Postado por Magno Martins
Para ele, a atual gestão, já na última eleição, perdeu para os votos brancos, nulos e a abstenção. E isso, segundo ele, foi um recado do olindense que deseja participar do debate sobre a sua cidade e construir um caminho para o futuro que ultrapasse uma era de atraso e estagnação. “As atuais forças políticas que lideram a gestão na cidade querem, numa política de cúpula, fazer uma eleição em que se ganha por exclusão de opções, colocando o povo, novamente, de lado. O povo de Olinda merece ser ouvido e respeito”, acrescenta. Veja abaixo a entrevista:
Num momento em que os municípios atravessam a pior crise dos últimos anos, o País mergulhado em recessão por causa do escândalo Lava Jato e a baixa credibilidade dos políticos vale trocar o exercício da advocacia bem sucedida pela possibilidade de ser candidato a prefeito de Olinda?
Embora conheça os desafios de Olinda, cidade que admiro e gosto, confesso que o destino pode colocar o meu nome à disposição de Olinda. E, com isto, debater os problemas de Olinda e, principalmente, apresentar soluções para eles. A esperança e o sonho me movem. Já tenho uma história construída na advocacia e outros desafios também me inspiram.
O que liga o senhor, politicamente, à cidade de Olinda?
A minha ligação com Olinda transcende a afinidade cultural e afetiva. Olinda vive uma estagnação há mais de 12 anos, que merece ser revertida por uma gestão participativa, que coloque Olinda no seu verdadeiro caminho. O que me liga, politicamente, a Olinda, além do trabalho que desenvolvo no âmbito sociocultural na cidade, é a vontade de trabalhar por uma Olinda que gere emprego para os seus moradores, transporte público de qualidade e serviços públicos qualificados. Olinda precisa melhorar o seu turismo e se aproximar de exemplos de cidades turísticas bem sucedidas. É importante trabalhar olhando o futuro.
O legado de Eduardo Campos, seu irmão, lhe faz um candidato diferenciado caso venha a disputar a Prefeitura de Olinda?
O tempo demonstrará que é um equívoco resumir minha disposição de trabalhar por Olinda a uma condição de irmão de Eduardo Campos ou de neto de Arraes. Vou debater os desafios de Olinda e apresentar soluções para eles. Não debaterei legados, que pertencem ao povo. Colocarei à disposição dos eleitores de Olinda as minhas ideias para a cidade e a minha disposição para fazer diferente. Agora, não posso, e não vou negar, a minha história e de onde eu vim.
Que arcos de forças a princípio seria possível montar em torno de uma candidatura do senhor, partindo da premissa de que o PMDB já tem dois pré-candidatos - Izabel Urquiza e Ricardo Costa e em se tratando também de que o PCdoB, hoje com Renildo, é aliado do PSB em nível estadual?
Tenho admiração pelo modelo da Frente Ampla do Uruguai, país onde estive recentemente. As alianças, na atualidade, devem transcender aos partidos políticos e se estender aos movimentos sociais, culturais, aos setores organizados da sociedade. Olinda terá a oportunidade, em 2016, de debater o passado e o futuro. Observo uma Olinda estagnada. Constato que os olindenses desejam soluções para os desafios da cidade, fazer mudanças. Eles almejam um prefeito que se dedique cotidianamente à cidade e traga soluções para os desafios existentes. A aliança deve ser com o povo.
O que se ouve em Olinda é que a cidade não tem sorte com seus governantes e por isso mesmo ninguém acredita mais em discursos e propostas dos que venham a se apresentar como opção a prefeito. O que fazer para mudar esse histórico e levantar a autoestima do olindense?
Precisamos acender no olindense a crença de que o sonho não morreu e que a esperança resiste, embora vivamos anos difíceis. A atual gestão, na última eleição, perdeu para os votos brancos, nulos e a abstenção. E isso foi um recado do olindense que deseja participar do debate sobre a sua cidade e construir um caminho para o futuro que ultrapasse uma era de atraso e estagnação. As atuais forças políticas que lideram a gestão na cidade querem, numa política de cúpula, fazer uma eleição em que se ganha por exclusão de opções, colocando o povo, novamente, de lado. O povo de Olinda merece ser ouvido e respeito.
Por que o prefeito Renildo Calheiros chegou a um patamar recorde de 84% de reprovação?
Acho que esse número de desaprovação fala por si só.
Parece não ser fácil governar uma cidade que ainda é dormitório de Recife e pena com a falta de um projeto voltado para o desenvolvimento econômico. Olinda é uma cidade com futuro?
Olinda é a cidade do futuro onde o patrimônio histórico conviverá com desenvolvimento sustentável. Criar um ambiente de inovação, ter uma legislação tributária que atraia empresas e prestadores de serviços, ter equipamentos e serviços que atraiam mais turismo. Cuidar da cidade e melhorar a vida dos olindenses.
Olinda é tão charmosa e fácil de vender, turisticamente, como Ouro Preto, mas por que não desbanca no turismo?
Falta planejamento estratégico, governança e uma gestão com execução eficaz e competente. Dar uma oportunidade a gente que faz. Em resumo, Olinda precisa de pessoas que se dediquem à cidade e façam diferente.
Quais os principais desafios de Olinda?
Inicialmente, a reestruturação do Poder Executivo, fazendo o dever de casa e dando exemplo. O saneamento da cidade e o transporte público são desafios importantes. Olinda precisa melhorar a educação, infelizmente tem o IDEB abaixo da média dos municípios com população semelhante. Olinda precisa reabrir a sua maternidade e ter um hospital de urgência e referência, cuidando da saúde. Resolver as obras inacabadas que receberam recursos federais e estaduais, que estão com problemas de execução. Olinda está um canteiro de obras inacabadas. Gerar empregos, cuidar do turismo. Colocar Olinda no circuito internacional de Artes. Vejamos o exemplo da Feira Internacional de Artes, em São Paulo, que está acontecendo nesse momento, e que colocou São Paulo no circuito internacional de artes plásticas.
Na crise que os municípios enfrentam, além do pacto federativo, o que seria importante para tirar as prefeituras do fundo do poço?
A distribuição de receitas e o reequilíbrio do pacto federativo é uma questão nuclear, pois, nos últimos anos, a União repassou serviços e concentrou recursos, sufocando as prefeituras. Uma cidade como Olinda tem que ter um planejamento estratégico que a coloque no conceito moderno das cidades, que precisam ter um padrão global. Para isso, devem ter um ambiente de inovação e gerar desenvolvimento sustentável. Olinda deve se espelhar em exemplos como os das cidades de Barcelona, no turismo, e São Francisco, na economia criativa.
Dentro da reforma política, quais pontos o senhor defende para que sejam já aplicáveis nas próximas eleições?
A reforma política é imprescindível para o Brasil, que enfrenta uma grave crise política. Um dos pontos que defendo é o mandato de 5 anos sem direito à reeleição.
Olhando agora para o plano nacional, Dilma consegue superar tamanha crise?
É tarefa de todos os brasileiros de responsabilidade buscar uma saída para a grave crise que o Brasil enfrenta. Defendo um pacto nacional, não de elites, mas que ouça e que tenha a participação do povo brasileiro.
Eleições gerais em 2018 passa pela prorrogação do mandato de prefeitos e vereadores por dois anos. A sociedade aceita prorrogar mandatos?
Defendo eleições conjuntas para que o Brasil não fique em permanente eleição. Quanto ao prazo dos mandatos na regra de transição, a sociedade e o Congresso Nacional hão de encontrar um caminho legítimo.
O senhor, pelo pouco que sei da sua vida, se volta com frequência para estudos da mística religiosa no sentido cristão. O que será conviver, a partir de agora, entre a política partidária, tão cheia de sortilégios, e o ideal da humanidade. Dá para resolver esses paradoxos?
Tenho como ídolo o Cristo e Ele viveu esse paradoxo na sua passagem terrena. A condição humana é desafiadora, mas sou um homem de esperança e fé.
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