terça-feira, 15 de março de 2016

Da coluna de Inaldo Sampaio

PMDB decidirá o destino de Dilma
Postado  por Inaldo Sampaio

Coluna Fogo Cruzado – 15 de março

O PMDB ensaia, paulatinamente, deixar o governo Dilma Rousseff e o próximo passo será dado pelo deputado Eduardo Cunha

Das três hipóteses para a saída de Dilma, uma deve ser eliminada – a renúncia – porque ela já disse que não sai voluntariamente nem debaixo de “vara”. Restam a cassação da chapa Dilma/Temer pelo TSE e o afastamento do cargo pelo processo de impeachment. Esta última opção parece a mais viável e depende fundamentalmente do PMDB. Esse partido, na convenção do último sábado, deu duas passadas nessa direção. Proibiu o deputado Mauro Lopes (MG) de assumir o Ministério da Aviação Civil e pediu um prazo de 30 dias para o diretório nacional apreciar moções pelo rompimento com o governo. Está claro, pois, que os peemedebistas caminham paulatinamente para o desembarque do governo. Ninguém na convenção defendeu Dilma e 96% dos convencionais reconduziram Michel ao cargo de presidente. O próximo passo será dado pelo peemedebista Eduardo Cunha: instalação da comissão especial do impeachment.

Movimento despolitizado

A despolitização dos movimentos “antiDilma” que saíram às ruas no último domingo é uma coisa ilógica. Defendem a saída da presidente, mas não querem a adesão das oposições ao “fora Dilma”. Quem tentou pegar “carona” foi hostilizado como Aécio Neves, Geraldo Alckmin, Marta Suplicy, Paulinho da Força e Mendonça Filho. Só que, se Dilma cair, como tudo leva a crer que cairá, assumirá o vice Michel Temer, que vai precisar dessas forças para governar.

Exceções – Nem todos os políticos que saíram às ruas contra Dilma foram hostilizados pelos movimentos sociais. Jarbas Vasconcelos (PMDB) passou incólume no Recife, o senador Tasso Jereissati (PSDC) em Fortaleza e o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) em João Pessoa. Já o senador José Agripino (DEM-RN) foi a São Paulo e acabou sendo hostilizado igual a Aécio.

Cálculo – Foi expressivo o público pernambucano que participou do “fora Dilma” na Avenida Boa Viagem, mas há controvérsias sobre o cálculo feito pela PM: 120 mil. Estaria exagerado.

Burrice – Depois dos protestos do último domingo, é burrice o PT querer medir forças com os “contras”, marcando uma manifestação para a próxima sexta, dia 18, em defesa de Dilma.

Ódio – Se até um homem sério como Geraldo Alckmin foi hostilizado, domingo em SP é sinal de que a repulsa do povo é à classe política. Mas não há saída para a crise sem ser pela política.

Morte – Os ministros Jaques Wagner (Casa Civil) e Ricardo Berzoini (Secretaria Geral) marcaram uma reunião em Brasília na noite de ontem para debater o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Segundo o deputado Sílvio Costa, que estava lá, o governo já tem os 172 votos necessários para “matar” o impeachment na Câmara Federal.

Eleição – Sarney foi eleito sábado “presidente de honra do PMDB”. O partido seguiu a mesma linha do PSDB e do PT, cujos presidentes de honra são, respectivamente, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. E por falar em “presidente de honra”, trata-se de um cargo honorífico que só existe mesmo no Brasil. Nenhum outro país tem isso.

Cara – Odacy Amorim (PT) recebeu o apoio do PP a sua candidatura a prefeito de Petrolina e garantiu o tempo de TV de que precisava para fazer a campanha de televisão. Ele recusou proposta para indicar o vice de Miguel Coelho (PSB) e de Adalberto Cavalcanti (PTdoB). Tem boa colocação nas pesquisas e vai enfrentar as ruas com a própria cara e tem chance de polarizar a disputa com o candidato do prefeito Júlio Lossio (PMDB).

É João – Já se diz em áreas do PT que o melhor candidato do partido para disputar a prefeitura do Recife é o ex-prefeito João da Costa. Ele poderia dizer que foi vítima de um “golpe” em 2012, quando a cúpula não permitiu que concorresse à reeleição, e comparar sua gestão com a do prefeito Geraldo Júlio (PSB). Afora isso, o nome mais forte de que o partido dispõe, o do também ex-prefeito João Paulo, não se mostra muito animado para a disputa.

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