quinta-feira, 5 de junho de 2014

VIANA: SOB PSDB, NORDESTINO REVIVE SECA EM SP

Josias de Souza


Falta de chuvas afeta abastecimento de água em São Paulo66 fotos 66 / 66
4.jun.2014 - Imagem área mostra o túnel 7 do Sistema Cantareira, na cidade de Joanópolis, no interior de São Paulo, nesta quarta-feira (4). Responsáveis por cerca de 80% da capacidade máxima do Sistema Cantareira, as represas Jaguari-Jacareí atingiram na terça-feira (3), pela primeira vez na história, o limite mínimo de captação de água por gravidade pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), ou seja, zero por cento do volume útil. Isso significa que, a partir de agora, a retirada de água dos dois principais reservatórios do Cantareira só pode ser feita pelo bombeamento do "volume morto", que fica represado abaixo do nível das comportas da Sabesp. A operação, que custou cerca de R$ 80 milhões, teve início no dia 15 Leia mais Luis Moura/Estadão Conteúdo

O senador Jorge Viana (PT-AC), vice-presidente do Senado, escalou a tribuna nesta quarta-feira (4) para criticar o governo tucano de São Paulo. “O nordestino veio para São Paulo fugindo da seca. E agora se depara com a escassez de água para beber”, ironizou.

Viana ecoou no plenário um debate travado horas antes numa sessão conjunta das comissões de Infraestrutura e de Meio ambiente do Senado sobre o risco de racionamento de água em grandes cidades do país. Reproduziu declarações feitas pelo presidente da Agência Nacional de Águas, Vicente Andreu Guillo.

Ao tratar de São Paulo, o dirigente da agência dissera que são duas as causas da crise hídrica: a falta de chuvas e a falta de investimentos no sistema Cantareira, que abastece a capital paulista.

E Viana: “Além da mudança climática, há no Estado mais rico do país, comandado pelo mesmo partido há mais de duas décadas, uma absoluta comprovação da falta de investimentos na essência da vida, que é a água. São Paulo sofre também por conta dos erros administrativos de não ter investido em água.”

O vice-presidente do Senado é irmão do governador petista do Acre, Tião Viana, que foi duramente criticado pelo colega paulista Geraldo Alckmin (PSDB) por enviar haitianos para São Paulo sem aviso prévio. Sem citar o nome do desafeto do irmão, Jorge Viana soou seco ao falar da falta d’água que Alckmin tenta administrar.

“Uma razão é o clima”, repetiu o senador. “Mas há outra razão: sabe de quando é o maior investimento no complexo Cantareira? É de 1974, no regime militar, quando construíram. De lá pra cá, não fizeram mais investimentos naquele conjunto de reservatórios. São Paulo também concentra uma das maiores taxas de desmatamento. Retirou sua cobertura florestal.”

Noutro trecho do discurso, Viana vaticinou: “Vamos entrar num período que as chuvas vão cessar. As chuvas que não caíram não caem mais. Tem dois caminhos, falava o presidente da Agência Nacional de Águas: um é continuar consumindo moderamente. Outro é implorar para que volte a chover com alguma regularidade a partir de novembro. Se o tempo ficar normal, se chover pouco, o caos vai se estabelecer.”

Alckmin apanhou indefeso no Senado. Convidada para a sessão das comissões de Infraestrutura e de Meio Ambiente, dilma Pena, a presidente da Sabesp, companhia de saneamento de São Paulo, não de as caras. No plenário, Jorge Viana falou sem ser importunado por nenhum tucano.

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