terça-feira, 15 de agosto de 2017

Da coluna de Inaldo Sampaio


Bases regionais do PSDB estimulam João Doria para ser candidato a presidente em 2018

O prefeito de São Paulo, João Dória, que estará no Recife na próxima sexta-feira, corre o risco de passar à História como um dos maiores “traidores” deste século. Explica-se: ele era um ilustre “apolítico” (como gosta de autoproclamar-se) até 2016 quando foi chamado pelo governador Geraldo Alckmin para concorrer à prefeitura de São Paulo. Disputou prévias no PSDB, venceu a disputa interna e ganhou a eleição no 1º turno contra o então prefeito Fernando Haddad, que aqui esteve na semana passada. A partir de então, passou a ser apontado no PSDB como principal cabo eleitoral de Alckmin à sucessão presidencial de 2018. E dia sim, dia não, jura fidelidade ao governador, embora na prática se comporte como concorrente dele dentro do partido. Tanto é assim que não recusa convite para proferir palestras Brasil afora e receber títulos de cidadão, sendo que a visita ao Recife está inserida nesse contexto. Bem verdade que as bases estaduais do PSDB é quem o querem como candidato, e se isso de fato acontecer o carimbo de “traidor” será inevitavelmente colocado na sua ainda incipiente biografia.

Dória para presidente

João Dória (PSDB) está com tanta vontade de ser candidato à sucessão de Temer que passou a estimular, discretamente, a sua candidatura presidencial. Ontem, por exemplo, ao desembarcar em Palmas (TO) para um compromisso partidário, ele deparou com faixas com os seguintes dizeres: “Queremos Dória para presidente da República”. Suas próximas paradas serão no Recife, Salvador, Vila Velha (ES), Campina Grande (PB) e Aracaju (SE).

E a prefeitura? – Dória tem que ter também muito cuidado para não ser acusado pelos próprios tucanos de ter abandonado a prefeitura de São Paulo para dedicar-se exclusivamente ao projeto presidencial. Recentemente, o ex-presidente FHC declarou que ainda não viu nada de diferente na capital depois que ele assumiu a prefeitura.

Segurança – A prefeita Raquel Lyra (PSDB) colocou o coronel Luís Aureliano na Secretaria de Ordem Pública de Caruaru para conter a onda de violência no município, que cresce assustadoramente. O militar começou a instalar “conselhos de segurança” nos bairros e delega à população a escolha das prioridades. O do bairro do Salgado será instalado amanhã.

Parentesco – O prefeito de Itacuruba, Bernardo Maniçoba (PMDB), primo do secretário estadual de Habitação, Kaio Maniçoba, foi impedido ontem pelo TCE, cautelarmente, de prosseguir com a licitação para contratação de empresa para montar a estrutura da “Festa do Sagrado Coração”. É que a prefeitura não está com a folha em dia e inadimplente com a Previdência.

Tradição – O projeto de alguns empresários de lançar o executivo da fábrica de baterias Moura, Paulo Sales, para disputar o governo estadual em 2018, não passa de projeto porque não é da tradição de Pernambuco eleger empresários fora da política para o Palácio das Princesas. O único foi Cid Sampaio em 1958.
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Recado – Não é desejo do senador Fernando Bezerra Coelho, nem dos seus filhos Fernandinho (ministro) e Miguel (prefeito de Petrolina), abandonarem o PSB-PE. Mas o senador é pragmático e fica mandando “recados” para o partido com a seguinte tradução: “Se não me quiserem, tenho para onde ir”.

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