sexta-feira, 18 de maio de 2012

MARQUETEIRO DO PT: A POLÍTICA É TEATRO SEM FICÇÃO


Em seminário preparatório para a cruzada eleitoral de 2012, o jornalista João Santana, marqueteiro do PT, discorreu sobre as mumunhas das campanhas para uma plateia de candidatos a prefeito e a vereador. A alturas tantas, Santana sapecou: “Política é teatro, mas não é ficção”.

Noutro trecho de sua fala, Santana como que injetou carne e osso no raciocíno: “Se Dilma não tivesse biografia e talento, não adiantaria.” Responsável pela campanha de Fernando Haddad, em São Paulo, mostrou-se otimista quanto às chances de impor a José Serra, o mesmo antagonista de 2010, uma nova derrota.

A analogia de João Santana é boa. Política e teatro. Realidade e ficção. A diferença é que, no teatro genuíno, as pessoas vão ao espetáculo. Na política, o espetáculo invade-lhes a vida. De resto, a realidade das campanhas costuma resumir-se a bombom com licor. Perde-se o melhor da ficção.

Gênio da dramaturgia, Nelson Rodrigues ensinou: “A ficção, para ser pacificadora, precisa ser atroz. O personagem é vil para que não o sejamos. Ele realiza a miséria inconfessa de cada um de nós. […] Para salvar a plateia, é preciso encher o palco de assassinos, de adúlteros, de insanos, em suma, de uma rajada de monstros.”

O palco da política também está apinhado de miséria humana. Porém, graças à arte dos marqueteiros, uma característica curiosa dos monstros se observa na realidade das campanhas. Eles estão sempre nos outros programas eleitorais de tevê.
 
Por Josias de Souza

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