por Ancelmo Gois
Os chineses escolhem um animal para designar o ano. A coluna optou por um personagem de ficção. No caso, Pinóquio — cujo nariz cresce à medida em que mente —, criado em 1883 pelo italiano Carlo Callodi. Aqui, a coluna lista dez mentiras do ano de 2015 — umas bem graves, outras nem tanto.
1) “Eu não sou preconceituoso, mas...” Geralmente quem diz isso é gente mentirosa, embora envergonhada, que tem, sim, preconceito. Em 2015, com uma agenda conservadora forte tanto na Câmara de Eduardo Cunha quanto na sociedade, não faltou este tipo de mentira.
2) Dilma, na eleição do ano passado, prometeu casa, comida e roupa lavada aos brasileiros. Entregou recessão, inflação e desemprego.
3) Em junho, após ser derrotado na questão das biografias no STF, Roberto Carlos disse que sempre defendeu a liberdade de expressão.
4) A bancada do PSDB na Câmara apoiou, no primeiro semestre, várias pautas bombas contra a Dilma, cujo conteúdo ia de encontro a um dos mantras dos tucanos, a responsabilidade fiscal.
5) A Samarco disse que, desde o dia do rompimento da barragem de Fundão, tem prestado esclarecimentos à população. Mentira. Só abriu a boca para valer depois que o país explodiu em indignação.
6) Marco Polo Del Nero disse que não ia à reunião da Fifa no dia 20 de outubro, na Suíça, porque tinha outros compromissos no Brasil. Mentira. Estava era com medo de ir em cana, como foi seu antecessor na CBF, José Maria Marin.
7) O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse, no Congresso Mundial Sionista, em outubro, que Hitler não queria exterminar os judeus, e que a ideia partiu do “mufti” de Jerusalém, líder religioso muçulmano. Foi desmentido até por historiadores israelenses.
8) Eduardo Cunha disse, na CPI, que não tinha conta na Suíça. Pego em flagrante, “explicou” que ganhou quele dinheiro todo com a venda de carne para a África. A medicina chama mentira em dobro de mitomania. Mas, em Frei Paulo, tem outro nome: falta de vergonha.
9) Mentira leve, daquelas em que, no máximo, aparece uma mancha branca na unha. Maitê Proença, a querida atriz, prometeu ficar nua se o Botafogo subisse. Cumpriu só, digamos, 50% da promessa.
10) Outra do gênero: em agosto, Eurico Miranda, o cartola vascaíno, disse que, se o seu clube caísse para a Série B, ele iria para bem longe: a Sibéria.
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