segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Da coluna de Inaldo Sampaio


 
 
 
A política vai tirar Dilma do Planalto
Postado  por Inaldo Sampaio

Coluna Fogo Cruzado – 14 de dezembro de 2015

Dilma chegou ao governo pela política (eleições diretas) e pela política (impeachment) deverá ser afastada da Presidência da República

Dilma Rousseff não será afastada da Presidência da República por desonestidade, como ocorreu com Collor, tampouco por conta das “pedaladas fiscais” identificadas pelo TCU. Ela deverá perder o cargo por não ter mais nada a fazer à frente do governo. Atirou o Brasil na mais grave crise dos últimos 20 anos e não tem força política para mudar o rumo dos acontecimentos. Chegou ao poder pela política e pela política deverá sair antes do tempo, chame-se isto golpe ou impeachment. A presidente não tem mais apoio popular para ficar no governo e o respaldo político que o Congresso lhe dá está se evaporando. Os 199 votos que ela obteve na eleição para a escolha dos membros da comissão do impeachment da Câmara Federal podem virar 100 em pouco tempo se Brasil chegar a 2016 pior do que está saindo de 2015. Ela perdeu o apoio do Congresso, da grande imprensa, e das elites políticas e econômicas, e só um milagre a salvará.

Pelo convencimento do PSB

Ficaria feito para o vice Michel Temer defender abertamente o impeachment de Dilma. Por isso ele escalou o tucano José Serra (PSDB) para conversar com líderes políticos que ainda hesitam em embarcar na canoa do impeachment, como é o caso de Paulo Câmara (PSB). O senador ofereceu-se para fazer uma palestra no Palácio das Princesas sobre os “30 anos de democracia” e voltou a SP convencido de que convenceu o governador de PE de que Dilma tem que sair.

Idade – Com a adesão do PSDB à tese do impeachment, cresce a importância de José Serra nas tropas do vice Michel Temer. Serra tem mais de 70 anos e sabe que o seu partido não lhe dará legenda em 2018 para disputar a Presidência pela terceira vez. No entanto, se arrumar a economia num eventual governo de Temer, poderá viabilizar-se politicamente pelo PMDB.

Paz – O casal Waldemar Borges (PSB)/Luciana Santos (PCdoB) convive democraticamente com a tese do impeachment. Ele tem simpatia pela queda de Dilma e ela é radicalmente contra.

Agenda – Sileno Guedes, presidente regional do PSB, participou anteontem em Jaboatão da 1ª reunião da “Agenda 40” promovida pelo vice-prefeito Heraldo Selva com vistas a 2018.

Chega! – Em seu editorial de ontem (1ª pagina), a “Folha de São Paulo” defende a saída de Eduardo Cunha da presidência da Câmara Federal, o que deverá ocorrer apenas em 2016.

Guerra – Do mesmo jeito que Michel Temer (PMDB) escalou Serra (PSDB) para dar palestras pelo Brasil em favor do impeachment, Dilma Rousseff escalou Ciro Gomes, recém filiado ao PDT, para fazer o contraponto. Ciro já passou por Minas, Maranhão e Rio Grande do Sul denunciando a “tentativa de golpe” contra a presidente.

40 anos – Médicos da turma de 1975 da Faculdade de Ciências Médicas comemoram ontem em Porto de Galinhas os 40 anos de formatura. Três deles se elegeram prefeito: Antônio Valadares (São José do Egito), Bartolomeu Quidute (Garanhuns) e Alberto Machado (Sirinhaém). Um quarto, José Costa, é tio do ex-prefeito João da Costa (Recife).

Protestos – Ficaram aquém do esperado as manifestações de rua pelo impeachment de Dilma que ocorreram ontem em cerca de 100 cidades brasileiras (no Recife o protesto foi no Marco Zero). Deduz-se que parcela dos brasileiros que rejeita o governo não apóia a queda da presidente. A baixa presença de público deverá ocorrer também no próximo dia 16 quando entidades que defendem o governo sairão às ruas contra o “golpe”.

Recepção – O deputado Daniel Coelho (PSDB) foi esperar Serra na sala vip do Aeroporto dos Guararapes, na última sexta-feira, mas se negou a ouvir a palestra dele no Palácio do Campo das Princesas. Nada contra o governador Paulo Câmara, que considera “humilde e bem intencionado”, e sim contra o prefeito Geraldo Júlio (PSB) com quem não gostaria de se encontrar. Coelho pretende enfrentar o prefeito nas eleições do próximo ano.

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