Lula ministro agravou a crise
A principal missão de Lula no ministério de Dilma Rousseff é trabalhar pelo arquivamento do processo de impeachment
Lula aceitou ser ministro de Dilma num ato de desespero dele e dela. Por trás dessa aceitação está embutido o seu desejo de livrar-se da toga do juiz Sérgio Moro para ter prerrogativa de foro no STF, porém isso não salva a sua pele. O ex-ministro José Dirceu foi processado e julgado no Supremo e nem por isso foi inocentado no processo do mensalão. A entrada de Lula no governo em vez de esmaecer vai agravar a crise política, dado que sua principal missão é ajudar Dilma a livrar-se do impeachment, do qual a oposição não abre mão. Ela está fragilizada no Congresso e ele, mesmo sob investigação da Lava Jato, tem em tese melhores condições para arregimentar os 172 votos necessários ao arquivamento do processo. No entanto, diante dos protestos pelo ato de nomeação em frente ao Palácio do Planalto, isso se tornou mais difícil. A presidente, que já não pode mais andar nas ruas, ainda pode renunciar se não quiser esperar pelo impeachment
Um leproso no Senado
Delcídio Amaral (ex-PT) será recebido como “leproso” quando se reapresentar no Senado para trabalhar. Que senador terá coragem de estender-lhe a mão depois que ele “dedurou” Dilma, Lula, Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Aécio Neves, Humberto Costa e dezenas de outros políticos do governo e da oposição? Ele não tem mais ambiente para circular na Casa e sua alternativa menos ruim seria a renúncia ao mandato para cuidar apenas da defesa e da família.
Permuta – Foi combinada com o prefeito Geraldo Júlio (PSB) a saída do deputado Alberto Feitosa do PR para se filiar ao Solidariedade. Feitosa estava desconfortável no partido desde que Inocêncio Oliveira perdeu a presidência para o deputado Anderson Ferreira, que pôs a faca nos peitos do prefeito: só o apoiará no Recife se o PSB apoiá-lo para a prefeitura de Jaboatão.
Pressão – A vereadora Isabela de Roldão (PDT) será informada muito brevemente de que tem apenas dois caminhos na eleição do Recife: candidatar-se a prefeita ou apoiar Geraldo Júlio.
Fracos – PT, PMDB e PSDB, que são os maiores partidos políticos do Brasil, não têm sequer um vereador em Caruaru que é a maior cidade do interior de Pernambuco (330 mil habitantes).
Foco – Por mais que apareçam tucanos na delação premiada de Delcídio do Amaral, os focos da mídia são Lula, Dilma e o PT. Nada do que se disse sobre o senador Aécio Neves “colou”.
Acerto – Do deputado Ricardo Teobaldo sobre Ettore Labanca (ex-prefeito de São Lourenço) ter declarado que o PTB de Pernambuco está morrendo: “Todas as movimentações que fizemos foram combinadas com Armando (Monteiro) para fortalecer a Oposição. Mantivemos o controle do PTB e agregamos o PTN, o PTdoB e o PRB”.
Acordo – Sebastião Oliveira (PR) já comunicou a Paulo Câmara que não pretende afastar-se da Secretaria dos Transportes para candidatar-se pela 2ª vez à prefeitura de Serra Talhada. Examina uma proposta de acordo com o prefeito Luciano Duque, caso este vá para o PSB ou para o PR. Indicaria o vice e seria apoiado por ele (prefeito) em 2018.
Dívida – O ministro Nélson Barbosa assumiu compromisso com os 15 governadores de alongar por 20 anos as dívidas dos estados com a União, mas exige uma contrapartida deles: dois anos sem dar reajuste ao seus servidores, limitar o crescimento da despesa corrente à variação da inflação e não contrair novas dívidas em bancos internacionais. Pernambuco, que está com um pedido de empréstimo engatilhado no Banco Mundial, sairá prejudicado.
Justiça – O governador Paulo Câmara não “inventou a roda” ao escolher Sílvio Neves Baptista Filho, 3º colocado na lista tríplice, para o cargo de desembargador do Tribunal de Justiça pelo Quinto Constitucional da OAB. Como não estava obrigado a nomear o 1º da lista, o defensor público José Antônio Fonseca de Mello, escolheu o candidato com quem tinha maior afinidade. Que, além de pertencer a uma família de juristas, tem currículo impecável.
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