terça-feira, 15 de março de 2016

Da Coluna de Magno Martins


Postado por Magno Martins


PSB veta Raquel e vai de Jorge Gomes

Com o afunilamento dos prazos para troca de partidos – vence na próxima sexta-feira para quem é deputado – o PSB estadual fez, ontem, a sua primeira intervenção: retirou o controle do partido em Caruaru das mãos da deputada estadual Raquel Lyra e o entregou para o vice-prefeito Jorge Gomes, que passa a ser o candidato do partido a prefeito, com o apoio irrestrito do prefeito José Queiroz (PDT).

O comunicado da opção do partido por Jorge Gomes foi feito, ontem, pela direção do PSB a própria Raquel no Palácio do Campos das Princesas, num encontro no gabinete do chefe da Casa Civil, Antônio Figueira. A deputada foi pega de surpresa e deve se manifestar através de uma nota oficial hoje pela manhã.

Só resta a ela agora buscar uma nova opção partidária para disputar a Prefeitura de Caruaru. Como a janela partidária ainda vale até a próxima sexta-feira, Raquel deve se transferir para o PSDB. A direção tucana no Estado já avalizou o seu ingresso na legenda, através de encontro com a parlamentar e o seu pai, o ex-governador João Lyra Neto.

Mas antes de se filiar ao PSDB, Raquel e João Lyra devem ter um encontro em Brasília com o senador Aécio Neves, presidente nacional da legenda. Na queda de braço com o grupo Lyra, que havia assumido o controle do PSB em Caruaru em novembro do ano passado, o prefeito José Queiroz (PDT) sai, mais uma vez, vitorioso.

Para derrotar Lyra, Queiroz teve, entretanto, que levar o PDT a abrir mão da cabeça de chapa em Caruaru para o PSB. Na capital do forró, as eleições para prefeito terão ainda outro personagem importante: o deputado estadual Tony Gel, pré-candidato pelo PMDB, que assiste de camarote a briga entre os grupos de Queiroz e Lyra.

Diante da divisão irreversível dos Lyra e Queiroz, Tony Gel tende a tirar vantagem, porque o eleitorado de Raquel está no mesmo universo do de Jorge Gomes, uma vez que os grupos estiveram unidos nas últimas eleições, embora João Lyra Neto não tenha subido no palanque de Queiroz na sua reeleição, em 2012.

TROCA-TROCA – Quem também deve ser forçado a deixar o PSB ao longo desta semana é o deputado federal Marinaldo Rosendo, que não conseguiu o aval da direção socialista para reforçar candidaturas a prefeito apoiadas por ele na Zona da Mata. O que se diz é que o parlamentar deve se abrigar no PROS. Até sexta-feira, quando se apaga a luz do fim do túnel da janela da infidelidade, muita gente deve fazer travessia partidária. O deputado federal Kaio Maniçoba, atualmente no PHS, por exemplo, se filiará no PMDB.

Fato novo em Petrolina –
 Pré-candidato do PT a prefeito de Petrolina, o deputado Odacy Amorim ganhou, ontem, oficialmente, o apoio do PP, comunicada através do deputado federal Fernando Monteiro (PP), que passa assim a botar os pés de vez na geografia política do maior colégio eleitoral do Sertão. Sobrinho do ministro do Tribunal de Contas da União, José Múcio Monteiro, Fernando trabalha agora para levar o deputado estadual Lucas Ramos, que encontra dificuldades para viabilizar sua candidatura a prefeito pelo PSB, para o palanque de Odacy.

Okamoto bate em Moro - O presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, acusou o juiz Sérgio Moro de violar a lei. ‘O que a autoridade reclamada [Moro] tem feito é atropelar os procedimentos, vilipendiar as regras, tudo sob o pretexto de "combater a corrupção" e fazer cumprir a lei. Ironicamente, viola-se a lei para fazer cumprir a lei’, diz a defesa de Okamotto, em manifestação no Supremo Tribunal Federal. De acordo com os advogados, as doações e pagamentos ao instituto, para palestras do ex-presidente Lula, forma realizados em São Paulo, onde a competência seria da Justiça paulista. Eles pedem que a Corte retire as investigações sobre a entidade da operação Lava Jato.

Corrêa faz acordo - O ex-deputado e ex-presidente do PP, Pedro Corrêa, assinou acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal em Curitiba. Ele formalizou a delação na semana passada e prestará os depoimentos a procuradores da força-tarefa da operação Lava Jato. A delação ainda precisa ser homologada pela Justiça. Corrêa é o segundo político que decide entregar o que sabe em troca de possível redução de pena. O primeiro foi o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), que firmou acordo com a Procuradoria Geral da República. Na delação de Delcídio, o senador fez acusações ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à presidente Dilma Rousseff, conforme revelou a revista "IstoÉ".

Traído e apunhalado 
 O ex-governador João Lyra Neto estava uma arara, ontem, com a direção do PSB e setores do Palácio do Campo das Princesas. Ele e Raquel Lyra, sua filha e pré-candidata à prefeita de Caruaru, haviam recebido o aval do partido, em novembro passado, de que teriam o controle da legenda em Caruaru no momento em que o presidente estadual, Sileno Guedes, delegou a Raquel a missão de reestruturar o partido como presidente da comissão provisória socialista no município. “Fomos apunhalados pelas costas”, disse a um aliado.

CURTAS

CONVITE - Diante da pressão de ministros do Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff telefonou para Lula, ontem, e reforçou, segundo relatos, o convite para que aceite virar ministro em seu Governo. Depois da decisão da juíza Maria Priscilla Oliveira de remeter para Curitiba o processo relativo ao tríplex no Guarujá, no qual Lula é investigado, cresceu a pressão para que Dilma nomeie Lula para o primeiro escalão de seu governo.

FORO PRIVILEGIADO - Se Lula virar ministro, cuja decisão sairá hoje, o processo que responde na Justiça Federal sobe para o Supremo Tribunal Federal (STF), pois ele ganharia prerrogativa de foro. Este é um dos motivos que tem levado Lula a resistir ao convite uma vez que, ao assumir uma pasta, a atitude poderia soar com um atestado de culpa no caso investigado.

Perguntar não ofende: Lula ministro, escapa das garras da justiça?

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