Os dois ídolos penduraram as chuteiras, mas não haverá despedida em casa
Publicado em 23/03/2014, às 08h07
Gabriela Máxima
Futebol é uma paixão para quem assiste mas, sobretudo, para quem joga profissionalmente. Por causa desse amor incondicional ao esporte, interromper uma carreira que reúne glórias e superações é algo extremamente difícil. No início de 2014, dois craques do futebol pernambucano tomaram coragem e resolveram pendurar as chuteiras. O primeiro foi Juninho Pernambucano, no último fevereiro, seguido por Rivaldo, que anunciou sua aposentadoria dos gramados no sábado passado. Além da naturalidade, os jogadores tinham em comum o desejo dos fãs de assistir, pela última vez, ao futebol-arte de seus ídolos. Infelizmente, o espetáculo ficará apenas na lembrança.
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Rivaldo defendendo o Santa Cruz no início da carreira
Revelado pelo Sport, Juninho, 39 anos, esteve próximo de jogar pelo Leão no final da carreira. Em junho de 2012, o clube o procurou como reforço para a Série A do Brasileiro. Na época, o Sport chegou a igualar os valores do Vasco para ter o craque “em casa” novamente. Juninho, porém, recusou a proposta. Em sua despedida, ele rememorou o episódio e fez um apelo ao Rubro-negro.
“Eu queria fazer um agradecimento especial ao Sport. Foi lá onde tudo começou. Meu caminho foi difícil e acertei por ter vindo ao Vasco. Agradeço por eles (Sport) terem aceitado. Eu joguei pouquíssimo tempo como profissional lá, mas eles nunca entenderam a minha preferência pelo Vasco”, contou o ex-jogador, que acrescentou. “Eu lamento por isso. Reconheço e sou grato pelo início. Mas foi aqui onde eu me realizei e me tornei alguém”, destacou, emocionado.
O pernambucano iniciou sua carreira nas categorias de base do Leão. Esse período, aliás, nunca foi esquecido por Juninho, que lamenta não ter evoluído mais enquanto esteve no Recife. “Isso me incomodou, porque eu sou nordestino, vim do Recife. Só queria dizer aos garotos que lá estão começando que dá para conseguir, com muita luta e dedicação. Obrigado ao Sport”, concluiu Juninho, que ainda não mencionou a possibilidade de realizar um jogo de despedida na Ilha do Retiro. Até agora, ele espera pelo final do Carioca para marcar um jogo de despedida contra o River Plate, da Argentina, ou contra o Lyon, da França.
Nos últimos anos, Rivaldo também foi especulado para voltar a vestir a camisa do Santa Cruz, clube que o revelou em 1990. Mas o salário do craque não caberia na realidade financeira do Tricolor. O presidente do clube, Antônio Luiz Neto, fez questão de homenagear o ídolo no site oficial do Santa quando soube da aposentadoria e, em entrevista ao JC, revelou o desejo de receber Rivaldo para um jogo de despedida. “A possibilidade está em aberto. Na verdade, seria um prazer promover esse reencontro. Existe uma comissão que está organizando um jogo comemorativo do centenário e podemos incluir na festividade o jogo de Rivaldo. Mas para isso acontecer, ele precisar topar”, revelou, deixando a proposta no ar.
Dois anos mais velho do que Juninho, Rivaldo começou na base do Santa em 1990. Defendeu o clube profissional em algumas ocasiões mesmo sendo um atleta juvenil. Não demorou muito e despertou interesse do Mogi Mirim, para onde foi transferido. Vinte e dois anos depois, Rivaldo mantém uma ligação forte com o clube do interior de São Paulo. Além de defendê-lo em campo, é o presidente do time. Após muitas realizações profissionais (como a Copa de 2002 e do Troféu Bola de Ouro de 1999), o maior sonho de Rivaldo era atuar ao lado do filho Rivaldinho, o que aconteceu no dia 18 de fevereiro.
Já o anúncio da aposentadoria foi feito pelo Instagram, onde Rivaldo lembrou momentos importantes. “Construi minha carreira em cima de um milagre, saindo de Paulista. Sem nenhum recurso financeiro, vi um sonho se tornar realidade”, falou.
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