domingo, 13 de março de 2016

Delfim Netto apresenta 7 propostas para o Brasil sair da crise e diz: "a mágica acabou"

 Em certo tom de desapontamento com a não apresentação do projeto de reforma previdenciária por Dilma ao Congresso, o economista elogiou a posição de Nelson Barbosa sobre as propostas fiscais apresentadas e cobrou apoio do PT durante apresentação a empresários

SÃO PAULO - O Brasil não é um país teratológico, mas seus governos muitas vezes o são, costuma brincar o economista Antonio Delfim Netto. Presente em evento organizado pela Amcham (Câmara Americana de Comércio) nesta quinta-feira, o ex-ministro colocou a atual crise econômica e política do país no divã e expôs o diagnóstico de quem já foi ministro, professor, embaixador e deputado. Boa parte das posições já são conhecidas, mas um novo desapontamento com o governo fez-se presente em um momento em que a presidente Dilma Rousseff encontra-se enfraquecida, enquanto o Palácio do Planalto, tomado pelo fantasma do impeachment.

De certo modo, o imobilismo da petista e os crescentes choques com a própria base aliada fizeram-se presentes no discurso do economista a empresários em São Paulo. Apesar de Dilma ter ido ao Congresso pessoalmente no começo do ano, tal como ele defendia, o conselho dado inúmeras vezes por diversos meios não foi seguido à risca: o tão esperado projeto de reforma previdenciária ainda não chegou ao parlamento. "Eu achava que Dilma iria apresentar [o projeto]", disse Delfim, um dos economistas mais respeitados e ouvidos no país -- também pelo governo. "O Brasil virou o país de São Tomé: não se impressiona mais com promessas".

Para Delfim, a atual presidente hoje colhe os frutos do que plantou ao longo do ano passado, quando, segundo ele, se preocupou exclusivamente com as eleições. "O governo agiu deliberadamente para continuar governo", afirmou. Em sua fala, o economista elogiou as propostas fiscais destacadas hoje pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, mas disse que dependem "do apoio do partido do governo". Ele ressaltou ainda que o único caminho para a superação da atual crise seria trazer de volta a confiança à sociedade e agentes econômicos de que o país vai crescer. Delfim Netto: ''O Brasil virou o país de São Tomé: não se impressiona mais com promessas''' (Paulo Whitaker/Reuters)

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