domingo, 13 de setembro de 2015

Cai a parte da indústria no PIB. Setor culpa o governo



Postado por Magno Martins


Da Folha de S.Paulo - Valdo Cruz

Reflexo da recessão econômica, a participação da indústria de transformação na economia deve encolher ainda mais neste ano.

Previsão da CNI (Confederação Nacional da Indústria) feita para a Folha aponta que o setor mais nobre da indústria, o da manufatura, vai fechar 2015 representando apenas 9% do PIB (Produto Interno Bruto), depois de encerrar o ano passado com uma fatia de 10,9%.

O nível é o mais baixo registrado na série com metodologia comparável do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que começa no ano 2000.

A CNI afirma, contudo, que os dados indicam que o país está retornando a patamares pré-industrialização, do fim dos anos 1940.

O presidente da entidade, Robson Andrade, tem uma estimativa ainda mais pessimista para os próximos anos. "Infelizmente, nossa participação tende a cair para 8%", diz ele sobre o futuro da indústria da transformação, de maior valor agregado e que produz, por exemplo, bens de consumo duráveis e máquinas e equipamentos.

O ministro Armando Monteiro (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) classifica a queda como "preocupante" por estar ocorrendo de forma " Ele lembra que essa redução é normal em economias mais maduras, mas não nas de países de renda média, como a brasileira. Mesmo assim, destaca, nos Estados Unidos a participação está acima da do Brasil, na faixa de 13% a 15% do PIB norte-americano.

Armando Monteiro diz que a queda acentuada em 2015 é justificada por "estarmos num ano atípico, de forte retração do crédito, afetando indústrias importantes, como a automotiva e a de bens de consumo duráveis".

Ele destaca que, diante do cenário de incerteza na economia, o consumidor está adiando a troca do carro, da geladeira e do televisor.

O ministro espera, porém, uma recuperação do setor por causa do dólar mais competitivo. "A indústria voltada para exportação está melhorando, o que vai ajudar a recuperar o setor da manufatura", aponta.

Em sua opinião, o dólar mais valorizado, diante do novo cenário mundial de fim do ciclo das commodities, veio para ficar e vai ajudar a indústria nacional a substituir produtos que até pouco tempo estavam sendo importados.

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