A decisão do Tribunal de Contas da União, de reprovar as contas da presidente Dilma Rousseff, não é inédita. Há 78 anos, em 1937, o tribunal não aprovou as contas relativas a 1936 apresentadas pelo então presidente Getúlio Vargas. No entanto, o Congresso Nacional não acatou a posição do TCU.
Em 1937, o ministro relator do processo, Thompson Flores, votou pela rejeição e foi acompanhado por seus pares. No Estado Novo, em 26 de abril de 1945, um decreto presidencial de Vargas colocou o ministro em disponibilidade, o que significou seu afastamento do cargo público.
Desde então, os ministros do TCU, que em parte são indicados pelo governo, têm aprovado as contas do Poder Executivo, algumas com ressalvas, mas aprovadas.
Na até então única exceção, ao rejeitar as contas de Getúlio Vargas, o TCU quis mostrar seu desagrado com as atitudes politicas do presidente, especialmente a aprovação da Constituição de 1937, conhecida como a Polaca, que quebrou o principio de harmonia e independência entre os três Poderes e submeteu o Legislativo o Judiciário ao Executivo.
O TCU foi criado por Rui Barbosa, então ministro da Fazenda, em 7 de novembro de 1890, um ano após a Proclamação da República. O órgão é responsável por examinar as contas federais e tem a missão de verificar sua legalidade antes da análise do Congresso Nacional. Cabe aos deputados e senadores a decisão de aprovar ou rejeitar as contas do governo. Ao todo, compõem o TCU nove ministros, seis indicados pelo Congresso, um pelo presidente da República e dois escolhidos entre auditores e membros do Ministério Público.
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