Por Inaldo Sampaio
Coluna Fogo Cruzado – 26 de setembro
Ana Arraes seria consenso no PSB para evitar que a presidência nacional do partido caia no colo de Roberto Amaral
Há um certo consenso no PSB de que apenas um pernambucano será capaz de impedir que Roberto Amaral assuma a presidência nacional do PSB, após as eleições, em substituição a Eduardo Campos: Ana Arraes. Ela sucederia a um só tempo o pai, Miguel Arraes, falecido em 2005, e o filho, Eduardo, morto no dia 13 do mês passado, os dois últimos presidentes da legenda. Além disso, ninguém do partido se levantaria contra ela. Seria uma maneira de o controle partidário ficar em Pernambuco, já que Amaral não estaria sintonizado com o socialismo democrático que é pregado pela legenda. É improvável, porém, que a ministra tope o desafio. Ela está no TCU há menos de dois anos, precisa apenas de mais cinco para aposentar-se e não seria razoável exigir dela este sacrifício em nome de um projeto partidário. A solução é montar uma chapa alternativa com Geraldo Júlio na cabeça e partir para o enfrentamento.
Por onda anda Milton Coelho?
Milton Coelho, ex-presidente estadual do PSB e ex-vice-prefeito do Recife, deixou a coordenação da campanha de Marina em solidariedade a Carlos Siqueira, secretário nacional do partido que largou o barco brigado com ela. De volta ao Recife, esperava-se que o ex-vice-prefeito fosse ocupar um cargo de destaque na campanha de Paulo Câmara (PSB), mas não lhe deram qualquer missão. O comando continua nas mãos de Geraldo Júlio e Antonio Figueira.
Poesia – Tadeu Alencar, candidato a deputado federal pelo PSB, fez um discurso poético ao receber o apoio dos familiares de Eduardo Campos durante um jantar em sua homenagem na Arcádia de Boa Viagem. Foram abraçá-lo o médico Ciro de Andrade Lima, sogro do ex-governador e seus filhos Eduarda, Pedro e José. O discurso de Pedro o emocionou bastante.
Adesão 1 – O ex-deputado e ex-prefeito de Goiana, Osvaldo Rabelo Filho (PSB), incorporou-se ontem, formalmente, à campanha do senador Armando Monteiro (PTB) ao governo estadual.
Adesão 2 – Já o candidato Paulo Câmara (PSB) recebeu o apoio do ex-prefeito de Gravatá, Joaquim Neto (PSDB), que vinha se negando a apoiá-lo desde que a chapa foi anunciada.
Palanque – Arthur Chioro (Saúde) foi o 3º ministro de Dilma que veio a Pernambuco apoiar a candidatura de João Paulo (PT) à vaga do Senado. Não dá um voto, mas enfeita o palanque.
Governo – Apesar de Armando Monteiro (PTB) declarar-se “arrependido” por ter votado em Geraldo Júlio (foto) para prefeito do Recife, os três vereadores petebistas continuam na base governista: Carlos Gueiros, Eduardo Marques e Antonio Luiz Neto (presidente do Santa Cruz).
Oposição – Geraldo Júlio (PSB) elevou o tom de suas críticas ao PT, a Dilma Rousseff e aos senadores Humberto Costa e Armando Monteiro. Diz ele: “Vamos deixar os dois senadores na oposição, o que perdeu pra mim (Humberto) e o que vai perder pra Paulo (Armando)”.
Lei ruim – O ministro Gilmar Mendes (STF) é um dos poucos juristas do país que têm coragem de criticar a “Lei da Ficha Limpa”, que considera “ruim e tecnicamente mal feita”. Outros dizem que a Lei foi aprovada às pressas, para dar satisfações à sociedade, que elaborou o projeto. E em que pese ter evitado a candidatura de muitos políticos “fichas sujas”, é de constitucionalidade duvidosa.
Na real – Era mais figura de retórica a promessa feita por Eduardo Campos de mandar o PMDB “para a oposição” se porventura fosse eleito presidente. Hoje, 43 dias após a sua morte, o PSB caiu na real. O vice de Marina, Beto Albuquerque, já disse que não se governa sem o apoio dos peemedebistas e o presidente Roberto Amaral afirma que o PSB, se chegar lá, tem que negociar com o Congresso.
Fonte: Inaldo Sampaio
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