sábado, 18 de abril de 2015

Uma atrevida repórter


Postado por Magno Martins

O ex-governador Joaquim Francisco, de quem fui secretário de Imprensa por apenas um ano, em 1991, tinha mania de usar helicóptero para vistoriar obras, cumprir curtas etapas pelo Interior e recorrer a emergências. Uma certa vez, procurando uma pista para pousar na Região Metropolitana do Recife, por pouco o equipamento não bate num fio de alta tensão.

Quem viu o inimigo à vista e gritou alertando o piloto foi o então secretário de Governo, Augusto Costa, que estava conosco no helicóptero. O susto nos causou um grande pânico! Mas a maior ousadia de Joaquim foi descer em Cabrobó, naquela época um dos maiores produtores de maconha do País, usando um helicóptero.

Lembro que foi uma viagem extremamente cansativa. Sem autonomia de voo, a aeronave teve que ser reabastecida em Paulo Afonso, já na Bahia, de onde partimos, depois de um cafezinho para estirar as pernas, em direção ao local onde o cenário já estava armado para incineração de não sei quantas toneladas de maconha – não recordo a quantidade.

Joaquim cumpriu o script: desceu no local, onde um batalhão de jornalistas o esperava, deu o início a queimação da droga e reafirmou o seu desejo de fazer uma grande campanha no País para livrar o Estado do estigma de um dos maiores centros de produção e tráfico de maconha da região nordestina.

Dia seguinte, ele foi ao ministro da Justiça falar das suas intenções e narrar a grande operação realizada em Cabrobó, que havia, claro, gerado uma matéria no Jornal Nacional com grande repercussão nacional.

Na saída do gabinete do ministro Bernardo Cabral, que já havia se encantado pela ministra Zélia Cardoso de Mello, revelada no bolero Bejame Mucho, dançado de rosto colado numa festinha na Academia de Tênis de Brasília, Joaquim deu uma entrevista coletiva.

Com sotaque nordestino bem carregado, o então governador caprichou no número de plantações de maconha incinerado, repetindo as tantas toneladas por diversas vezes. Foi aí que uma repórter bem mocinha, adepta de um baseado, fez o seu protesto:

“Mas que desperdício, governador!

Ai, nem o sisudo governador escondeu o riso.

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