segunda-feira, 14 de março de 2016

Jarbas: ‘Quem tentou dividir o País foi Lula’


Por Renata Bezerra de Melo
Da Folha de Pernambuco


Parlamentar participou de protesto contra Dilma e Lula no Recife, neste domingo (13) (Foto: Divulgação)

Duro crítico do Governo do PT, o deputado federal Jarbas Vasconcelos (PMDB) fez questão de ir à rua, participar da manifestação, neste domingo (13), no Recife, assim como fez há um ano atrás. Daquele 15 de março de 2015 para cá, na análise do peemedebista, “a única coisa que aumentou, que foi para cima, no País, foram os impostos”.

Ainda que convidado a discursar, no ato deste domingo, ele defendeu que fossem evitados os discursos. “Não quero falar, não. Quero ouvir palavra de ordem”, pregou.

Ao contrário de algumas lideranças da oposição, que criticaram o pedido de prisão preventiva do ex-presidente Lula, feito pelo Ministério Público de São Paulo, Jarbas preferiu não se antecipar e atribuiu, à juíza Maria Priscilla Ernandes Veiga Oliveira, da 4ª Vara Criminal de São Paulo, o poder de julgar a ação do MP.


Deputado pediu que Lula desse explicações de seu patrimônio(Foto: Divulgação)

“Um processo com 36 volumes foi endereçado à Justiça. Por que eu vou me pronunciar, ficar contra? Vou esperar que a Justiça se pronuncie”, avisou.

E advertiu: “Agora, que ele (Lula) deve satisfação à Justiça, ele deve. Primeiro, deve, ao povo brasileiro, explicações sobre o patrimônio dele e, segundo, deve à Justiça sobre questionamentos que a Justiça está fazendo”, avaliou.

Jarbas realça que “quem tentou dividir o País, há 10 dias atrás, exatamente há 10 dias atrás, foi ele (Lula), entre ricos e pobres, se comparando a uma coisa peçonhenta, como uma cobra venenosa (Lula comparou-se a uma jararaca), jogando a população contra a Justiça”.

Feitas as observações, o ex-governador de Pernambuco questiona: “Por que vou por em dúvida o Ministério Público? Quem vai por em dúvida, ou não, é a juíza, não sou eu”.

Ainda segundo o parlamentar, Lula “não está acima da lei”. Ele reforçou: “Se ele estivesse acima da lei, tudo bem. Mas ele nem foro privilegiado ele tem”.

“Quem vai decidir sobre processo, se tem validade, se não tem, se é acolhido, se não é acolhido, é a Justiça Federal. Por que eu vou dizer que foi mal feita a denúncia?. Quem vai dizer é a juíza”.

PMDB

Um dia após a Convenção Nacional do PMDB, que reconduziu o vice-presidente da República, Michel Temer, à presidência da legenda, Jarbas Vasconcelos considera que o partido está “em busca de um caminho de independência”.

E defende a entrega de espaços no Governo Federal. “Agora, é preciso deixar claro, bem claro que independência, leia-se, é entrega de cargos. Não pode haver independência com cargos ou coisa que é coisa desmoralizante”.


Deputado tirou fotos com vários manifestantes no ato (Foto: Divulgação)

Dissidente da sigla, mas de bom diálogo e relação com Temer, com quem foi à mesa mais de uma vez nos últimos meses, Jarbas enxergou, no tom dos discursos adotado na convenção peemedebista, “um caminho andado, um pontapé inicial, foi um chute” para o rompimento com o governo.

E concluiu: “Esse chute foi dado, esse pontapé inicial foi dado. As pessoas que foram à tribuna, durante o ato (no sábado), foram para criticar duramente o governo. Não tem ninguém defendendo. É meio caminho aberto para o PMDB”.

Na convenção, Michel Temer defendera: “Não é hora de dividir os brasileiros, de acirrar os ânimos. Não é hora de levantar muros. A hora é de construir pontes”.

O discurso, na avaliação de Jarbas, foi um contraponto às últimas falas do ex-presidente Lula.

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