quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Por Onyx, Jair Bolsonaro adota um redutor ético


Por Magno Martins
Josias de Souza

Jair Bolsonaro aplicou um redutor no discurso anticorrupção que havia entoado na campanha eleitoral. Ao comentar a notícia sobre investigação que vincula seu chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, com uma nova suspeita de caixa dois, Bolsonaro declarou: ''É muito difícil hoje em dia você pegar alguém que não tenha alguns problemas, por menores que sejam. Os menores, logicamente, nós vamos ter que absorver. Se o problema ficar vultoso, você tem que tomar uma providência''.

Onyx já havia admitido, no ano passado, o recebimento de R$ 100 mil no caixa dois na campanha de 2014. Documentos exibidos pela Folha de S.Paulo revelam que delatores da JBS acusaram o ministro de Bolsonaro de apanhar por baixo da mesa outro repasse ilícito de R$ 100 mil em 2012. Onyx chamou o noticiário de “requentado”. Atribuiu a novidade a um hipotético “terceiro turno” da disputa presidencial. Ele atacou o jornal, insinuando que tem um viés petista.

Onyx pode ser a mais imaculada das criaturas. Mas há um procedimento aberto contra o futuro ministro na Procuradoria da República. E não será com lero-lero ou ataques à imprensa que o ministro irá se explicar. A integridade é como a gravidez. Nenhuma mulher pode estar um pouquinho grávida, assim como não pode haver um político um pouco honesto. Ou Bolsonaro entende que não é hora de fixar gradações para a honestidade ou desmoralizará rapidamente o esforço anticorrupção que Sergio Moro promete implementar

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