Nos últimos dez anos foram fechadas mais de 8 escolas rurais por dia. Hoje são 71 mil, contra 103 mil em 2003. As explicações para o fechamento: o processo de municipalização, a expansão das áreas urbanas nos grandes centros, absorvendo zonas rurais, a redução da taxa de natalidade, e a reunião de várias unidades escolares numa única, criando as classes multisseriadas (vários alunos de séries diferentes numa mesma sala de aula).
É sabido que a grande maioria das escolas rurais não tem biblioteca, nem laboratório de informática. A formação dos professores que atuam no campo é outro desafio, não só pela falta de profissionais com nível superior, como também pela obrigação dos professores serem polivalentes. Outro problema é o do transporte escolar, difícil pela manutenção, ou mesmo pelas distancias a percorrer.
Para tentar buscar uma solução para todas estas questões, o Congresso Nacional, alterou o artigo 28 da LDB, passando a exigir que o fechamento de escolas no campo seja precedido de manifestação dos órgãos dos sistemas de ensino e da comunidade, e o PRONATEC foi estendido aos cursos agrícolas.
O Agronegócio é um dos setores fundamentais para a economia brasileira. Em 2013, representou 23% do nosso PIB e foi responsável por mais de 30% dos empregos. O resultado: uma expressiva presença na pauta de exportações, com uma receita superior a US$100 bilhões de dólares, 40% do total brasileiro.
O crescimento econômico, trazendo para as zonas rurais os processos de mecanização e novas oportunidades nos centros urbanos, incrementou as correntes migratórias para as cidades. Entre 2000 e 2010, a população rural perdeu 2 milhões de pessoas, e hoje chega a 30 milhões de brasileiros.
Ainda assim, isto é mais do que a população do Peru, ou da Venezuela. Desses 30 milhões, 6,6 milhões são crianças e jovens em idade escolar. A importância do campo para o crescimento sustentável do país torna estratégica a educação rural.
O Plano Nacional de Educação será extremamente positivo se viabilizar, numa visão sistêmica, a construção de uma base curricular nacional, determinante para a correção das desigualdades, uma infraestrutura de boa qualidade, a oferta de ensino presencial e a distância, respeitando especificidades do meio rural quanto aos horários e ao calendário escolar, e se criar políticas de incentivo para os professores que atuam no campo. Se tal não ocorrer, assim como o saci e a mula sem cabeça, a escola rural passará a fazer parte das lendas da roça, que ouvíamos embevecidos de nossos avós.
| As lendas e mitos do folclore brasileiro (Imagem: Arquivo Google) |
Fonte: Blog do Ricardo Noblat
Nenhum comentário:
Postar um comentário