Postado por Magno Martins
Com o aumento do imposto sobre os combustíveis, decretado ontem pelo presidente Temer, R$ 12 bilhões irão respingar nos cofres da União, dinheiro novo, que o Governo não contava. Mas desta fatia, nada desprezível para tempos tão bicudos, quanto a União vai compartilhar com os Estados e Municípios? Até agora, um só centavo. Cadê o discurso do Pacto Federativo, que o presidente e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, soam com tom falso em solenidades palacianas?
Só existe da boca para fora. A União é gulosa e só olha para o seu umbigo. Não fossem as pressões dos governadores, os juros da bolada da repatriação, dinheiro que o Governo também não contava jorrar em seus cofres, não teriam chegado aos Estados e Municípios. É sempre assim: o eixo do poder muda, mas a célula mater, os municípios, continua marginalizada. A União trata como enteados, nunca como filhos próprios, do mesmo sangue.
Em Pernambuco, o governador Paulo Câmara (PSB) pagou um preço caro ao assumir o ônus pelo aumento de impostos que estão sob o domínio da sua seara fiscal, como o IPVA e o ICMS. Entretanto, vale a ressalva, os municípios receberam repasses superiores a R$ 500 milhões de R$ 1 bilhão arrecadado. E não há notícias de que prefeitos tenham se derramado em elogios ao governador nem tampouco agradecido pela coragem.
Segundo o portal da Transparência, Câmara já repassou, também, R$ 20 milhões para os municípios nos últimos três anos pelo FEM, o Fundo Emergencial dos Municípios. Pouco? Para tempos tão difíceis, nem tanto. Estados que outrora eram exemplos de prosperidade para o País, como o Rio, Rio Grande do Sul e Paraná, não se dão a esse luxo. Aliás, nem pagam servidores em dia.
Tem muita gente jogando pedra no governador pelo descontrole e aumento da violência. Mas qual Estado modelo em paz, com violência zero? Não conheço um, até porque a origem da brutalidade que leva à morte está no tráfico de drogas, que desafia União, Estados e Municípios e que os transformam em impotentes diante da terrível chaga social.
Se Temer seguisse o exemplo de Pernambuco, que pactua o que arrecada com os municípios, provavelmente os Estados encontrassem uma janela para amenizar os efeitos dolorosos da crise. A quebradeira é geral. Felizmente, Pernambuco ainda paga a folha em dia, dá aumento a policia, renova a frota para o policiamento ostensivo e ainda rateia com os municípios o que recebe do suor do contribuinte. Não fosse isso, os municípios ainda estariam agonizando na UTI fiscal.
CHEIRO DE CALOTE– Em Caruaru, o bicho pegou para o lado da prefeita Raquel Lyra (PSDB) depois que os artistas, não apenas da terra, mas famosos, espalharam pelas suas redes sociais que não receberam ainda o pagamento dos seus cachês referentes ao São João. Em Gravatá, que fez um festejo junino tão concorrido quanto o de Caruaru, os artistas que se apresentaram receberam seus pagamentos no mesmo dia da apresentação. Tratamento diferente em Caruaru foi dado à empresa que organizou o evento. Segundo o portal da Transparência, R$ 8 milhões já foram pagos. Dois pesos, duas medidas.
Rebeldia sob controle–
Caruaru escanteada- O Ministério do Turismo ignorou Caruaru no balanço nacional dos festejos juninos. No Nordeste, citou apenas Campina Grande (PB), estimando uma movimentação financeira da ordem de R$ 200 milhões, crescimento de 25% em relação a 2016. O Parque do Povo, local da festa, recebeu 2,5 milhões de visitantes nos 30 dias de evento. Da PB, o boletim do Ministério pula para o Maranhão, movimentação econômica de R$ 60 milhões, sendo R$ 20 milhões apenas no São João de Todos de São Luís. Foram contratados 425 grupos culturais, que realizaram cerca de mil apresentações durante todo o período junino. Cadê as informações de Caruaru?
Arrecadação em alta– Os esforços da Procuradoria da Secretaria de Fazenda de Olinda têm trazido resultados positivos aos cofres públicos da cidade. A Prefeitura de Olinda registrou um aumento de 8,92% na arrecadação nos quatro primeiros meses deste ano. O incremento de R$ 1.627.533,22 é resultado do pagamento de valores que estão “retidos” na dívida ativa oriundos de impostos como ISS, CIM e IPTU que não foram pagos. De acordo com o Procurador-Chefe da Fazenda Municipal, Leonardo Sales de Aguiar, hoje a dívida pública gira em torno de R$ 100 milhões. “Nesses primeiros quatro meses conseguimos fazer com as os devedores quitassem suas pendências e esse dinheiro agora vai ser investido em melhorias na cidade”, salientou.
Não paguemos o pato–
CURTAS
IMPOSTO SALGADO– Caso os postos de combustíveis decidam repassar para o consumidor todo o aumento da alíquota de R$ 0,41 do PIS e Cofins pelo litro da gasolina, o motorista pode ter que pagar, em média, 10,44% a mais para encher o tanque de 50 litros. O cálculo foi feito pelo diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac (associação de executivos de finanças), Miguel José Ribeiro de Oliveira.
COMIDA PODRE– A associação criminosa desarticulada pela ‘Operação Comunheiro II’, deflagrada, ontem, fornecia alimentos podres e fora do prazo de validade para crianças de escolas públicas em Pernambuco. A afirmação foi feita pelo chefe da Polícia Civil, delegado Joselito do Amaral, que fez um balanço parcial da ação. O valor dos danos aos cofres públicos é de pelo menos R$ 40 milhões.
Perguntar não ofende: Qual cidadão de classe média no Brasil consegue botar R$ 9 milhões numa previdência privada?
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