quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Da coluna de Magno Martins



Postado por Magno Martins
Com edição de Ítala Alves


Oportunismo mal direcionado e grotesco

O acidente no Metrô do Recife, o Metrorec, ontem pela manhã, resultando em mais de 70 pessoas feridas, acabou entrando na pauta do cinismo da política. Logo cedo, o pré-candidato do PSB a prefeito do Recife, João Campos, fez o seu protesto oportunista, prometendo ficar de prontidão em defesa de ações que possam se traduzir em melhorias no sistema de transporte urbano da Região Metropolitana.

“Lamentável. O Metrô do Recife, sob responsabilidade do Governo Federal, vem enfrentando muitos problemas mesmo com o aumento abusivo de suas tarifas em menos de um ano, saindo de R$ 1,60 para R$ 4 a partir de março. A estrutura permanece precária e não vemos sinais de mudança. Vou acompanhar e cobrar melhorias justas e necessárias”, escreveu ele, em suas redes sociais.

O deputado foi rápido no gatilho. Sua intenção? Atingir o presidente Bolsonaro. Só esqueceu que o Metrorec é controlado por um aliado de peso, o deputado federal Eduardo da Fonte (PP), que, aliás, andou pelo Palácio, na última segunda-feira, prestigiando uma solenidade do governador Paulo Câmara. João só não foi tão ágil na marcação do terreno político-eleitoreiro quanto sete pessoas morreram e três ficaram feridas no bairro de Dois Unidos, no apagar das luzes de 2019.

Ali, um deslizamento de barreira, no Córrego do Morcego, matou até uma criança e um bebê. No dia, não caiu uma gota de água. Moradores da área relataram que dois canos da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) existentes no local estouraram e o vazamento teria feito a barreira deslizar. Até hoje, não se sabe absolutamente nada do que foi apurado, porque o assunto saiu da mídia, não sendo cobrado nem mesmo pelo Ministério Público.

Como o caso envolve uma estatal do Governo, no caso a Compesa, que deveria zelar e proteger a vida dos cidadãos que dela esperam a água do dia a dia para matar a sede, João Campos se omitiu, não foi sequer ao local prestar solidariedade humana. O deputado faz maldição agora ao Metrorec apenas para marcar posição eleitoreira como candidato a prefeito. Esquece que o oportunismo mal direcionado é grotesco, leviano e desprezível.

CABIBE ELEITORAL – Tão logo se espalhou a notícia, ontem, do acidente envolvendo dois vagões do Metrorec, seus dirigentes tentaram explicar a tragédia, mas quanto mais falavam, mais se complicavam. O fato é que o Metrô do Recife é um equipamento jurássico, há mais de dez anos sem receber qualquer equipamento novo. Comparado ao de Salvador e ao de Fortaleza, é um lixo, com tarifas caras, inseguro e muito mal administrado. Nos últimos anos tem servido apenas de verdadeiro cabide eleitoral.

NA GUILHOTINA – O que ouvi ontem de uma fonte próxima ao presidente Bolsonaro é que cabeças vão rolar na estrutura da CBTU, que administra o Metrorec, e no próprio Metrô do Recife. Informado que os gestores que dão as cartas em ambas as instituições são da época do Governo Lula, o chefe do Planalto deu ordem para não sobrar nenhuma cabeça dos atuais comandantes. No Rio, a CBTU tem sangue vermelho e no Recife o Metrorec é latifúndio do presidente do PP, Eduardo da Fonte.

EM LIBERDADE – A Sexta Turma do STJ manteve, ontem, em liberdade, o ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), alvo de investigações no âmbito da Operação Calvário. Por quatro votos a um, os ministros decidiram preservar a liminar concedida em dezembro por Napoleão Nunes, que determinou a soltura de Coutinho, preso durante uma das fases da operação que apura desvios de recursos públicos da Saúde e da Educação no Governo da Paraíba. Votaram contra o recurso da Procuradoria-Geral da República (PGR), que pedia o retorno de Ricardo para a prisão, a relatora Laurita Vaz e os ministros Sebastião Reis, Nefi Cordeiro e Antônio Saldanha. Já em favor da prisão, votou apenas o ministro Rogério Schietti Cruz.

TRAIÇÃO EM TABIRA – O Palácio joga pesado para atrair o maior número de candidatos em potencial para disputar as eleições para prefeito. E pisa até em velhos aliados, como o ex-prefeito de Tabira, Dinca Brandino, que está sendo apunhalado pelas costas. Chamada para uma conversa, ontem, no Palácio, a presidente da Câmara de Vereadores, Nelly Sampaio, ainda no PSC, declarada e confessa cabo eleitoral de Bolsonaro no município, recebeu a oferta para ingressar no PSB, tomando, assim, o controle da legenda de Dinca, que sempre bateu continência aos poderosos socialistas.

CURTAS

ENFIM, FILIADO – O ex-prefeito de Surubim, Flávio Nóbrega, enfim, ganhou um partido para chamar de meu no município: o Republicano, sob o comando estadual do deputado federal Silvio Costa Filho. Assinou a ficha, ontem, em Brasília, abonada também pelo presidente nacional, Marcos Pereira, vice-presidente da Câmara dos Deputados, apontado como o provável sucessor de Rodrigo Maia (DEM-RJ). Também ingressou na legenda a prefeita de Camaragibe. Nadegi Queiroz, candidata à reeleição sem ainda ter a certeza de que terá as benções do Palácio.

O AMBÍGUO – Embora vote contra o Governo em matérias de vida e morte para Bolsonaro, como a reforma da Previdência, o deputado Fernando Monteiro (PP) é adepto da política do lá e lô. Sua madrasta bate ponto no Metrô do Recife, função negociada com Eduardo da Fonte, com quem vive entre tapas e beijos. Nos corredores do poder em Brasília, o deputado estufa o peito quando se apresenta com a credencial de sobrinho do presidente do Tribunal de Contas da União, José Múcio Monteiro, que não reza pela sua cartilha. Múcio é um político correto e decente.

AGRESSÃO CULTURAL – Patrimônio vivo e imortal da cultura de Pernambuco, a cirandeira Lia de Itamaracá levou um chute do traseiro do Governo do Estado e está fora do calendário momesco. A Fundarpe, responsável pelo cartão vermelho, se recusou a reajustar o cachê merreca da artista, no valor de R$ 7 mil. Aos 76 anos, Lia, entretanto, brilhará em outros palcos da folia, como São Paulo, que sabe valorizar e reconhecer o seu talento.

Perguntar não ofende: Se o Governo não tira o chapéu para a legenda viva e imortal de Lia de Itamaracá, vai tirar para quem?

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