sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Da coluna de Magno Martins


Por Magno Martins 

A equação petista

Por Arthur Cunha – especial para o blog

Montar um governo não é tarefa fácil. Montar um governo com o PT, onde o PT não é o protagonista, é ainda mais difícil. A equação petista em Pernambuco é melindrosa. E o governador Paulo Câmara tem procurado contemplar os diversos grupos do partido que foram importantes na sua vitória. O diálogo tem sido direto com o senador Humberto Costa, que ainda não se voltou às bases para auscultar os correligionários. O tempo está se esgotando, e a base petista – até em decorrência da falta de perspectiva de poder no nacional – está tendo picos de ansiedade aqui no estado.

O denominador comum está perto de ser alcançado. Ele aponta para a Secretaria de Agricultura, que passará a ter um perfil cujo foco será a Agricultura Familiar, ou seja, mais próximo a um segmento com DNA petista. Nesse desenho, Paulo contempla um compromisso de campanha e reforça seus laços com os movimentos ligados à terra. Mas se afasta do ministério de Bolsonaro, que será comandado por uma ruralista. Falta, ainda, o nome. Palacianos ressaltam que primeiro é preciso bater o martelo quanto à diretriz da pasta. Só depois o processo afunila para o escolhido.

Três quadros petistas figuram entre as possibilidades, sendo muito difícil um deles não ser o convocado: o estadual eleito Doriel Barros, da Fetape, o federal eleito Carlos Veras, da CUT, e o deputado estadual Odacy Amorim, que tem um eleitorado próprio no São Francisco. Fontes palacianas apontam que, nesta etapa das negociações, a opção Carlos Veras ganha força porque resolve, de uma forma mais abrangente, a equação petista. Convocado, Veras abriria vaga em Brasília para Odacy, primeiro suplente do partido.

A movimentação do deputado federal eleito reforça esse movimento. Carlos Veras já passou a elogiar o governador e a se afastar da vereadora Marília Arraes, uma das principais opositoras do PSB, também eleita federal. Esse é o cenário de hoje. As conversas estão avançando e devem chegar a uma conclusão na próxima semana com Humberto levando o desenho para a base chancelar. Mas o prego ainda não está batido. Por isso, a palavra de ordem é cautela.

Várias... – A equação petista tem ainda três contas a serem resolvidas. Elas atendem por Oscar Barreto, João da Costa e Dilson Peixoto. Eu explico. O trio teve um papel relevante na volta do PT à Frente Popular. Pelo esforço, tiveram a garantia tácita de ocuparem espaços. João da Costa é suplente de estadual e de vereador. Pode ser contemplado com um mandato na Alepe no caso de Doriel Barros ser chamado. Também pode ir para a presidência de um órgão vinculado à pasta que ficará com o PT, caso não tenha espaço na Assembleia.

... Variáveis – Nesse cenário, com João da Costa em outro espaço que não a Câmara do Recife, Oscar Barreto assumiria o mandato de vereador – ele passará a ser suplente de João da Costa, que herdará a vaga de Marília Arraes. Faltaria aí resolver Dilson Peixoto, que pode ir para algum cargo na secretaria ou em um órgão vinculado. Muito ligado a Humberto Costa, ele terá no senador um cabo eleitoral forte.

Plano B – Existe, no núcleo duro do governador, quem defenda a ida do PT para uma pasta não tão relevante como a Agricultura, mas que mantenha o diálogo com os segmentos sociais. A Secretaria de Habitação, que dialoga com movimentos ligados à moradia, surgiu como um plano B. A pasta estava na mira do PCdoB. O que gerou ameaça de protestos em frente ao Palácio por parte dos movimentos, que têm uma treta com os comunistas desde os tempos do governo Luciana Santos, em Olinda.

Resistência – O título de líder da resistência petista à Frente Popular ficará mesmo com a vereadora Marília Arraes, que tentou de tudo para ter o aval do partido e concorrer ao Palácio do Campo das Princesas. Marília, que teve um caminhão de votos para deputada federal, vai para Brasília ano que vem. A petista continuará na oposição ao governador e pode tentar novamente o sinal verde da legenda, desta vez para concorrer à Prefeitura do Recife em 2020. Muita água ainda vai rolar.

CURTAS

SUJO – A série “O sujo falando do mal lavado” volta hoje com o embate entre Ciro Gomes e João Dória. O governador eleito de São Paulo processou o eterno presidenciável do PDT, que o chamou de “farsante” e “lobista”. “Esses piqueniques de barão que ele (Dória) promove, tudo é financiado por dinheiro público e dá banca para ele fazer ‘lobby’”, atirou Ciro, na ocasião. Não deixa de ser verdade.

MAL LAVADO – O que Ciro Gomes se esquece de dizer na sua verborragia é que ele é político profissional há 38 anos, sempre vivendo de ocupar cargos públicos. Sua família figura na política do Ceará desde o início do século retrasado. Aos 20 anos, o jovem Ciro virou procurador do município de Sobral. Brilhante, não é? Não, se mencionarmos que o prefeito na época era o pai do ex-governador.

CELEBRAÇÃO – Muito prestigiada a terceira edição do almoço de final de ano em homenagem ao ex-deputado Roberto Magalhães, organizado por Fred Oliveira e Carlos Gueiros. O ato, realizado no Recife, reuniu muita gente dos ramos político, empresarial e jurídico; todos já trabalharam com Doutor Roberto.

Perguntar não ofende: Até onde vai o poder das milícias no Rio de Janeiro?

Nenhum comentário:

Postar um comentário