quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Câmara pensou menos nele e mais no Brasil

Postado  por Inaldo Sampaio

Coluna Fogo Cruzado – 10 de dezembro

O governador Paulo Câmara pensou mais no Brasil e menos nele quando subscreveu uma carta de solidariedade à presidente Dilma, ora ameaçada de perda do mandato por um processo de impeachment. É cômodo para deputados do PSB defenderem o impedimento da presidente porque ficam em sintonia com o sentimento majoritário do povo brasileiro. Mas para um governador de estado, não. Todo mundo sabe que a presidente está impopular e talvez não reúna mais condições políticas para refazer o seu governo e recolocar o país nos trilhos. Todavia, como diz a carta subscrita por 16 dos 27 governadores, impeachment só deve ser utilizado em casos gravíssimos e quando não restarem dúvidas sobre a conduta dolosa do governante na prática do crime de responsabilidade. Câmara não se convenceu da culpa de Dilma no episódio das “pedaladas” e num ato de responsabilidade política saiu em defesa do mandato dela.

O governador Paulo Câmara agiu com responsabilidade política ao se negar a dar apoio ao impeachment de Dilma

Só no próximo dia 17

O PSB adiou para o dia 17 a reunião da executiva nacional que definirá a posição do partido sobre o impeachment de Dilma. São contrários ao afastamento da presidente, dentre outros, os governadores Paulo Câmara (PE), Ricardo Coutinho (PB) e Rodrigo Rollemberg (DF) e o vice de São Paulo, Márcio França. Este último está meio afinado com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que não considera impeachment “golpe”, mas não diz se é contra ou a favor.

Missão – Sílvio Costa disse em Brasília que trocou o PSC pelo PTdoB para cumprir uma “missão governamental”. Ou seja, o governo o queria de todo jeito na comissão especial do impeachment, mas a liderança do PSC não o indicou, optando pelos deputados Eduardo Bolsonaro e Marcos Feliciano, ambos de SP. Costa encontrou abrigo no PTdoB e foi embora.

Sósia – Chegou ao conhecimento do Palácio das Princesas que um prefeito do Araripe foi com um sósia de Paulo Câmara, passando-se pelo governador, anunciar uma obra num distrito.

Chico – Pelo menos nesta 1ª semana de exibição, o filme “Chico (Buarque), um artista brasileiro”, de Miguel Faria Jr., tem atraído um bom público às salas de cinema do Recife.

Ironia – Por uma infeliz coincidência, os mandados de busca e apreensão cumpridos ontem na Hemobrás se deram na data em que se comemora o Dia Internacional de Combate à Corrupção.

União – Embora esteja afastado da militância diária no PSDB, o ex-deputado Pedro Eurico (foto) já comunicou ao partido que não concorda com a candidatura do deputado Daniel Coelho à prefeitura do Recife. “Os dois partidos (PSB e PSDB) têm que estar juntos, não apenas em Pernambuco mas no Brasil inteiro”, diz o secretário de Justiça.

Decisão - O ministro Armando Monteiro (PTB) não decidiu ainda se o seu partido fará aliança com o PT na eleição do Recife. Já decidiu, todavia, apoiar dois prefeitos do PT que vão disputar a reeleição: Luciano Duque (Serra Talhada) e Romério Guimarães (São José do Egito). Com o apoio do PTB (deputado Augusto César), Duque se fortalece muito.

Dupla – O engenheiro Paulo Camelo (PCB) e a advogada Claudomira Andrade (DEM) declaram-se candidatos à prefeitura de Garanhuns e já colocaram os seus blocos na rua. Fala-se ainda, embora timidamente, no vereador Sivaldo Albino (PPS) e na vice-prefeita Rosa Quidute (PT). Como lá não tem dois turnos, o prefeito Izaías Régis (PTB) continua favorito para reeleger-se e fazer uma ampla maioria na Câmara Municipal.

Grande – José Serra (PSDB) pode ser chato e antipático, mas é um grande brasileiro. Com preparo igual ao dele não existem mais de três no Congresso Nacional. Agora mesmo, quando uma parte do PSDB, oportunisticamente, se recusa a fazer parte de um eventual governo Michel Temer (PMDB), o senador diz o contrário. “Se o governo (Dilma) cair, todo mundo vai ter que dar a sua parcela de contribuição para tirar o país do atoleiro”.

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