segunda-feira, 12 de maio de 2014

NÃO CONVÉM DEIXAR AÉCIO SOZINHO COM ALCKMIN




Josias de Souza



Donizett: ‘Há uma identidade muito grande entre os eleitores de Marina Silva e Geraldo Alckmin’

Vice-presidente do PSB paulista e prefeito de Campinas, Jonas Donizetti coleciona argumentos para tentar convencer o presidenciável do seu partido, Eduardo Campos, a apoiar a reeleição do governador tucano Geraldo Alckmin. Ele avalia que, se errar em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, o PSB pode potencializar a candidatura presidencial de Aécio Neves.

“Acredito que não convém a gente deixar o Aécio sozinho com o Alckmin em São Paulo”, disse Donizetti ao blog. “Se fizemos isso, o Aécio pode abrir uma frente de votos em relação ao Eduardo que será difícil recuperar em outro lugar. O Aécio é um político habilidoso. Vai saber tirar proveito disso. Vai grudar no Alckmin, o que pode potencializar a transferência de votos do governador para ele. Creio que, para o nosso projeto nacional, isso seria muito preocupante.”

Donizette é o principal articulador do manifesto em que o PSB de São Paulo reivindica autonomia para se juntar a Alckmin. Uma pretensão abominada pela Rede de Marina Silva, que prefere o lançamento de um candidato próprio ao governo estadual. Curiosamente, Donizette evoca a presença de Marina na chapa de Eduardo Campos para reforçar a sua tese.

“Nós estamos preparando um estudo para mostrar ao Eduardo Campos”, diz o prefeito de Campinas. “Esse estudo mostra inclusive que, por mais que o pessoal queira dissociar, existe uma identidade muito grande entre o eleitor que votou na Marina na eleição de 2010 e o eleitor do Alckmin. É claro que essa identidade não é de 100%. Mas o estudo deixa muito claro que os dois têm eleitores em comum.”

O estudo tem base científica?, quis saber o repórter. E Donizetti: “Está sendo feito por uma pessoa que já participou de duas campanhas presidenciais. É um especialista em pesquisas. Pedimos que fizesse um estudo técnico, mostrando o perfil do eleitorado de São Paulo e as características do voto. Parte do eleitorado da Marina valoriza determinados valores que enxerga também no Alckmin”. Que valores? “Tem a ver com a ética, com a seriedade.”

Não receia que o caso do cartel do metrô e dos trens afete a imagem de Alckmin? “Isso não pega nele”, respondeu Donizetti. “Costumo dizer que, em certo sentido, o Alckmin é um Lula. As coisas podem grudar no governo, mas não grudam nele. O eleitorado não o enxerga como uma pessoa associado a coisas erradas. Acompanho o Alckmin há muito tempo. Tenho pleno convencimento de que ele não compactua com coisa errada. Você pode apontar falhas no governo dele, medidas que poderiam ser mais eficazes. Mas, como homem público, ele está dentro do modelo que a sociedade vem reivindicando.”

Até que ponto o PSB de São Paulo puxará a corda para obter a aliança com Alckmin? “Nós acreditamos muito no Eduardo Campos”, escorrega Donizetti. “Sabemos que ele está indo para uma missão difícil. Como companheiros, o que menos nós temos que fazer é complicar ainda mais. Então, queremos ajudar. O Eduardo é nosso grande líder político. Ele dará o tom. Mas, como aliado, me sinto na obrigação de passar as informações do Estado para ele.”

Que informações? “Nas regiões metropolitanas, o governador Alckmin tem um bom índice nas pesquisas. Nas cidades médias e pequenas, o índice dele é muito alto. Em cidades com até 300 mil habitantes, ele tem 60% a 70%. Então, acho que tenho a obrigação de passar essa geografia política para o Eduardo Campos.”

Donizetti diz valorizar o papel da Rede na campanha presidencial do PSB. Festeja a presença de Marina Silva na vice. “Ela é um elemento agregador”. Mas enxerga uma “incompatibilidade total” entre os projetos políticos da Rede e do PSB no Estado de São Paulo. “Como nossa união tem um propósito nacional, nada melhor do que deixar alguns Estados onde não há entendimento livres para que cada partido tome as suas decisões. É algo muito natural.”

Pelas contas de Donizette, a proposta de coligação com Alckmin prevaleceria na convenção do PSB paulista com “90% dos votos”. E se a direção nacional insistir na tese da candidatura própria? “Caso persista essa decisão, nosso candidato é o deputado Márcio França. Se a Rede apresentar outro nome, nós vamos disputar na convenção. O Márcio vence com 99% dos votos. Mas acredito que o Eduardo Campos terá habilidade política para conduzir essa questão de outra forma.”

Enxerga uma saída para o enrosco? “Tenho falado muito com o Eduardo”, conta Donizette. “Ele está vivendo isso também em Minas Gerais. O que parece que fica mais forte é a possibilidade de lançar um candidato em Minas e não lançar em São Paulo. O deputado Júlio Delgado [PSB] estaria disposto a ir para a candidatura a governador em Minas. Seria uma troca.”

Como resumiria a encrenca que opõe PSB e Rede em São Paulo? “Vamos mostrar ao Eduardo Campos que o partido deseja o apoio ao Alckmin. O deputado Márcio França é o nosso nome para a vice. Mostraremos que esse é o melhor caminho também para a candidatura do Eduardo. Se ainda assim quiserem a candidatura própria, nosso candidato é o Márcio França. Disso não abrimos mão. A Rede pode nos ajudar a construir um caminho político. Agora, vetar nomes nossos acho que já é um pouco de abuso.”



















JÂNIO ARRUDA(PSD) E JONAS DONIZETT - PSB (PREFEITO 
DE CAMPINAS).

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