quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Falta de quórum aproxima deputados da virtude


Josias de Souza

Hoje, na Câmara dos Deputados, ou o sujeito é aliado de Eduardo Cunha ou é decente. Aceitas essas premissas, dá para ser otimista, vá lá, pelo menos até o início de fevereiro, e ver o lado bom da situação, mesmo que seja preciso procurar um pouco. Por exemplo: o país vive um período tão desqualificado da sua história que já é possível reconhecer: a falta de quórum é o mais próximo que os deputados federais conseguiram chegar da virtude.

Nesta terça-feira, a milícia parlamentar pró-Cunha sofreu um revés na Comissão de Constituição e Justiça. O grupo não conseguiu votar um recurso que anularia a votação em que o Conselho de Ética da Câmara decidiu dar continuidade ao processo que pode levar a cassação do mandato de Cunha. Deve-se o fracasso da manobra à falta de quórum. Exigia-se a presença de pelo menos 34 deputados. Apenas 13 deram as caras no painel eletrônico.

A Câmara sairá em recesso nesta quarta-feira. Só retomará suas atividades em 2 de fevereiro de 2016. Ou seja: nos próximos 42 dias, período em que os deputados farão o favor ao país de não dar expediente no Parlamento, você poderá acompanhar normalmente o noticiário sem o menor risco de ser abalroado por uma notícia sobre a penúltima manobra executada pelos milicianos de Eduardo Cunha.

Pode não ser muita coisa. Mas no Brasil impudente que está aí, é preciso aproveitar ao máximo os pequenos alívios que a conjuntura é capaz de proporcionar para suportar melhor as aflições —o vírus Zika, a inflação, a recessão, o desemprego… Pense: com casa cheia na Comissão de Constituição e Justiça seria pior.

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