quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Da Coluna de Magno Martins

Postado por Magno Martins



PSB também morreu

Com a sua morte, o ex-governador Eduardo Campos arrastou também o PSB para o túmulo. O partido está à deriva, sem rumo e sem liderança. De largada, entregaram a presidência a Carlos Siqueira, histórico arraesista e orgânico, mas sem liderança, visto no partido como um gerentão, um burocrata.

No vácuo, a instância paulista, liderada pelo vice-governador Márcio França, fiel discípulo de Eduardo no passado, tentou arrebatar para si o comando da legenda. Não conseguiu ainda, mas esta hipótese não está descartada, porque em Pernambuco falta uma liderança para dar o murro na mesa.

Poderia ser o governador Paulo Câmara, naturalmente. Mas este, sem enxergar o fio da meada, ao invés de conduzir as ovelhas socialistas para onde a sociedade brasileira deseja (e isso está provado nas pesquisas, que apontam 68% da preferência pelo impeachment), vai na contramão.

Sob a alegação de que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, não tem legitimidade para tanger a boiada do impeachment, o governador vacila em cima de um discurso inodoro e sem consistência. Ele precisa entender que o Brasil cansou de corrupção, de bandidagem e deseja o mais rápido possível banir a quadrilha do poder.

Se alguém tivesse liderança no PSB, o partido não teria transferido para o próximo dia 17 a decisão que estava para ser tomada hoje pela sua executiva nacional quanto ao posicionamento oficial do partido sobre o impedimento da presidente que levou o País a uma crise sem precedentes.

Em apenas um ano, de 2014 para 2015, 1,5 milhão de empregos formais foram jogados pela janela, mais de sete milhões de postos de trabalho na informalidade viraram pó. Nesse rastro de destruição, 400 mil pequenas e médias empresas foram fechadas. Só em Suape, Pernambuco perdeu 54 mil trabalhadores formais e o município de Ipojuca deixou de arrecadar R$ 30 milhões.

É preciso ter discernimento, como demonstrou com o seu gesto o prefeito do Recife, Geraldo Júlio, ao ficar bem distante da malvada quando esteve por aqui, sábado passado. Este Governo – se é que pudemos assim classificar – não tem mais o que oferecer ao País a não ser mais safadeza e gatunagem do dinheiro público. Dilma é um vexame! Que o diga o vice-presidente Michel Temer.

Quem diz que não rouba, mas deixa roubar comete o mesmo pecado. Se vivo fosse, não tenho a menor dúvida de que Eduardo, ao contrário do vacilante sucessor que deixou nas Princesas, estaria empunhando a bandeira do impeachment. Não há outro caminho para o País sair da crise.

Se o PSB se posicionar diferente, na reunião que adiou para a próxima semana, estará dando um tiro no pé, indo de encontro ao mais legitimo desejo do povo brasileiro, de dar um basta a tudo que estamos vendo neste País, construir uma saída para a crise e, consequentemente, para uma Nação decente, que os brasileiros em geral possam se orgulhar. Ainda está em tempo, PSB!

CARTA DE ALFORRIA - Não precisa entender de política para concluir que a carta pessoal do vice-presidente Michel Temer à presidenta Dilma foi uma declaração a favor do impeachment. Houve uma posição, sem rodeios, onde Temer expõe, além da incapacidade administrativa da malvada, a falta de apoio político da presidente. A postura do vice-presidente, que provocou a ira da presidente que não governa, pode ser o divisor de águas no PMDB, a segunda maior bancada na Câmara.

Grito de independência–
 O prefeito Geraldo Júlio amadurece a ideia de dar uma declaração contundente a favor do processo de impeachment instalado na Câmara dos Deputados. Se assim o fizer, com certeza assumirá a liderança dentro do partido, que está muito mais para salvar a presidente do que mesmo para entregá-la aos leões. Dizem que um gesto vale por mil palavras. Ao não ir ao evento com Dilma, sábado passado, o prefeito mandou o seu recado. Só falta agora dar o grito que a sociedade deseja ouvir.



Em defesa de Temer – Do deputado Lúcio Vieira Lima, da bancada do PMDB da Bahia na Câmara, sobre a carta de Michel Temer: "Não acho que foi um rompimento. Acho que a carta do Michel foi para restabelecer verdades. A presidenta Dilma estava querendo se vitimizar e constranger Michel a assumir uma posição contra o impeachment. Michel, como vice, não tem que ser nem contra nem a favor de impeachment. Ele tem que cumprir seu dever constitucional, que é caso haja impedimento da presidenta, ele assumir a Presidência da República”.

A caminho de uma epidemia– O Ministério da Saúde investiga as mortes de 19 crianças com suspeitas de microcefalia desde o início do ano até o dia 5 de dezembro em oitos estados do País e se esses possíveis casos de malformação têm relação com o zika vírus. Em uma semana, o número de casos suspeitos de microcefalia passou de 1.248 para 1.761, um aumento de 41%. Os novos números foram anunciados ontem em Brasília pelo ministro da Saúde, Marcelo Castro.

Tudo dominado! –
 O ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, ofereceu, ontem, um almoço a todos os governadores do Nordeste mobilizados para barrar o impeachment, entre eles Paulo Câmara. Wagner é um dos principais conselheiros políticos da presidente Dilma e comanda um grupo interministerial que, segundo ele, acompanha “cotidianamente” os desdobramentos do processo de impeachment e define estratégias para barrar o processo e manter a presidente no cargo.

CURTAS

NA JAQUEIRA– O prefeito Geraldo Júlio precisa urgentemente dar um puxão de orelhas na sua equipe que quer reduzir o número de guardas responsáveis pela segurança do parque da Jaqueira. Ali, estão ocorrendo assaltos a mão armada todos os dias, principalmente à noite. Os frequentadores, claro, já começaram a abandonar a área de lazer.

ALÔ, SERTÂNIA! – Começo amanhã, pela cidade de Sertânia, a 300 km do Recife, a minha agenda de lançamentos e palestras desta semana. Será na Câmara de Vereadores, a partir das 19 horas. Na sexta-feira, estarei em Custódia e no sábado em São José do Egito, ambas também na Câmara e no mesmo horário.

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