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sábado, 15 de setembro de 2018

Se a canoa não virar

Postado por Magno Martins 

Marisa Gibson, na coluna DIARIO POLÌTICO deste sábado

Fernando Haddad (PT), candidato a presidente da República, chega chegando na disputa eleitoral, com o apoio do ex-presidente Lula. Todo mundo esperava. Agora, para permanecer no páreo, quem está ficando pra trás tem que brigar duas vezes: contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL), que lidera as pesquisas, e contra Haddad, que, em questão de dias, saiu de 4% para 9% e agora está com 13% numericamente empatado com Ciro Gomes (PDT), de acordo com o Datafolha.

Se nos próximos levantamentos não houver um crescimento significativo dos concorrentes, que ainda estão abaixo da linha do segundo turno, a disputa poderá ser decidida mesmo entre Bolsonaro e Haddad. A briga entre Haddad e Ciro tem um componente especial para os nordestinos e para os pernambucanos. Entre os dois há uma região - o Nordeste - que representa 26% do eleitorado nacional e que praticamente garante a eleição de um presidente.

Já se sabe que os nordestinos são eleitores confessos de Lula, mas o Brasil não é o Nordeste. E é melhor que seja assim. Mesmo sabendo que Lula fez muito pela região, o voto de cabresto - votar só porque é o ex-presidente pede - não é algo que deva ser estimulado.

Porém, a boa performance de Haddad favorece diretamente o governador Paulo Câmara (PSB), que administrou o seu projeto de reeleição com um pragmatismo selvagem: foi atrás do voto de cabresto com unhas e dentes. Sem o apoio de Lula, Haddad e PT, o PSB corria o risco de ver o seu projeto ruir. Agora, se canoa não virar...

domingo, 9 de setembro de 2018

Haddad vira presidenciável graças a escândalos

Josias de Souza

Em 2005, quando explodiu o mensalão, Lula deslocou Tarso Genro do comando do Ministério da Educação para a presidência do PT. Ao aceitar a missão, Tarso pediu que fosse acomodado no seu lugar Fernando Haddad, então secretário-executivo da pasta da Educação. Dona norma, mãe de Haddad, soube pelo noticiário da promoção do filho. Telefonou-lhe para perguntar por que aceitara ser ministro de um governo em má situação. E Haddad: “Mãe, se a situação fosse boa, nunca me ofereceriam o ministério.” Lula encantou-se com sua gestão.

Decorridos 13 anos, Haddad está na bica de se tornar candidato ao Planalto graças a outro escândalo que marca a ruína petista: o petrolão. Nesta segunda-feira, o filho de dona Norma visitará Lula, em Curitiba. Se tudo correr como planejado, sairá da cela especial, finalmente, com o aval do preso mais ilustre da Lava Jato à sua conversão em cabeça da chapa presidencial do PT. A promoção precisa ocorrer no dia seguinte, 11 de setembro, quando vence o prazo fixado pela Justiça Eleitoral para a substituição de Lula.

Haddad terá, então, 28 dias para tocar uma campanha eleitoral sui generis, na qual o sucesso depende de sua capacidade de se autoanular. Terá de se apresentar como um candidato invisível —de modo que o eleitor consiga enxergar o Lula que há por trás dele. Em tais circunstâncias, o apelido de poste talvez seja inadequado. Haddad participa da eleição mais com um laranja de Lula. Para que a transfusão de votos ocorra na proporção desejada pelo petismo, o eleitorado precisaria acreditar que, votando no candidato em liberdade, estará elegendo o padrinho preso.

A escassez de tempo não é a única adversidade. Haddad herda uma equipe de campanha que não escolheu. Terá de tourear petistas que avaliam que ele não é o melhor Plano B —a começar pela presidente do PT, Gleisi Hoffmann, que queria a vaga para ela. Precisará molhar a camisa para evitar que parte dos votos de Lula escorra para Ciro Gomes e Marina Silva. De resto, entrará no jogo depois da facada que praticamente colocou Jair Bolsonaro no segundo turno, obrigando os outros candidatos a se engalfinhar pela vaga restante.

Em visita a Caetés (PE), onde nasceu Lula, Haddad apresentou-se ainda como ''vice''

Na noite desta segunda, Haddad terá uma ideia do tamaho do seu desafio. O Datafolha divulgará uma pesquisa presidencial que captará os efeitos da primeira semana do horário eleitoral, dos primeiros debates, das sabatinas, do veto à candidatura de Lula e do atentado cometido contra Bolsonaro. Pesquisa do Ibope, divulgada na semana passada, colocou Haddad (6%) na quinta colocação, atrás de Bolsonaro (22%), Ciro Gomes (12%), Marina Silva (12%) e Geraldo Alckmin (9%). Nessa pesquisa, o laranja de Lula estava tecnicamente empatado com o candidato tucano.

De acordo com o lema da campanha petista, só a vitória do laranja de Lula será capaz de fazer “o Brasil feliz de novo”. Aposta-se que o apagão do governo de Michel Temer acenderá na cabeça do eleitor a memória dos melhores tempos da gestão de Lula, quando havia empregos, renda, crédito e consumo. Os adversários de Haddad se equipam para levar à vitrine outra realidade. Que a gestão Temer foi ruinosa, ninguém tem duvida. Mas planeja-se levar à vitrine também a ruína de Dilma Rousseff, que produziu desequilíbrio fiscal, recessão e desemprego.

Entre 2013 e 2016, a economia brasileira encolheu 6,8%.Na gestão empregocida de Dilma, o desemprego saltou de 6,4% para 11,2%. Foram ao olho da rua cerca de 12 milhões de trabalhadores. Deflagrada em 2014, a Lava Jato demonstrou que o único empreendimento que prosperava no Brasil era a corrupção. Agora, o PT tenta empurrar o espólio de Dilma para o gavetão do esquecimento. Os adversários cuidarão de instilar no eleitorado o receio de que Haddad, a nova criatura de Lula, vire uma nova Dilma.

Não será a primeira vez que Dilma assombra projetos políticos de Haddad. A gestão impopular da ex-gerentona de Lula conspirou contra a recondução de Haddad à prefeitura de São Paulo, em 2016. Em fevereiro daquele ano, quando se equipava para reivindicar a reeleição, Haddad distanciou-se de Dilma numa entrevista ao blog. Entre outras críticas, apontou “problemas de condução” da política econômica. Reveja um trecho abaixo. A íntegra está disponível aqui. Haddad não foi reeleito. O rival tucano João Doria prevaleceu no primeiro turno. Os rivais do PT talvez forcem Haddad a renovar em 2018 as ressalvas que fazia a Dilma há dois anos.

sábado, 1 de setembro de 2018

Aliados de Haddad querem substituição na chapa

Por Magno Martins 

...o quanto antes

Vice de Lula viajará a Curitiba na segunda-feira para tratar de estratégia

Marina Dias - Folha de S.Paulo

Após a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que barrou a candidatura do ex-presidente Lula ao Planalto, Fernando Haddad, vice na chapa petista, viajará a Curitiba na próxima segunda-feira (3) para discutir a melhor estratégia para a campanha da sigla a partir de agora.

Aliados de Haddad defendem a substituição de Lula o quanto antes, e o voto do ministro Luís Roberto Barroso, primeiro contrário ao ex-presidente no TSE, corroborou a tese desses auxiliares de que o PT não poderia arriscar ficar dez dias fora do horário eleitoral no rádio e na TV.

O temor é de que a menor exposição de Haddad, pouco conhecido nacionalmente, prejudique seu desempenho como candidato. Grande parte do eleitorado petista, principalmente no Nordeste, ainda não sabe que ele será o nome oficial do PT ao Planalto, o que pode comprometer o potencial de transferência de votos de Lula para seu herdeiro político.

Com a possibilidade de ficar fora da estreia da propaganda eleitoral na TV, neste sábado (1), o PT divulgou seu primeiro programa ainda na noite de sexta (31), antecipando a estratégia de comunicação do partido. 

No vídeo, Lula afirma que é possível voltar aos bons índices econômicos da época de seu governo e Haddad se apresenta como o enviado pelo ex-presidente para percorrer o Brasil com suas ideias.

A tática de transmutar a figura de Lula para a de Haddad agora deve ser aplicada de forma abrupta pelo PT, para que o eleitor entenda que, com o ex-presidente impedido de disputar a eleição, será o ex-prefeito de São Paulo o responsável por representá-lo e levar adiante o seu projeto.

A ideia inicial era manter o discurso de que Lula é o candidato de fato até o fim da semana que vem, pelo menos, e usar os programas de TV para fazer essa transição de forma paulatina.

Nesta sexta, o ministro Barroso defendeu que o PT substituísse Lula como candidato em dez dias e o proibiu de participar de atos de campanha, inclusive do horário eleitoral. Foi seguido pela maioria dos colegas da corte.

Os auxiliares de Haddad afirmam que poderia ser fatal para o partido ficar dez dias sem propaganda na TV, caso a sigla optasse por esticar a corda por todo o prazo.

Uma das alas de dirigentes petistas, porém, não queria fazer a substituição na chapa sem uma resposta do STF (Supremo Tribunal Federal). Desejava que a defesa do ex-presidente recorresse ao Supremo e, só depois, indicaria Haddad como candidato oficial, o que poderia acontecer no início da próxima semana.

Em conversas dentro de sua cela, em Curitiba, Lula ouviu de aliados mais radicais que era preciso levar sua candidatura “até as últimas consequências”, ou seja, insistir no registro do ex-presidente, sem substituir seu nome na urna. Mas, na ocasião, Lula não concordou.

Afirmou que era preciso ir “até onde desse” porque, em sua avaliação, a transferência de votos para seu afilhado seria mais eficaz quanto mais perto do primeiro turno estivesse, mas não sinalizou que a substituição não seria feita.

A estratégia do ex-presidente é manter o discurso político —inclusive no cenário internacional— de que sofre uma perseguição jurídica que tem o objetivo de tirá-lo da disputa eleitoral de outubro.