Fogo Cruzado
Coluna Fogo Cruzado – Folha de Pernambuco – 26 de abril
Por Inaldo Sampaio.
Ontem, a caminho de Buenos Aires, a presidente Dilma Rousseff deve
ter lido no avião o “clipping” preparado por sua assessoria com críticas
ao seu governo num tom que até agora desconhecia. Ao governador de
Pernambuco e (ainda) seu aliado, Eduardo Campos, foi atribuída esta
frase bombástica: “Ela (Dilma) não se reelegerá e não se reelegerá
mesmo. Ela governa mal e está levando o país para o buraco”. O
governador, presume-se, não diria isto apenas por dizer.
Já ao senador Jarbas Vasconcelos, filiado à ala do PMDB que faz
oposição ao governo federal, atribui-se uma frase mais dura ainda: “Esta
senhora tem formação pior que a de muitos generais da ditadura. É
intolerante e tem formação autoritária”. A acusação foi a propósito da
pressão exercida pelo Planalto sobre os senadores da base governista
para que votem em regime de urgência o projeto que praticamente
inviabiliza a formação do partido de Marina Silva.
No entanto, a crítica que mais deve tê-la incomodado partiu do
senador Pedro Simon, cujo berço político é o mesmo dela: o Rio Grande do
Sul. Também inconformado com o cerco do Palácio do Planalto à
ex-senadora, Simon, com o peso de sua autoridade moral, chamou Dilma de
“marechala” e de “política vulgar”, lembrando que ela não tem tradição
política nas terras gaúchas porque antes de ser presidente da República
exerceu apenas cargos burocráticos.
Programa 1 – O tom da fala de Eduardo Campos no horário político do
PSB, que foi ao ar na noite de ontem, em cadeia de rádio e TV, não foi
escolhido aleatoriamente. Pesquisa qualitativa encomendada pelo PSB
indicou quais os assuntos que o povo queria ouvir.
Programa 2 – Exceto os irmãos “Ferreira Gomes” (Ciro e Cid), o PSB
está convencido de que o povo brasileiro quer “mudança” e não dará um 4º
mandato consecutivo ao PT, mesmo que o candidato seja Lula. Foi essa a
mensagem passada ontem pelo programa do partido.

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