segunda-feira, 25 de abril de 2016

Da coluna de Magno Martins


Postado por Magno Martins

Aloysio não confirma Daniel

Para se firmar de fato como candidato a prefeito do Recife, o deputado Daniel Coelho deve aos próprios aliados de partido que não acreditam em seu voo solo uma manifestação oficial e pública da executiva nacional do PSDB. Presidente nacional da legenda, o senado Aécio Neves foge do assunto como o diabo da cruz. Líder do partido no Senado, o senador Aloysio Nunes Ferreira (SP), ligado ao grupo do senador e presidenciável José Serra (SP), deixou a entender, ontem, numa conversa com este blogueiro, que não há nada definido em relação à candidatura de Daniel.

“Este assunto deverá oportunamente ser levado ao debate nas instâncias estatutárias. O partido, obviamente, levará em conta as opiniões de nossos companheiros pernambucanos, a começar pelo próprio Daniel e também da direção nacional dada à importância estratégica do Recife”, disse Aloysio Nunes, que não definiu um calendário para isso nem tampouco falou em prazos.

A resposta seca do líder tucano só contribui para reforçar a versão que corre nas instâncias partidárias no Estado, desde o presidente Antônio Moraes ao deputado Bruno Araújo, principal liderança tucana pernambucana com assento no diretório nacional, dando conta de que Daniel não tem o aval de Aécio para entrar na disputa. E, mais do que isso, existe um entendimento do comando nacional de que o melhor para o partido é apoiar a reeleição do prefeito Geraldo Júlio (PSB).

No último fim de semana, Daniel perdeu o humor com o vazamento da notícia de que o conjunto da bancada do PSB na Câmara havia apoiado o impeachment da presidente Dilma em troca do não lançamento de uma candidatura própria a prefeito do Recife. Num vídeo, postado nas redes sociais, numa reação explosiva, o que se viu foi um Daniel colérico, falando que o PSB pernambucano estava desesperado.

O estranho, entretanto, desta candidatura de Daniel, se é que existe para valer, é o silêncio de Aécio e da executiva nacional tucana. O próprio Aloysio Nunes, na conversa com este blogueiro, em nenhum momento quis afirmar se o PSDB lança Daniel ou se compõe com Geraldo. É bom lembrar que na instância local, nenhuma liderança de peso do partido compareceu ao ato, na semana passada, em que o tucano anunciou o empresário Sérgio Bivar, filho do ex-deputado Luciano Bivar, como seu vice, numa aliança PSDB-PSL.

Estiveram ausentes o presidente Antônio Moraes, os deputados federais Bruno Araújo e Betinho, o prefeito de Jaboatão, Elias Gomes, e o secretário estadual do Trabalho, Evandro Avelar, ex-presidente estadual da legenda. No ato, esvaziado e improvisado, apenas o vereador André Régis, que faz oposição com o fígado a Geraldo na Câmara, e a ex-deputada Terezinha Nunes, esta numa posição dúbia, porque até pouco tempo presidia a Jucepe e, afastada, fez o sucessor, mantendo lá ainda apadrinhados com cargos como se fosse um feudo dela.

PROPINA DO CAIXA DOIS– Presa na carceragem da Polícia Federal com o marido, o marqueteiro João Santana, Mônica Moura complicou ainda mais a vida de Dilma. Em sua negociação para a delação premiada contou que o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, intermediou pagamentos de caixa dois para a campanha da petista em 2014. Segundo ela, o dinheiro, vivo e acondicionado em malas, foi pago por empresários acusados na Lava Jato e indicados pelo ex-ministro.

Sem horizontes–
 A pré-candidatura da deputada Priscila Krause à prefeita do Recife é encarada com ceticismo no universo do seu próprio partido. Primeiro, por falta de tempo na televisão (o DEM só tem 30 segundos) e segundo por não ter conseguido ainda sequer formar uma chapa de vereador. Além disso, o discurso dela de oposição pode cair por terra se o seu partido continuar ocupando cargos no Governo estadual.

Dinheiro sujo- Outra derrota para Dilma em sua fase de despedidas do poder: a ministra Maria Thereza de Assis Moura, do TSE, autorizou a inclusão de informações da Lava Jato e a coleta de novas provas nos processos que apuram se dinheiro ilícito bancou a campanha da presidente à reeleição. A corte investigará empresas supostamente fantasmas incluídas entre os fornecedores de campanha e tomará depoimentos de delatores da Lava Jato. A decisão deverá custar algumas noites do sono presidencial e não é a primeira vez que o testemunho de delatores é anexado aos processos do TSE.

Nova ameaça de greve– Os policiais e bombeiros militares cobraram do Governo do Estado, por meio de um comunicado, um reajuste e reposição salarial de 25% nos vencimentos. Segundo a Associação de Praças de Pernambuco, o salário da categoria é um dos piores do Brasil. Com uma assembleia marcada para o próximo dia 27, os policiais alertam que "a sociedade deve ficar atenta. A insatisfação é real e cada vez maior". Segundo o comunicado, "o Governo potencializa uma crise econômica que não é do tamanho que eles dizem, tentando confundir a opinião pública, como a imprensa está disseminando e se aproveita para usar isso contra o servidor”.

Lóssio na cota de Temer? –
 Um dos políticos pernambucanos ligados ao PMDB que o vice-presidente Michel Temer tem feito mais elogios é o prefeito de Petrolina, Júlio Lóssio. Virando presidente, o que deve ocorrer até o final da primeira quinzena de maio, Temer com certeza deve convocar Lóssio para alguma missão. Sem trânsito no PT, embora respeitado pela presidente Dilma, foi a Temer que Lóssio recorreu nas horas de dificuldade para destravar projetos de interesse do município e liberar verbas federais. Não é por acaso que Petrolina tem um dos melhores resultados no programa Minha Casa, Minha Vida.

CURTAS

EM GRAVATÁ– O governador Paulo Câmara participou de ato de filiações ao PSB em Gravatá. O diretório municipal contabilizou 170 novos socialistas. Em nome de todos os novos filiados, Câmara abonou as fichas dos vereadores João Paulo de Lemos (ex-PDT) e Nino da Gaiola (ex-PTB). Entre os presentes, o presidente da Assembleia, Guilherme Uchoa (PDT), que após o ato recebeu o governador na festa do seu aniversário.

CONTESTAÇÃO– Em nota, o presidente da Associação de Praças de Pernambuco, José Roberto Vieira, bate duro no secretário de Administração, Milton Coelho. “Ele teve ousadia de afirmar que, tirando a questão salarial, todos os demais itens da pauta foram atendidos. Não foram. Estão sendo literalmente proteladas, em reuniões da comissão permanente de negociação e das quais ele raramente participa”, disse Vieira.

Perguntar não ofende: Diante da derrocada de Dilma, por que Lula não se antecipa ao STF e diz que não deseja mais ser ministro?

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