quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

CASSAÇÃO DE VARGAS INAUGURA FILA DA LAVA JATO


Josias de Souza

A 12 dias do término do ano parlamentar, a Câmara praticou o primeiro ato da próxima legislatura, a ser inaugurada em fevereiro de 2015. Os deputados passaram na lâmina o mandato do deputado paranaense André Vargas, o ex-petista que manteve uma amizade monetária com o doleiro Alberto Youssef. Com isso, os parlamentares inauguraram a fila da Operação Lava Jato, que levará ao cadafalso dezenas de deputados e senadores no ano que vem.
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Saiba quem são os citados na Operação Lava Jato55 fotos 1 / 55
PAULO ROBERTO COSTA, O DELATOR - Investigado pela Operação Lava Jato da Polícia Federal, que apura esquema bilionário de lavagem de dinheiro, Paulo Roberto Costa é ex-diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras, cargo que ocupou entre 2004 e 2012. Foi preso em março deste ano por tentar ocultar provas que o incriminavam. Solto em maio, foi preso novamente em junho, e fez acordo de delação premiada com a PF em agosto, o que possibilitaria uma redução de sua pena em caso de condenação. Em depoimentos gravados feitos à polícia, ele cita, segundo a revista "Veja", ao menos 25 deputados federias, 6 senadores, 3 governadores, um ministro de Estado e pelo menos três partidos políticos (PT, PMDB e PP), que teriam recebido propina de 3% do valor dos contratos da estatal Leia mais Renato Costa/Frame/Folhapress


Dos 513 deputados, estavam presentes no prédio da Câmara 418. No plenário, o painel eletrônico registrou 359 votos a favor da cassação, um contra e seis abstenções. Quer dizer: nada menos que 147 deputados não se dignaram a dar as caras. Desse total, 52 estavam na Casa. Mas preferiram o refúgio do gabinete à vitrine do plenário.

A despeito das omissões, a cassação foi aprovada com folga. Bastariam 257 votos para que André Vargas fosse enquadrado na Lei da Ficha Limpa, ficando inelegível por oito anos. Obtiveram-se 102 votos além do necessário. Deve-se o fenômeno à transparência. Nos processos de cassação, o voto era secreto. Tornou-se aberto no final do ano passado, nas pegadas do ronco das praças de junho. Sob a luz do Sol, a solidariedade com a transgressão passou a ter um custo.

Supremo constrangimento: até a liderança do PT, partido que manobrou no subsolo para retardar o julgamento de André Vargas por oito meses, recomendou à sua bancada, no microfone, o voto “sim” à cassação do companheiro.

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