atribuições com idoneidade, sensatez, responsabilidade e, principalmente, com estoicismo? Ou seria apenas um meio, um caminho, sem nenhuma sobriedade, para empunhar um cartaz – cena patética! – em busca da pirotecnia de uma precoce, antecipada e momentânea celebrização, tão em voga nos últimos tempos?”, ponderou Collor.

O senador também se queixa do fato de Rodrigo Janot não ter aberto a possibilidade para os parlamentares se defenderem antes da divulgação dos respectivos nomes na imprensa. “A simples concessão dessa oportunidade, ou seja, a adoção do procedimento do prévio esclarecimento poderia, em muitos casos, evitar a abertura de inquéritos e, ao mesmo tempo, a exposição desnecessária, por um longo período, de pessoas e agentes supostamente envolvidos. Na prática, seria a chance de qualquer um, perante o Ministério Público, de esclarecer os pontos, tirar as dúvidas que porventura pairassem e, mais ainda, expressar sua versão dos acontecimentos e a verdades dos fatos”, afirmou.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Janot prepara viagem à Curitiba


Postado por Magno Martins



O gabinete do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, prepara uma viagem dele a Curitiba, cidade que concentra as investigações da Operação Lava-Jato. A viagem está programada para o início da próxima semana.

Os preparativos da visita de Janot aos colegas sediados na capital do Paraná começam poucos dias após Janot ter enviado para o STF, nessa terça-feira o pedido de abertura de inquéritos sobre a participação de políticos com foro privilegiado nos fatos investigados.

Em 11 de dezembro, Janot já esteve em Curitiba para participar da divulgação da denúncia feita pelo Ministério Público Federal contra um grupo de 36 pessoas investigadas na operação por causa do esquema de corrupção na Petrobras. O grupo incluía 25 executivos ligados às empreiteiras Camargo Corrêa, Mendes Júnior UTC, OAS, Galvão Engenharia e Engevix.

A capital paranaense é a cidade a partir de onde a Polícia Federal planejou as ações da Lava Jato. A primeira fase da operação, chefiada pelo delegado da PF Márcio Anselmo, ocorreu em março de 2014 e resultou na prisão de doleiros, incluindo Alberto Youssef, que, meses depois, aceitaria fazer um acordo de delação premiada com a Justiça. Em novembro, na sétima fase da operação, os depoimentos de delatores ajudaram a prender executivos de algumas das maiores empreiteiras do País.

Brasília poupa empreiteiras porque não conseguiria viver sem os mimo$ delas

Josias de Souza




Começou a funcionar mais uma CPI da Petrobras. Considerando-se o resultado da sessão inaugural, o colegiado caminha em direção ao vexame. Mais um. A CPI revelou-se capaz de quase tudo, menos de investigar empreiteiras.

Convenhamos: deputados que, depois de mais de uma década em que a Petrobras foi saqueada pelos esquemas que acompanharam os partidos numa invasão à estatal, conseguem se apresentar como “investigadores” sem exibir um pingo de curiosidade sobre os corruptores ou são cínicos ou tolos. Em nenhum dos dois casos são os detetives que o escândalo exige.

Os deputados não estão sozinhos. Dilma Rousseff também defende as empreiteiras. Ela sustenta que é preciso punir os executivos que cometeram crimes, não as empresas. Um acinte. Primeiro porque não é possível separar uns das outras. Segundo porque aprovou-se no Congresso, sob Lula, uma lei cujo objetivo era justamente estender a punição às empresas desonestas.

O ministro da Justiça e a Controladoria-Geral da União negociam acordos de “leniência” com as empreiteiras. Não para obter informações que ampliem o leque de punições, como previsto na nova lei, mas para livrá-las do título de “inidôneas”, que levaria à proibição de celebrar novos contratos com o Estado.

Muitos congressistas e autoridades espantam-se com a severidade do juiz Sérgio Moro. O magistrado da Lava Jato mantém desde novembro 11 executivos de empreiteiras dormindo nos colchonetes da carceragem da Polícia Federal em Curitiba. A surpresa de Brasília é compreensível.

A Capital da República não funcionaria sem os mimo$ providos pelas empreiteiras. E quem ainda é capaz de enxergar a promiscuidade como algo “normal” não pode exibir outro tipo de moralismo senão o moralismo seletivo.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Preso ex-presidente da Assembleia do MT


Postado por Magno Martins
O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Mato Grosso José Riva, foi preso neste sábado, 21, em sua residência, em Cuiabá. A prisão foi efetuada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Dez homens e quatro viaturas participaram da ação, no bairro Santa Rosa.

O pedido de prisão foi feito pelo Ministério Público Estadual (MPE), com base em uma ação proposta em dezembro passado, que investiga um suposto esquema de desvio de R$ 60 milhões por meio de empresas fornecedoras de materiais da Assembleia Legislativa, como papelaria. Segundo as investigações, o ex-presidente José Riva fez aquisições falsas em cinco supostas empresas de fachada do ramo de papelaria. Uma dessas empresas, diz a denúncia, vendeu em um ano 30.000 toners de impressoras à Assembleia Legislativa –que tinha apenas 150 máquinas.

O advogado Valber Melo, que defende Riva, disse que ainda não conseguiu obter informações sobre a prisão. "Estamos tentando saber do que se trata, mas como é sábado, fica mais difícil. Não tivemos acesso aos documentos", afirmou. Ele disse que não sabe quando irá entrar com pedido de relaxamento da prisão.

José Riva responde a mais de cem processos na Justiça e chegou a ser preso em maio do ano passado pela Polícia Federal na Operação Ararath, que apura crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro em Mato Grosso. Em 2010, sua mulher, Janete Riva, também foi presa pela PF sob suspeita de aprovar licenciamentos e planos de manejo florestal fraudulentos usados para legalizar madeira extraída ilegalmente.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

CPI da Petrobras será instalada no dia 26

Postado por Magno Martins


O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), decidiu instalar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras só no final da próxima semana. Os partidos terão até as 12h da próxima quinta-feira, 26, para concluir a indicação dos 27 membros.

Partidos como PT e PMDB ainda não indicaram seus representantes. A oposição, autora do requerimento, já tem sete membros formalizados. Nos próximos dias, o bloco oposicionista discutirá a estratégia de atuação na CPI. Com base nas informações já divulgadas sobre as investigações da Operação Lava Jato, o líder do PSDB, deputado Carlos Sampaio (SP), já montou um organograma para orientar os trabalhos da oposição.