
Pela manhã, quando já era possível ver o sol nascendo, ou despontando sobre o alto, Alzira levantava-se da cama, e olha para o marido, gordo, barrigudo e dorminhoco. Diante de tal situação, despertava a vontade de fugir para nunca mais voltar, porém tinha medo de se arrepender e ter de voltar a morar em Serra dos Bois, que fica a dezoito quilômetros de Taquaritinga do Norte e a cento e oitenta e dois de Recife. Tendo apenas como referência, Santa Cruz do Capibaribe, quando em seu tempo ainda era uma cidade pequena, afinal há poucos anos vivia sobre a administração de Raimundo Aragão, seu primeiro prefeito.
Alzira, além de muito bonita por natureza, gostava de se vestir de maneira elegante. Fazia questão de comprar, quando ia à feira, as revistas de moda mantendo-se atualizada. Também, a Revista Capricho fazia parte de sua leitura obrigatória, mesmo que escondido de seu marido e das demais mulheres da região. A tal revista era considerada pertencer ao "cão", pois falava de amor e ensinava às moças dicas de como se amar. Alzira aprendeu a ler na Escola Municipal Assis Chateaubriand, no município de São João do Cariri, na Paraíba.
Mulher morena, alta e de seus seios redondos e fartos, Alzira gostava de dormir vestida com uma camisola azul e bem transparente que deixava à mostra suas coxas grossas e sensuais, levando qualquer homem ao êxtase.
Alzira, de rosto comprido e vastos lábios usava batom vermelho dando a forma de uma espécie de maçã do desejo. Mas Alzira não se importava, nem percebia que causava tanto êxtase nos homens e ciúmes nas mulheres, de Serra dos Bois de dos demais sítios, por causa de seu corpo estrutural.
Com sua beleza, Alzira levava à loucura os homens de Serra dos Bois, de Pedra Preta, do Bandeira, enfim todos de Taquaritinga do Norte. Quando ela pegava seu jumento para passear pelas estradas da região, forma-se fila nas portas das poucas casas para vê-la passar.
A beleza de Alzira começou a criar um clima ruim na região, pois ela despertava os instintos mais selvagens nos homens que, com suas esposas, não demonstravam tanto apetite. As mulheres dos vizinhos começaram a ter ciúmes de Alzira, mesmo sem ela demonstrar interesse pelos homens de Serra dos Bois.
De tanto provocar briga Alzira foi convidada e sair de Serra dos Bois. Ela, sem ter para onde ir, foi a pé até Gravatá do Ibiapina, na noite de inauguração da luz elétrica, feito do governo de Paulo Guerra, e na gestão do prefeito Antonio Andrade.
No discurso de agradecimento, o governador Paulo Guerra, afirmou que conhecia Gravatá do Ibiapina, pois quando criança passava lá, quando sua família ia à fazenda Açude Novo, vizinha de Serra dos Bois, lugar aonde Alzira morava, com seu esposo Justos Rufino.
Fragilizada pela súbita emoção de saber que um governador já estivera em sua terra, Alzira, deixou-se enganar pela lábia de um soldado da Polícia Militar de Pernambuco e fugiu com ele, tendo-se como a última notícia de que os dois foram vistos dormindo sobre um banco de areia do Riacho da Topada. Nunca mais Alzira foi vista.
Antonio Martins de Farias é Advogado e filho de Taquaritinga do Norte.
Foto ilustração google. (encantada)
Obrigado Jânio, por publicar meu artigo. Aguarde que ainda não terminou e Alzira ainda irá mexer com muita coisa e muitos acontecimentos que se passaram em Taquaritinga, Pernambuco e Rio de Janeiro.
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