domingo, 30 de setembro de 2018

Mourão é mais que um general em loja de louças

Por Magno Martins 
Por Josias de Souza

Cada vez que Hamilton Mourão dá uma de general em loja de louças, há vergonha e escândalo na enfermaria do hospital Albert Einstein. Além de constranger, as palavras do vice radioativo irritam Bolsonaro, que vai perdendo a primazia na produção do material tóxico que mantém sua candidatura na crista da onda de polêmicas. No seu penúltimo sincericídio, Mourão classificou o décimo-terceiro salário e as férias como “jabuticabas brasileiras”.

Mourão voltou a soltar a língua numa palestra para lojistas na cidade gaúcha de Uruguaiana. Disse o seguinte: “Temos algumas jabuticabas que a gente sabe que é uma mochila nas costas de todo empresário. Jabuticabas brasileiras: 13º salário. Se a gente arrecada 12 [meses], como é que nós pagamos 13? É complicado. E é o único lugar onde a pessoa entra em férias e ganha mais. É aqui no Brasil. São coisas nossas, a legislação que está aí, é sempre aquela visão dita social, mas com o chapéu dos outros, não é com o chapéu do governo.”

Quando a polêmica já estava acesa, Bolsonaro correu às redes sociais para borrifar saliva nas labaredas: ''O 13° salário do trabalhador está previsto no art. 7° da Constituição em capítulo das cláusulas pétreas (não passível de ser suprimido sequer por proposta de emenda à Constituição)”, escreveu o capitão, antes de chutar a canela do seu vice: “Criticá-lo, além de uma ofensa à quem trabalha (sic), confessa desconhecer a Constituição''.

Perto de Mourão, Bolsonaro ora se parece com um novo Vargas, ora ganha a aparência de um neo-Gandhi. Antes de esclarecer o que pensa sobre os direitos trabalhistas, o vice do capitão já havia declarado que lares conduzidos por mães e avós são fábricas de filhos desajustados. De resto, atribuíra os males do Brasil à herança ibérica, à “indolência” dos índios e à “malandragem” dos africanos.

Se Bolsonaro frequentasse as pesquisas eleitorais como um traço imperceptível, o pensamento de Mourão seria apenas mais uma esquisitice preconceituosa. O diabo é que Bolsonaro lidera a corrida presidencial. Seu favoritismo momentâneo faz de Mourão muito mais do que um mero general solto numa loja de louças. A personificação da radioatividade tornou-se potencial vice-presidente da República. Assim, depois do lançamento da campanha #EleNão, talvez fosse conveniente difundir uma hashtag preventiva: #RezePelaSaudeDele.

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