Josias de Souza
Deve-se a suspensão dos depoimentos a um pedido do procurador-geral Rodrigo Janot ao ministro Teori Zavaschi, relator do petrolão no Supremo. O chefe do Ministério Público Federal abespinhou-se com decisões tomadas pela PF sem consultá-lo. Sob a alegação de que é preciso redefinir a estratégia da investigação, Janot pediu o adiamento de oitivas. A PF respondeu que só protelaria com ordem judicial. Daí o pedido de Janot ao ministro Zavascki, que deferiu o adiamento.
A encrenca é tratada com uma transparência de cristal Cica. Que suspeitos seriam inquiridos? Quando seriam colhidos os depoimentos? Por que o procurador-geral discordou da estratégia adotada pela Polícia Federal? A Procuradoria informa que o Janot não tem comentários a fazer.
Essa briga não é nova. Envolve uma disputa pela primazia no exercício do poder de investigar. Ressurge agora tendo como pano de fundo uma cruzada da PF no Congresso. A Polícia Federal guerreia pela aprovação de uma emenda constitucional que lhe dê autonomia funcional e orçamentária.
No Brasil, a reiteração dos casos de corrupção mostra que, por mais que se esforce, o aparato repressor do Estado chega sempre atrasado nas jogada$. Quando PF, Procuradoria e Judiciário trabalham em harmonia, como nos processo da Lava Jato que correm na Justiça Federal do Paraná, pode-se atenuar o vexame.
O diabo é que, no relacionamento entre certas corporações, por vezes fala mais alto o bom e velho espírito de corpo. Fala tão alto que soa como espírito de porco. Para felicidade dos petrolões.
Nenhum comentário:
Postar um comentário