terça-feira, 9 de abril de 2013

NA PRÓXIMA QUINTA (11), BRASIL GANHA EXCLUSIVIDADE DO NOME "CACHAÇA"


FOTO GOOGLE

BEBIDA OFICIAL

Diario de Pernambuco - Diários Associados

Publicação: 09/04/2013 09:31 Atualização: 09/04/2013 09:57 Agora é pra valer e oficial. A partir da próxima quinta-feira (11), uma das bebidas brasileiras mais apreciadas mundo afora, a cachaça, passará a ser vendida nos Estados Unidos como um produto genuinamente brasileiro. A causa direta disso é que, para ser chamada de cachaça na terra do Tio San, a bebida terá de ser produzida exclusivamente no Brasil.

A polêmica envolvendo a venda da cachaça nos EUA começou há onze anos, quando os americanos comercializavam a bebida com o sugestivo rótulo de "rum brasileiro". O problema é que outras bebidas fabricadas em outros países, principalmente da região do Caribe, eram confundidos com a cachaça.

Até o reconhecimento oficial, muitos debates sobre o processo de autenticação ocorreram entre os EUA e o Brasil. A legitimação, no entanto, ocorreu após uma década entre os governos dos dois países. A autenticidade, todavia, não saiu de graça: o Brasil se comprometeu a reconhecer outros dois produtos como genuinamente americanos: o uísque bourbon e o uísque tennessee.

Sobre a legitimação, o presidente da diretoria executiva do Instituto Brasileira da Cachaça (Ibrac), Vicente Bastos, dissse que a medida “evita que a cachaça vire um destilado genérico, como a vodka, que antes era produzida só na Rússia e hoje é feita no mundo todo". Porém, a luta está apenas começando.

Com este primeiro reconhecimento oficial, o Brasil vai mover esforços, agora, para que a cachaça também seja reconhecida em outros países. Além dos EUA, apenas a Colômbia fez esse reconhecimento oficialmente, mas de forma voluntária. A meta é com novos reconhecimentos é fortalecer a denominação de origem do produto na Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo o Ibrac, isso garantiria o reconhecimento no mundo todo, como já ocorre com a tequila, do México, e o uísque escocês, da Escócia.

Exportações

No mercado mundial de destilados, os EUA são os líderes e estão entre os principais compradores de cachaça. Mas exportações do produto ainda são bastante tímidas. De acordo com o Ibrac, a indústria produz cerca de 1,2 bilhão de litros de cachaça por ano. No ano passado, cerca de 8 milhões de litros foram exportados, o equivalente a 0,66% do total.

Com o reconhecimento norte-americano, a longo prazo as exportações devem aumentar. O órgão estima até 2018 o valor das exportações triplique, chegando a US$ 50 milhões. Em 2012, foram US$ 15 milhões.

Na avaliação do Ibrac, o aumento nas exportações vai ocorrer à medida em que os estrangeiros souberem diferenciar a definição da cachaça. E a explicação é simples: as vendas no exterior ainda são quase totalmente associadas à caipirinha. Com isso, as empresas têm dificuldade de vender, inclusive, cachaças do tipo premium, mais caras, e que são uma das apostas dos grandes fabricantes no mercado interno.

As fabricantes, aliás, já estão se movendo para reverter esse panorama. A pernambucana Pitú, por exemplo, mantém, nos Estados Unidos uma profissional que "dá aulas" sobre o produto para distribuidores dos estados da Flórida e de Nova York. "Ela ensina o que é a cachaça e como pode ser consumida", diz a diretora de comércio exterior da Pitú, Vitória Cavalcanti.

A realização da Copa do Mundo e da Olimpíada no Brasil são dois eventos que também podem ajudar na “educação” dos estrangeiros. Eduardo Bendziu, diretor de marketing da Ypióca, empresa do grupo britânico Diageo (produz o uísque Johnnie Walker e a vodca Smirnoff) dá a receita. "O potencial é grande e o consumidor tem desejo de conhecer o produto. Todos estão perguntando sobre a cachaça".

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