Postado por Tião Lucena

Vigó abandonou a vara de pescar com a traíra ainda pendurada no anzol, pulou dois barreiros à sua frente e correu para dar a notícia: O Açude Velho ia arrombar! A água de cinco dias e cinco noites de chuvas banhava a parede de barro, o sangradouro não dava vencimento à sangria, pela sua boca enorme, peixes subiam e desciam a favor e contra a correnteza, um extenso rio cobria os baixios de Joaquim Mariano, era o mundo se acabando e a tragédia às portas da cidade.
Frei Ibiapina tomava sua sopa de feijão com pedaços de carne de vaca e da sala de jantar do convento escutou os gritos na Rua Grande. A cidade alarmada esperava o pior. A chuva caía pelas biqueiras e nem tomar banho de bica a meninada queria mais, tanto tempo já durava o toró.
-O açude não pode ir embora- reclamava Vigó, pensando no seu ganha pão. Mas iria, ninguém duvidava disso.
Frei Ibiapina sentiu que era preciso uma intervenção de emergência. Botou o vozeirão no mundo e chamou homens e mulheres para fazerem o muritão. Cada um levaria uma pedra, o saco de terra, um feixe de capim, qualquer coisa que reforçasse a parede.
E de repente, como do nada, foram surgindo voluntários com sacos de areia, de barro, pedras nas cabeças,mulheres carregando enxadas, enxadecos e picaretas para abrir outro sangradouro. O medo tinha passado, o povo andava pelo paredão sem imaginar que a água poderia, a qualquer momento, levar tudo.
Foi uma noite inteira de mobilização, ninguém dormiu,sequer cochilou.
Quando a barra do sol deu as caras no Alto da Cascavel, as nuvens negras começaram a sumir como por encanto. O sangradouro ainda derramava água aos borbotões, mas a chuvarada diminuía, os trovões se acalmavam e os relâmpagos recolhiam-se aos braços do Deus sol.
O Açude Velho estava salvo. Cheio e salvo, para alegria do pescador Vigó e do povo de Princesa.
A festa foi grande. Festa religiosa, festa do Padre que salvou, com a ajuda das mãos e do povo, o açude, que a partir daquele dia não foi mais Açude Velho, recebia o pomposo nome de Açude Ibiapina.
Vigó abandonou a vara de pescar com a traíra ainda pendurada no anzol, pulou dois barreiros à sua frente e correu para dar a notícia: O Açude Velho ia arrombar! A água de cinco dias e cinco noites de chuvas banhava a parede de barro, o sangradouro não dava vencimento à sangria, pela sua boca enorme, peixes subiam e desciam a favor e contra a correnteza, um extenso rio cobria os baixios de Joaquim Mariano, era o mundo se acabando e a tragédia às portas da cidade.
Frei Ibiapina tomava sua sopa de feijão com pedaços de carne de vaca e da sala de jantar do convento escutou os gritos na Rua Grande. A cidade alarmada esperava o pior. A chuva caía pelas biqueiras e nem tomar banho de bica a meninada queria mais, tanto tempo já durava o toró.
-O açude não pode ir embora- reclamava Vigó, pensando no seu ganha pão. Mas iria, ninguém duvidava disso.
Frei Ibiapina sentiu que era preciso uma intervenção de emergência. Botou o vozeirão no mundo e chamou homens e mulheres para fazerem o muritão. Cada um levaria uma pedra, o saco de terra, um feixe de capim, qualquer coisa que reforçasse a parede.
E de repente, como do nada, foram surgindo voluntários com sacos de areia, de barro, pedras nas cabeças,mulheres carregando enxadas, enxadecos e picaretas para abrir outro sangradouro. O medo tinha passado, o povo andava pelo paredão sem imaginar que a água poderia, a qualquer momento, levar tudo.
Foi uma noite inteira de mobilização, ninguém dormiu,sequer cochilou.
Quando a barra do sol deu as caras no Alto da Cascavel, as nuvens negras começaram a sumir como por encanto. O sangradouro ainda derramava água aos borbotões, mas a chuvarada diminuía, os trovões se acalmavam e os relâmpagos recolhiam-se aos braços do Deus sol.
O Açude Velho estava salvo. Cheio e salvo, para alegria do pescador Vigó e do povo de Princesa.
A festa foi grande. Festa religiosa, festa do Padre que salvou, com a ajuda das mãos e do povo, o açude, que a partir daquele dia não foi mais Açude Velho, recebia o pomposo nome de Açude Ibiapina.
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