Josias de Souza
“Vamos nos mobilizar em todas as cidades”, declarou o dirigente petista. “Fazer pequenos atos, plenárias, panfletagens. PT na rua em defesa da democracia, da Petrobras, dos direitos dos trabalhadores, contra a corrupção, reforma política.”
A data escolhida evoca o golpe militar de 1964. Coisa proposital, a julgar pelo modo como Falcão encerra o seu chamamento. “Vamos nessa”, ele diz, numa segunda recaída adolescente. “Democracia sempre mais, ditadura nunca mais!”
Na previsão do presidente do PT, a maior concentração de pessoas ocorrerá em São Paulo. Será na quadra do Sindicato dos Bancários, mais fácil de encher do que a Avenida Paulista, palco tradicional de manifestações.
O PT pega carona numa convocação alheia. Um grupo de entidades sindicais e sociais vinculadas ao petismo —à frente CUT, MST e UNE— marcou para o mesmo dia 31 de março “plenárias em todo o Brasil”. Trata-se daquele mesmo grupo que liderou as manifestações pró-Dilma Rousseff em 13 de março —largamente suplantadas dois dias depois, em 15 de março, pelos protestos anti-Dilma.
Embora ninguém admita, “pequenos atos” do PT destinam-se a fixar um contraponto com novas manifestações contra o governo Dilma, já marcadas para 12 de abril. As comparações numéricas entre os protestos “chapa quente” e os eventos chapa banca podem resultar em novo constrangimento para o governo.
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