segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Da coluna de Inaldo Sampaio


Jarbas pode romper de novo com o PSB
Postado  por Inaldo Sampaio

Coluna Fogo Cruzado –
Jarbas rompeu com Arraes em 1992, recompôs-se com o PSB em 2012 para apoiar Geraldo Júlio, e pode ser candidato contra ele

Hoje, dia em que Eduardo Campos completaria 50 anos, a história de Pernambuco corre o risco de repetir-se como história mesmo, e não como farsa ou tragédia (contrariando o velho Marx). Em 92 o então candidato derrotado a governador, Jarbas Vasconcelos, rompeu com Miguel Arraes porque não chegaram a um acordo sobre a chapa PMDB/PSB à prefeitura do Recife. Jarbas, que a princípio rejeitava a candidatura alegando que, eventualmente eleito pela segunda vez, iria “repetir-se”, resolveu ir para a luta, mas não aceitou Eduardo Campos como seu vice. Foi selado o rompimento com Arraes, que voltaria ao governo dois anos depois (94). Em 98, porém, Jarbas se juntou ao PFL para enfrentar o ex-aliado e impôs-lhe uma derrota história, vingada pelo neto em 2010. Em 2012 resolveu voltar à Frente Popular para apoiar Geraldo Júlio à prefeitura, mas pode romper novamente com ela em 2016 para enfrentar o atual prefeito.

O “queremismo” está evoluindo

Não é só de aliados que Jarbas (PMDB) tem recebido apelos para disputar a PCR em 2016. O deputado Romário Dias (PTB) e o ex-vereador Sérgio Magalhães (PMN) foram ao escritório dele, na semana passada, fazer-lhe um apelo para se candidatar. E o ministro Armando Monteiro (PTB), mesmo não tendo falado com a mesma clareza, disse que o Recife precisa de um prefeito que trate também das “questões nacionais”, algo que Geraldo Júlio (PSB) não saberia fazer.

Limpeza – O Ministério Público está, aos poucos, “limpando o terreno” para Aécio Neves disputar a sucessão de Dilma (2018) livre de questionamentos. Arquivou a investigação sobre a construção, pelo senador, de um aeroporto na fazenda de um tio, em Cláudio (MG), e deverá excluir o senador Antônio Anastasia (PSDB-MG) do rol dos investigados pela Lava Jato.

Conselho – Petistas do Recife acham que o ex-deputado Sérgio Leite (PT) deveria disputar um mandato de vereador em Paulista, não o de prefeito, porque a maré não está boa para o partido.

Enem – Foi bom para PE ter seis escolas públicas bem avaliadas no Enem. Mas isso não foi fruto de uma “política de governo” e sim do esforço de professores/alunos dessas entidades.

Crise – Governo, quanto está em crise, lança mão de qualquer artifício para tentar superá-la. O boato da semana foi a nomeação de Lula para o ministério de Dilma. Mas pra fazer o quê?

Mudança – Capitaneados pelos líderes Cássio Cunha Lima e Carlos Sampaio, o 1º no Senado e o 2º na Câmara, o PSDB parou de defender o “impeachment” de Dilma para não ser chamado de “golpista”. Prega a realização de “novas eleições”, que estão marcadas para 2018. Mas só haverá nova eleição se Dilma renunciar até o final de 2016.

Azar – Afirma o ministro Armando Monteiro que uma das saídas para tirar o Brasil da crise é aumentar as exportações, algo que está ocorrendo no atual governo. Nosso azar, disse ele, é que caíram os preços dos nossos principais produtos de exportação no mercado internacional: soja (-46%), minério de ferro (-71%), café (-58%) e açúcar (-61%).

Teoria – De Aécio Neves à Veja: “Sou parlamentarista, sempre defendi esse sistema e acho que no futuro é por onde devemos caminhar. Mas penso que essa discussão tem de ocorrer fora do contexto de uma crise aguda”. Pura enganação. A discussão tem que ser travada, agora, diante do esgotamento desse presidencialismo que nós temos. Se o presidencialismo estivesse bem e o país fora de crise, quem iria discutir parlamentarismo?

Pobreza – É inacreditável que o PT mantenha na liderança do partido na Câmara o acreano Sibá Machado após ele ter dado apoio à PEC que vincula o salário dos advogados da União, delegados e defensores públicos ao dos ministros do STF (90,25%). E mais inacreditável ainda é que o líder do governo continue sendo José Guimarães (PT-CE), incapaz de ganhar um debate na Casa com o líder da oposição Bruno Araújo (PSDB-PE).

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