terça-feira, 15 de outubro de 2013

JARBAS EXALTA ALIANÇA EDUARDO-MARINA E DIZ QUE O CICLO DO PT ESTÁ ENCERRADO


Publicado  Por: Inaldo Sampaio


O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) escolheu mais uma vez uma segunda-feira para fazer seus tradicionais discursos lidos.

Hoje, o tema do seu discurso foi a aliança do governador Eduardo Campos com a ex-senadora Marina Silva.

Como sempre faz, ele bateu forte no PT e na presidente Dilma Rousseff e foi aparteado pelos colegas Ana Amélia Lemos (PP-RS) e Eduardo Suplicy (PT-SP).

Veja, abaixo, os principais trechos do seu discurso:

I) Acompanhei com muita atenção, mesmo estando fora do país, ao desenrolar dos acontecimentos que levaram à união do Partido Socialista Brasileiro com a Rede Sustentabilidade; o entendimento político firmado entre o governador do meu Estado, Eduardo Campos, com a ex-Senadora pelo Acre e Ex-Ministra do Meio Ambiente Marina Silva.

II) Esse é um daqueles episódios antológicos da História, com “H” maiúsculo, do tipo que será registrado para sempre, independentemente dos resultados que venha obter nas eleições presidenciais do próximo ano.

III) Creio que essa união entre Marina Silva e Eduardo Campos vem para quebrar essa perniciosa tentativa de dividir os brasileiros entre o bem e o mal, sendo benditos aqueles que acompanham o PT e malditos todos aqueles que enxergam as coisas de maneira diferente dos petistas, como é o meu caso.

IV) Essa falsa polarização, vale bem ressaltar, foi alimentada pelo próprio PT, que pretendeu vender a imagem de que o Brasil passou existir apenas a partir de 1º de janeiro de 2003.
V) O entendimento entre o PSB, a Rede Sustentabilidade e pessoas de diversos outros partidos pretende superar essa etapa da História Brasileira. E nele estou engajado.

VI) Precisamos deixar claro uma coisa: o PT não é o exclusivo depositário das coisas boas que ocorreram no nosso país nos últimos 20 anos. É verdade que o ex-presidente Lula deu sua contribuição, especialmente por não ter colocado em prática todas ideias extravagantes que o PT pregou como oposição no palanques e nos programas de governo, antes de chegar à Presidência da República.

VII) Lula manteve os pressupostos implantados com o Plano Real e ampliou a rede de combate à miséria e à pobreza extrema, que, apesar de reduzida, ainda prevalece, em especial nas regiões Norte e Nordeste do País.

VIII) Não podemos deixar de registrar que, infelizmente, existe um contraponto a isso tudo, que é o aparelhamento do estado brasileiro, de uma forma irresponsável e temerária. Com instituições e organismos, como o BNDES, por exemplo, servindo aos interesses de empresários simpáticos ou aderentes ao projeto de poder do PT.

IX) Foi importante, muito importante que a própria ex-senadora Marina tenha tomado a iniciativa, na entrevista coletiva do último dia 5, de reconhecer que tanto o PSDB do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quanto o PT do ex-Presidente Lula deram suas contribuições para a posição de destaque que o Brasil ocupa hoje no cenário político e econômico mundial.

X) Guarda um simbolismo muito grande o fato de Eduardo e Marina terem sido ministros do Governo Lula. Pois, eles não foram auxiliares apagados, sem expressão, como ocorre hoje com a maioria dos 39 ocupantes da Esplanada dos Ministérios – alguns que se forem vistos nas ruas não serão sequer identificados.

XI) Marina e Eduardo tiveram gestões elogiadas, destacadas e reconhecidas, em duas áreas estratégicas para o futuro do Brasil que almejamos: Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia.

XII) Eduardo e Marina falam e falarão com credibilidade sobre o que avançou e deve ser mantido e sobre o que precisa urgentemente ser mudado no planejamento governamental. Como ex-colegas da Presidente Dilma Rousseff, eles conhecem suas fragilidades, o seu jeito prepotente de ser – apesar de todo o esforço do marketing governamental para mudar esse perfil que, aqui, em Brasília, todos conhecem.

XIII) Esse cenário acendeu a luz de alerta entre os palacianos, que, apesar das dificuldades dos últimos meses, parece que não perderam a prepotência e a arrogância, demonstradas com requintes pelo marqueteiro João Santana, na agora tristemente célebre entrevista à revista “Época”.

XIV) Santana não apenas comparou Dilma Rousseff a uma deusa grega como classificou seus adversários de “anões”. Politicamente incorreto ao extremo, para dizer o mínimo da coleção de baboseiras jogadas ao léu pelo quase onipresente senhor João Santana.

XV) Numa campanha bancada com recursos públicos, João Santana lidera uma campanha eleitoral sem disfarces. O marqueteiro petista escolhe da roupa vermelha da presidente ao discurso que ela faz nas Nações Unidas. Ninguém sabe onde começa a chefe de Estado e termina a candidata à reeleição.

XVI) A História é marcada por ciclos. E este ciclo de poder do PT está chegando ao fim. O Brasil não acabará por causa disso. É chegada a hora do nosso país se permitir um salto qualitativo, para que possamos construir uma nova lógica governamental, sob outros parâmetros políticos e de gestão pública. Tudo na natureza é assim: nasce, cresce, vive e, um dia, morre, abrindo caminho para a renovação. É o ciclo da vida.



XVII) Eu vislumbro na união entre Eduardo Campos e Marina Silva o melhor caminho para esse “novo jeito” de fazer as coisas funcionarem. O desprendimento demonstrado por essas duas lideranças, no último dia 5, surpreendeu a todos. Tenho certeza de que eles reúnem as condições para continuar surpreendendo, sempre de maneira positiva.

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