sexta-feira, 20 de maio de 2016

Da Coluna de Magno Martins


Postado por Magno Martins

O grito nordestino pela moratória

Uma semana após o PT ser afastado do poder e o presidente interino Michel Temer (PMDB) assumir, nove governadores do Nordeste se reuniram, ontem, em Maceió, para tratar do momento nacional e encaminhar ao novo Governo propostas de melhoria para seus Estados, com ênfase na negociação das dívidas com a União. Até um pedido de moratória foi aprovado muito parecido com a ideia bancada pelos governadores do Sul e Sudeste que se reuniram no Rio.

“Pleiteamos o alongamento da dívida dos Estados, com carência de 12 meses para as dívidas com a União e de quatro anos para dívidas financiadas pelo BNDES”, propõe os governadores. Para eles, o Brasil atravessa um momento de extrema dificuldade e complexidade. “A instabilidade política e a desaceleração da economia, com a consequente deterioração da arrecadação dos entes federativos, inclusive a do Governo Federal, comprometem a oferta de serviços públicos básicos”, diz a carta assinada pelos governadores.

Isso se deve, segundo eles, principalmente, ao fato de que a gestão da maior parte dos serviços essenciais à sociedade ser de responsabilidade de Estados e Municípios, que dependem de transferências federais para financiar sua oferta de serviços. Esta realidade é particularmente presente na região Nordeste.

“Com o agravamento da crise, a partir do último quadrimestre de 2015, a situação financeira da maioria dos entes estaduais e municipais aproximou-se do limite. Disso resultaram casos de atraso e/ou parcelamento de salário de servidores e no pagamento de fornecedores. Essa situação vem desenhando um cenário de colapso. É real a possibilidade de interrupção de diversos serviços essenciais, uma vez que o atraso no pagamento de fornecedores acarreta dificuldades na continuidade do atendimento de demandas dos entes públicos por parte desses agentes, devido a problemas no fluxo de caixa”, alertam os governadores.

A consequência mais direta disso, segundo eles, é o desemprego crescente, que chegou à taxa nacional de 10,9% no 1º trimestre de 2016. Para o Nordeste o efeito é ainda mais danoso. O desemprego na região, no mesmo período, subiu ao patamar de 12,8%. Segundo o Caged, 139 mil empregos na região Nordeste desapareceram no período de janeiro a março de 2016. Isso significa 43,5% do total de empregos perdidos no país.

“Além da pauta federativa, continuamos atentos à questão democrática, pela convicção de que qualquer saída para a crise e a retomada do desenvolvimento passam, necessariamente, pela preservação dos princípios democráticos e pelo respeito a nossa Constituição Cidadã. Chamamos especial atenção para a necessidade de evitar retrocessos institucionais e sociais. Defendemos a manutenção das políticas públicas sociais, culturais e de gênero que promoveram inclusão e ascensão a grandes parcelas do povo brasileiro, particularmente no Nordeste”, diz o documento.

Para acrescentar: “As obras do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, que para o Nordeste são muito importantes, devem ser mantidas e continuadas, assim como o programa “Minha Casa, Minha Vida”, as políticas de distribuição de renda e de promoção de direitos humanos e culturais.

CHORORÔ PETISTA– Dos nove governadores nordestinos presentes, ontem, em Maceió, cinco se posicionaram contra a abertura do processo de impeachment de Dilma pelo Senado. Entre os que falaram mais grosso, os petistas, como Wellington Dias, do Piauí. “Precisamos de um caminho que seja via Constituição. Independentemente disso, temos que encontrar uma maneira para a estabilidade política. Isso pode ser via o retorno de Dilma ou por meio de novas eleições. O Brasil precisa de alguém com legitimidade para conduzir o País nesse momento turbulento", disse.

Ministro gostou do que viu no Recife –
De volta a Brasília depois da sua primeira viagem a Pernambuco como ministro, Osmar Terra, do Desenvolvimento Social e Reforma Agrária, não se cansava de elogiar, ontem, o que viu no Recife em relação aos programas sociais tocados pelo prefeito Geraldo Júlio. Sobre o Compaz, disse ser coisa de país de primeiro mundo, mas também elogiou bastante os cuidados da Prefeitura na gestão do programa Bolsa Família e a assistência às mães e grávidas que contraíram o vírus da Zica. Neste sentido, disse que o programa nacional de assistência às pessoas atingidas pelo vírus terá Recife como referência.

Resgatando os notáveis- O convite para que o ex-ministro Pedro Parente passe a comandar a Petrobras faz parte da estratégia do presidente em exercício Michel Temer de colocar no segundo escalão os chamados "notáveis", com perfil mais técnico. Por esse mesmo critério, para o BNDES, o nome definido foi de Maria Silvia Bastos Marques. Temer foi muito criticado por ter optado por um loteamento partidário na escolha dos ministros a fim de assegurar governabilidade no Congresso.

Quadro recifense 1– A propósito do comentário de ontem nesta coluna, sobre o convite ao DEM e PSDB para deixarem a aliança oficial, tem muita gente que concorda e aplaude o governador. A tese é que as principais lideranças desses dois partidos, tanto em nível estadual quanto nacional, demoraram muito a se decidir, usufruindo-se de cargos e benesses. Ressaltam que não há grandes perdas, a começar dentro do PSDB, onde o presidente estadual, Antônio Moraes, e o novo presidente, Elias Gomes, têm pouco ou quase nada de aderência eleitoral na capital.

Quadro recifense 2 -
 Na prática, quem estava se beneficiando era Daniel Coelho, que indicou uma penca de aliados para ocupar cargos na gestão estadual. No plano nacional, Aécio Neves, na foto ao lado, usou o muro, lavou as mãos o tempo todo, ignorando que na sua campanha de segundo turno, Geraldo, como coordenador, deu seu sangue. O tucano no Estado saiu de 3% no primeiro turno para 33% no segundo. Quanto ao DEM, por mais que Geraldo e Paulo estendessem a mão e preservassem seus espaços, a pré-candidata Priscila Krause, num eventual segundo turno, dificilmente apoiaria Geraldo.

CURTAS

VIROU ASSESSOR – O governador Paulo Câmara pensa na ideia de convidar, um a um, os quatro ministros pernambucanos para um jantar em Palácio. Quer estreitar as relações com Mendonça Filho (Educação), Bruno Araújo (Cidades), Fernando Bezerra Coelho Filho (Minas e Energia) e Raul Jungmann (Defesa). “Tudo em defesa do Estado, que está em primeiro lugar, acima de qualquer peitica política”, revela um assessor palaciano, animado com a boa iniciativa do governador. Paulo não sabe ainda quando irá a Brasília visitar todos os ministros, porque precisa, antes de tudo, elaborar projetos.

EXPANSÃO- Em conversa com o prefeito Geraldo Júlio, o diretor-superintendente da rede de farmácias Extrafarma, André Covre, um dos maiores grupos de distribuição de produtos farmacêuticos do Norte e Nordeste, anunciou, ontem, o investimento na cidade com a inauguração de mais 10 unidades da rede, que faz parte do grupo Ultra, formado ainda pelos postos Ypiranga, Oxiteno, Ultragaz e Ultracargo.

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