Para muitos, a luz vermelha do semáforo é o momento de parar. Para esses jovens, é hora de trabalhar. Enquanto os carros, motocicletas e ônibus esperam o sinal abrir, os condutores são atraídos por uma festa de cores, sorrisos e legendas partidárias. Equipes de trabalho das campanhas de Armando Monteiro (PTB) e Paulo Câmara (PSB) ao governo do estado disputam a atenção do eleitorado nos cruzamentos das principais vias da cidade. Na medida que a data de votação se aproxima, cada vez mais é possível encontrar os cabos eleitorais pela cidade.
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| Foto: Rapha Oliveira/Esp.DP/D.A Press |
Na Rua Conselheiro Portela com a Avenida Conselheiro Rosa e Silva, nos Aflitos, o grupo de divulgadores de Paulo Câmara soma seis pessoas. O palco fica livre para os atores durante 43 segundos, tempo que a luz verde acende. Não, eles não caminham, não distribuem panfletos, não interagem diretamente com sua plateia, aliás, se posicionam de costas para ela. São outdoors humanos. Postados lado a lado, os atores exibem o rosto do protagonista da peça publicitária, impresso nos objetos que eles carregam no dorso, quatro banners retangulares e dois “pirulitos” no total.
O boné é peça obrigatória no figurino do elenco exposto ao sol das 8h às 17h, com uma parada de duas horas para o almoço. O trabalho informal lhes rende um salário mínimo, recebido em parcelas semanais. O grupo foi recrutado por uma agência contratada pelo partido, mas disse não saber informar o nome da empresa. Na tarefa monótona, há espaço para diversão. Questionado se havia criado simpatia pelo candidato socialista, Alexsandro Silva, de 19 anos, não se acanhou. “Enquanto eu estiver recebendo meu pagamento direitinho, toda segunda-feira, eu saio dizendo pra todo mundo: ‘ele é o cara, minha gente!’”, brinca, para o riso de seus colegas.
Risos também não faltam no outro lado da Rua Conselheiro Portela no time de Armando Monteiro. Enquanto os membros da equipe amarela diferem em suas idades e tipos físicos, o pelotão azul chama atenção por ser mais homogêneo nesses aspectos, além de estarem em maior número. Moças e rapazes, entre 18 e 29 anos, igualmente bonitos e sorridentes aproveitam os 43 segundos do semáforo vermelho para se infiltrar nas fileiras de carros, distribuindo santinhos e colando adesivos nos veículos sob a permissão dos proprietários. “Somos da juventude do partido e não estamos cobrando para participar da campanha, pois acreditamos no projeto da candidatura de Armando”, garante Amauri Lopes, o jovem responsável por coordenar o plantel.
O grupo da Conselheiro Portela é voluntário, mas existem equipes remuneradas na campanha de Armando Monteiro, atuando em outros pontos da cidade. Em um semáforo no bairro de Casa Forte, também na área norte, uma mulher que preferiu não se identificar contou que foi contratada por uma agência chamada Três Marias para fazer a panfletagem do petebista pelo valor mensal de R$ 900 mais uma ajuda de custo de R$ 300.
Apesar da disputa pela atenção dos motoristas e passageiros, a paz entre grupos reina. “A gente não conversa muito, mas rola o maior respeito”, assegurou Claudia Carvalho, da turma de Armando. “Eles não conversam com a gente, mas também não têm muito tempo pra isso, né?”, avalia Jéssica Souza, do time de Câmara. Enquanto o semáforo está aberto, os dois pelotões ficam concentrados em lados opostos da via, bem como os candidatos que defendem se encontram na disputal eleitoral. O clima não é de camaradagem, é verdade, mas também não chega a ser de rivalidade. Simplemente não surgem oportunidades para o contato quando existe uma pista movimentada separando as facções. Quando a pista para, o trabalho chama.
Fonte: Diário de Pernambuco

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