Lula candidato
*Maurílio Ferreira Lima
Nenhum partido político, em nenhuma parte do mundo, abdica do poder. O PT governou o país oito anos com Lula e mais quatro anos com Dilma Rousseff. É lógico que queira continuar governando.
A presidente Dilma Rousseff era unanimidade como candidata presidencial do PT nas eleições de 2014. O tsunami vindo das ruas acuou todos os políticos, todos os partidos, e tragou a candidatura de Dilma.
As pesquisas do Datafolha indicam queda recorde nas preferências sobre eleições presidenciais. Dilma não ganha mais no primeiro turno e com apenas 30% enfrentaria um segundo turno contra Marina Silva com 23%. Se Dilma fosse para essa disputa, seria derrotada.
O PT não cometeria haraquiri político indo para uma disputa certamente perdida. É inevitável que se convoque o reserva de plantão: Lula. O Datafolha detalhará, em outra oportunidade, a pesquisa que mostra Lula vitorioso já no primeiro turno.
O painel da Folha de S.Paulo já adianta os números: Lula tem 75% de popularidade, enquanto Dilma tem apenas 30%.
Para a disputa presidencial, Lula tem 46%, Marina tem 17%, Aécio segue com 15%, Joaquim Barbosa tem 14% e Eduardo Campos, 4%.
Lula venceria facilmente no primeiro turno. É inevitável que seja convocado e não vai a contragosto, vai fagueiro e feliz. Precisa apenas que sua pupila, Dilma Rousseff, venha vê-lo, encosta a cabeça em seu ombro e peça para ele ser candidato.
É preciso mostrar na tevê que pediram para ele voltar. Igual a Getúlio Vargas, que foi buscado para voltar em sua fazenda, em Itú, retornou ao páreo, se elegeu e terminou dando um tiro no coração.
Muitos dirão que pesquisa, hoje, não vale de nada, pois a eleição só acontecerá em outubro do ano que vem. Mas ninguém sabe como terminará o tsunami de multidões enfurecidas, protestando até contra um minuto de silêncio.
Querer desconhecer a força e a influência de pesquisa eleitoral hoje é querer ignorar a força das manifestações enfurecidas.
As pesquisas de hoje norteiam todo noticiário e análises políticas são repetidas várias vezes pelos rádios locais e aos rincões de todo Brasil, aonde não chega jornal e internet não tem sinal.
Todo partido e dirigente político do país, desde a divulgação das pesquisas Ibope e Datafolha, raciocina como se a candidatura de Dilma tivesse afundado definitivamente e o candidato que a ser lançado pelo PT seja mesmo o ex-presidente Lula , que terá como adversários Marina Silva e Aécio Neves – Joaquim Barbosa não pensa em ser candidato.
Ninguém acredita na candidatura de Eduardo Campos, que só existirá quando o próprio se disser candidato - o que não aconteceu até agora – e caso venha a ter o apoio do PSB, o que todos acham duvidoso acontecer.
Não foi a Mãe Diná que falou, nem os búzios do Pai Edu. Quem decide quem será candidato são os políticos e não as ruas. As ruas podem afundar uma candidatura, como está acontecendo com Dilma Rousseff. Mas depois do afundamento, os políticos põem outra candidatura no lugar.
*Ex-deputado federal e radialista.

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