domingo, 25 de agosto de 2013

A PALAVRA DO BISPO: "RIOS DE ÁGUA VIVA" - POR DOM BERNARDINO MARCHIÓ.

A Diocese de Caruaru promove, neste domingo (25), um evento denominado “Rios de Água Viva”, uma clara referência à cidade do Rio de Janeiro, onde aconteceu a Jornada Mundial da Juventude.


Dom Bernardino Marchió
Bispo Diocesano

Há também uma ligação importante com a Bíblia. São João escreve no capítulo 7 do seu Evangelho: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba quem crê em mim”. Diz ainda a escritura: “Do seu interior correrão rios de água viva” (Jo 7,37). A humanidade tem sede de esperança porque no profundo do seu coração tem sede de Deus. E tem também sede de verdade, de justiça, de liberdade.

Nessa festa que a Diocese promove, nos deixaremos guiar pela Palavra de Deus, que nos mostra o caminho da vida e da felicidade, e pelos ensinamentos do papa Francisco. Na verdade, ele vem se tornando um referencial para a humanidade. E o será sempre mais para a Diocese de Caruaru.

Milhões de jovens e outros (não tão jovens assim) receberam no dia da Jornada Mundial da Juventude uma catarata de mensagens papais em várias dimensões para grupos específicos. Aqui se compilam algumas das suas reflexões questionadoras em busca de uma sociedade mais justa e democrática. O mundo dos políticos, dos que detêm o poder, dos que temem as multidões quando se agitam, devem ter ficado incomodados.

Aos políticos que maculam a atividade política com suas máquinas de comprar votos, o papa lembrou ‘‘a tarefa de reabilitar a política, que é uma das formas mais altas de caridade”, destacando que ‘‘os jovens possuem sensibilidade especial frente às injustiças, mas muitas vezes se desiludem com notícias de corrupção”. Aos que subordinam a função pública ao jogo bruto dos interesses econômicos, desde as eleições, o papa contrapôs ‘‘uma visão humanista da economia e da política, que realize cada vez mais a participação das pessoas, evitando elitismo e erradicando a pobreza, asseguradas a todas dignidade, fraternidade e solidariedade”.

Ao falar à classe dirigente do país, o papa Francisco mostrou a necessidade de olhar para o futuro com o olhar da verdade. ‘‘Todos aqueles que possuem um papel de responsabilidade, em uma Nação, são chamados a enfrentar o futuro ‘com os olhos calmos de quem sabe ver a verdade’, como dizia o pensador brasileiro Alceu Amoroso Lima (…)”. E acrescentou: ‘‘É impossível imaginar um futuro para a sociedade, sem uma vigorosa contribuição das energias morais numa democracia que permaneça fechada na pura lógica ou no mero equilíbrio de representação de interesses constituídos”.

Francisco apontou o diálogo como caminho para a democracia e sublinhou o papel das religiões no Estado laico. ‘‘Considero também fundamental neste diálogo a contribuição das grandes tradições religiosas, que desempenham um papel fecundo de fermento da vida social e de animação da democracia. Favorável à pacífica convivência entre religiões diversas é a laicidade do Estado que, sem assumir como própria qualquer posição confessional, respeita e valoriza a presença da dimensão religiosa na sociedade, favorecendo as suas expressões mais concretas”.

Finalmente, ressaltou a necessidade dos dirigentes favorecerem a cultura do encontro. ‘‘A única maneira para uma pessoa, uma família, uma sociedade crescer, a única maneira para fazer avançar a vida dos povos é a cultura do encontro; uma cultura segundo a qual todos têm algo de bom para dar, e todos podem receber em troca algo de bom. O outro tem sempre algo para nos dar, desde que saibamos nos aproximar dele com uma atitude aberta e disponível, sem preconceitos. Esta atitude aberta, disponível e sem preconceitos, eu a definiria como ‘humildade social’ que é o que favorece o diálogo…”

As palavras do papa e, sobretudo, as suas atitudes serão um “rio de água viva” para a nossa Igreja Católica. 
 Por Jornal de Caruaru

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