quinta-feira, 11 de setembro de 2014

QUEM VAI SAIR PERDENDO, POR ZUENIR VENTURA


No tiroteio virtual em que está se transformando a campanha presidencial, é possível que nenhum tiro seja disparado para matar, só para ferir a imagem do outro.

Quem indicou a estratégia a ser seguida foi a presidente Dilma, ao advertir os principais concorrentes para “não esquecer seus telhados”, deixando subentendido que todos os têm de vidro.

Ela, por haver contribuído com a maior representação de aliados no mais recente escândalo da Petrobras; Marina, pela citação do ex-governador Eduardo Campos; e Aécio, cujo partido não entrou na lista do delator Paulo Roberto Costa, mas tem uma significativa participação em malfeitos como o mensalão mineiro e o metrô de São Paulo.

Os atingidos de agora alegam que faltam provas, e é verdade. Mas será que um diretor da empresa durante oito anos, ex-homem de confiança de Lula e de Dilma, seria tão aloprado a ponto de denunciar como corruptos um ministro, três governadores, 25 deputados e seis senadores sem que pudesse comprovar o envolvimento deles, sabendo que o descumprimento do acordo de delação lhe custaria uma condenação que poderia chegar a 30 anos de prisão?

Diante desse quadro, os estrategistas procuram saber até que ponto essas graves revelações comprometem as candidaturas. No caso de Dilma, estima-se que elas só teriam efeito eleitoral contraproducente se o seu nome fosse citado, o que não aconteceu até agora.

Um precedente reforça essa tese. Em 2005, o mensalão do PT, com toda a repercussão negativa que teve, não impediu a reeleição de Lula no ano seguinte, nem a eleição da própria Dilma, que usa agora o mesmo argumento do seu tutor: não sabia de nada.

Embora no começo do ano 80% das pessoas ouvidas pelo Datafolha já percebessem que havia corrupção na Petrobras, a ex-ministra de Minas e Energia e ex-presidente do Conselho de Administração da companhia “não tinha a menor ideia” dos crimes que aconteciam em seu entorno e eram perceptíveis até para o homem da rua — que a estatal se transformara numa destilaria de escândalos bilionários.

Afinal, quem vai sair perdendo (ou ganhando) com a bomba lançada pelo ex-diretor da Petrobras? Ele teria confessado a um colega de cela que, se contasse tudo o que sabe, não haveria eleição.

O delator ainda vai ter umas três semanas para esgotar o que tem a contar. De qualquer maneira, uma coisa é indiscutível. A política é, com toda a certeza, a maior prejudicada com mais esse escândalo, que envolve tantos partidos e reforça o imaginário popular, para quem “todo político é igual” e “todos são desonestos”.

Dilma Roussef - Foto: André Coelho / Agência O Globo



Zuenir Ventura é jornalista.



Fonte: Blog do Ricardo Noblat

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