Por Arthur Cunha – especial para o blog
Em tom de ironia, na coluna de ontem, eu pedi uma oração a Deus para ele iluminar os representantes do Judiciário. E não é que fui atendido! Depois deste colunista denunciar, com exclusividade, uma autorização do Tribunal de Justiça de Pernambuco para pagamento retroativo a 2011 de auxílio-alimentação a desembargadores e juízes, o caso chegou ao Conselho Nacional de Justiça. À noite, o CNJ tornou pública uma liminar do corregedor nacional de Justiça, Humberto Martins, suspendendo o pagamento do benefício.
O ministro foi muito claro na sua liminar. Explicou, no despacho, que estava suspendendo o pagamento para evitar “um prejuízo de difícil reparação” ao erário do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Viva a sensatez diante do óbvio! O TJ não revelou quanto o benefício custaria aos seus cofres; nem se posicionou sobre a liminar. Mas um cálculo de padaria mostra que essa cifra chegaria aos milhões. E de onde viria esse dinheiro, meus caros? Exatamente de onde você pensou...
O efeito suspensivo da liminar pode ser derrubado pelo pleno do CNJ. Mas a postura do ministro-corregedor tem de ser louvada, aplaudida, e, sobretudo, difundida. A decisão de Humberto Martins deve criar Jurisprudência mesmo. O bom Jornalismo e a sociedade têm obrigação de pressionar suas excelências para evitar que o péssimo exemplo de Pernambuco vire uma praxe a ser copiada por outros estados.
Desembargadores e juízes, assim como outras categorias da elite do funcionalismo público, os semideuses, como costumo chamar, já ganham muito. Eles não precisam de penduricalhos para bancar sua alimentação - seus contracheques são gordos, com o perdão do trocadilho. O País vive um intenso debate sobre uma reforma da Previdência que, se não for feita, vai inviabilizar o Governo Federal e os estaduais. O tempo do Estado que aguenta tudo acabou. Fiquemos vigilantes.
Penduricalhos – Todas as categorias que são carreiras de Estado possuem direitos popularmente chamados de penduricalhos, que oneram bastante a folha de pagamento. Por exemplo, auditores fiscais, além de um alto provento, têm direito a 14º salário e – pasmem! – participação nas multas. Os juízes, como é de domínio público, ganham auxílio-moradia, mesmo possuindo casa própria e atuando na sua cidade de origem. Os membros do Ministério Público, especificamente os promotores, possuem auxílio-moradia e auxílio-saúde. E por aí vai...
Penduricalhos 3 – Endosso que esses salários megalomaníacos somados aos penduricalhos é o que onera, consideravelmente, a folha de pagamento, além de sobrecarregar a Previdência. Torço muito para que a reforma de Bolsonaro acabe com essa discrepância. Vamos cobrar!
CURTAS
AR CONDICIONADO – O vereador Alcides Teixeira Neto vai propor uma audiência pública para discutir seu Projeto de Lei 360/2017, que determina a instalação de ar condicionado em todos os ônibus no Recife. Prevista para março, a reunião contará com parlamentares, representantes dos movimentos pela democratização do transporte público, das empresas, e da própria sociedade civil organizada.
ESCOLA SEM PARTIDO – Já em Caruaru, o vereador Presbítero Andrey Gouveia apresentou um Projeto de Lei pedindo que a Câmara crie o “Escola Sem Partido” na Capital do Forró. A proposição vai tramitar nas comissões antes do Plenário. Contudo, a matéria não terá vida fácil já que o STF derrubou uma ação parecida em âmbito nacional.
FICA, MEIRA! – A brincadeira em Camaragibe, ontem, era que o prefeito Demóstenes Meira mandou um áudio para o grupo de WhatsApp das suas lideranças comunitárias ordenando que elas fizessem cartazes em apoio ao gestor. Durante a manhã, duas mulheres colocaram cartazes com dizeres pró-Meira na fachada da prefeitura.
Perguntar não ofende: O que os Ferreira acharam do protagonismo de FBC no Governo Bolsonaro?
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